Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A incontinência urinária é uma condição prevalente entre mulheres, com impactos físicos, emocionais e sociais que comprometem significativamente a qualidade de vida. O acesso ao tratamento ainda é limitado, tornando necessária a adoção de estratégias que garantam assistência eficaz e acessível. Em fevereiro de 2024, foram implementados grupos de apoio para mulheres com incontinência urinária de esforço na Unidade de Saúde Avançada Parque Santana. Em março de 2025, iniciou-se a aplicação de questionário para avaliação da qualidade de vida e do impacto da condição nas pacientes atendidas. Segundo o estudo “Incontinência Urinária: prevalência, classificação e manejo na pessoa adulta” (Brazilian Journal Review, 2024), a condição afeta 10% das mulheres adultas e 40% das mulheres acima de 70 anos, sendo que apenas 25% buscam tratamento. Nos atendimentos de fisioterapia ortopédica e neuro funcional, observou-se alta frequência de queixas de perda urinária aos esforços. Diante disso, foram estruturados grupos de acolhimento, orientação e exercícios específicos de reabilitação. A fisioterapia pélvica é considerada primeira linha no tratamento conservador da incontinência urinária de esforço, com eficácia de até 70%, promovendo melhora da função do assoalho pélvico e da qualidade de vida, além de otimizar recursos por meio do atendimento em grupo.
Este estudo tem como objetivo apresentar os resultados de um programa de fisioterapia em grupo para o tratamento da incontinência urinária em mulheres, avaliando a evolução dos sintomas e o impacto na qualidade de vida das participantes. Adicionalmente, busca-se evidenciar a importância da educação em saúde e do treinamento da musculatura do assoalho pélvico como estratégias eficazes no controle da incontinência urinária. O programa visa, também, proporcionar conscientização e informações adequadas para as mulheres, além de promover a reabilitação e melhorar a autoestima das participantes, muitas das quais sofreram por anos sem conhecimento sobre a disponibilidade de tratamento adequado para essa condição.
Trata-se de um estudo descritivo, de caráter intervencionista, realizado com mulheres encaminhadas ao setor de fisioterapia uroginecológica por queixas de incontinência urinária de esforço. A captação das participantes ocorreu por meio de articulação multiprofissional com ginecologistas da unidade e ações educativas desenvolvidas durante a campanha Outubro Rosa, ampliando o acesso e a conscientização sobre o tema. Todas as pacientes foram submetidas à avaliação fisioterapêutica individual, com levantamento de dados clínicos, orientações iniciais e definição de conduta. Após essa etapa, foram inseridas em grupos terapêuticos compostos por quatro participantes. Os encontros ocorreram semanalmente, com duração de 60 minutos, ao longo de seis sessões, incluindo registro em prontuário. O protocolo terapêutico contemplou exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico, treinamento muscular específico e técnicas de controle miccional. Na sessão inicial, foi aplicado questionário estruturado contendo seis questões relacionadas ao impacto da incontinência urinária na qualidade de vida, incluindo autorização para uso dos dados para fins científicos. A evolução foi acompanhada por meio de reavaliação clínica e análise quantitativa e qualitativa dos relatos das participantes.
Foram avaliadas 33 pacientes entre março e dezembro de 2025. Todas (100%) relataram perda urinária aos esforços, como tossir, espirrar ou levantar peso, caracterizando incontinência urinária de esforço. Quanto à frequência, 69,7% apresentavam perdas diárias, 18,2% de duas a três vezes por semana e 12,1% uma vez por semana ou menos, evidenciando elevada carga sintomática. Em relação ao impacto funcional, 93,9% referiram interferência negativa nas atividades de vida diária. Além disso, 51,5% deixaram de frequentar ambientes sociais por receio de perda urinária, demonstrando repercussão psicossocial relevante. Observou-se ainda que 63,6% desconheciam a possibilidade de tratamento fisioterapêutico antes do ingresso no programa. Durante as sessões, os relatos indicaram melhora significativa no controle urinário, com redução da frequência e do volume das perdas. Não houve remissão total dos sintomas nas seis sessões, possivelmente devido ao tempo limitado de intervenção. Também foram observados ganhos na qualidade de vida, com aumento da confiança, redução da ansiedade e maior participação social. Os achados reforçam a efetividade da fisioterapia em grupo na atenção básica, com impacto positivo nos sintomas urinários e na qualidade de vida.
No início do tratamento, muitas mulheres viam a incontinência urinária como algo normal, relacionado ao parto ou ao envelhecimento, e tinham dificuldades em acreditar na eficácia do tratamento. No entanto, com a educação contínua e a dedicação das participantes que seguiram o tratamento, foram obtidos resultados altamente positivos. O objetivo de melhorar a qualidade de vida dessas mulheres está sendo alcançado. No entanto, reconhecemos que a continuidade do trabalho, especialmente por meio da educação, acolhimento e orientação, é essencial para que mais mulheres possam se beneficiar desse tipo de tratamento. O atendimento fisioterapêutico em grupo se revelou uma estratégia viável e eficaz para o tratamento da incontinência urinária em mulheres. Além da melhoria dos sintomas, observou-se um impacto positivo na qualidade de vida e na autoestima das participantes. Programas similares podem ser incentivados como uma alternativa acessível e de amplo alcance, oferecendo benefícios tanto físicos quanto emocionais aos pacientes.
incontinência urinária em mulheres; fisioterapia
JANAÍNA CRUZ MARINI, BRUNA FUNÁRI SETTEMBRE, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE