Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A tuberculose continua sendo um grande desafio para a saúde pública global, especialmente no Brasil, onde a alta densidade populacional em áreas urbanas e as desigualdades socioeconômicas aumentam a vulnerabilidade à doença. O diagnóstico precoce é essencial para conter a transmissão e iniciar o tratamento rapidamente. O TRM-TB tem se mostrado uma ferramenta crucial, pois além de detectar o M. tuberculosis, identifica a resistência à rifampicina, principal medicamento contra a TB. Sua capacidade de fornecer resultados em até duas horas revolucionou o atendimento, principalmente para casos graves em unidades de emergência. Dada sua importância na identificação rápida de casos, o TRM-TB foi inicialmente implementado em hospitais que atendem o SUS e depois ampliado para hospitais privados. Quando um paciente internado apresenta suspeita de TB, o hospital coleta a amostra e a envia ao laboratório, onde recebe prioridade máxima. Isso permite uma gestão mais eficiente dos leitos de isolamento, que são recursos escassos. Se o teste for negativo, o paciente pode ser retirado do isolamento, liberando o leito. Se positivo, o resultado é imediatamente comunicado ao Programa de Tuberculose, garantindo o início rápido do tratamento e medidas de controle. Essa abordagem melhora a resposta hospitalar, reduz o tempo de internação desnecessária e fortalece o combate à TB.
Este estudo tem como objetivo principal analisar a frequência de realização do Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB) em pacientes hospitalizados nos serviços públicos e privados de Ribeirão Preto, avaliando a positividade dos resultados para tuberculose nesses pacientes. A pesquisa pretende comparar os dados coletados ao longo do primeiro semestre de cada ano, entre 2020 e 2024, com o intuito de identificar tendências, variações e possíveis diferenças entre os setores público e privado no diagnóstico da tuberculose.
Estudo descritivo, de caráter retrospectivo que foi conduzido no Laboratório Municipal de Ribeirão Preto, focando na análise da frequência de realização do TRM-TB em pacientes hospitalizados nos serviços públicos e privados de Ribeirão Preto, e o índice de positividade encontrado nestes pacientes Os dados foram coletados a partir de planilhas dos registros de exames do Laboratório Municipal, e foram incluídos todos os pacientes que realizaram o teste TMR TB no primeiro semestre do ano para efeito de comparação, nos anos de 2020 a 2024. Os hospitais públicos que atendem a rede SUS em Ribeirão Preto são 04: Hospital Beneficência Portuguesa, Santa Lydia, Santa Casa e Hospital Santa Tereza que atende a pacientes psiquiátricos. E 04 Hospitais que atendem a rede de saúde suplementar: Hospital São Lucas, Hospital São Paulo, Hospital Unimed e Hospital São Francisco. Os hospitais são responsáveis pelo transporte das amostras até o laboratório e as amostras de pacientes internados são prioridade máxima na execução do teste. Os Hospitais que atendem pacientes SUS tem seu registro no sistema eletrônico de saúde do município e os resultados são liberados on line, já para os pacientes dos hospitais privados os laudos são enviados para o médico via e-mail, no máximo 03 horas após a chegada do material no laboratório. São enviados vários tipos de materiais de pacientes internados: escarro, lavado gástrico, lavado traqueal, aspirado traqueal, liquor, urina.
No período estudado, foram realizados 695 testes TRM-TB em pacientes hospitalizados no Laboratório Municipal, com 60 (8,6%) resultados positivos. O número de testes dobrou de 106 no primeiro semestre de 2020 para 219 em 2024. Entre os hospitais públicos, a Santa Casa e a Beneficência Portuguesa lideraram os pedidos, com 147 e 86 testes, respectivamente. Nos hospitais privados, o Hospital Unimed foi o maior solicitante, com 162 testes, enquanto os demais solicitaram 155. No total, 378 testes foram realizados em hospitais públicos, com 49 (13%) positivos, enquanto 317 testes foram feitos em hospitais privados, com apenas 11 (3,5%) positivos. Esses dados refletem a maior vulnerabilidade das populações atendidas pelo SUS, influenciada por fatores como pobreza, desemprego, moradias precárias e maior prevalência de comorbidades como HIV/AIDS, desnutrição e diabetes, que elevam o risco de infecção e progressão da tuberculose. Houve uma tendência de redução na taxa de positividade ao longo dos anos, possivelmente devido ao aprimoramento das estratégias de controle. Nos hospitais públicos, a taxa caiu de 19% em 2020 para 10% em 2024, enquanto nos privados aumentou de 2% para 7%, sugerindo melhora no acesso ao diagnóstico e tratamento nessas instituições. O Programa Municipal de IST/AIDS e Tuberculose, em parceria com o Laboratório Municipal e a Vigilância Epidemiológica, tem adotado medidas para melhorar o diagnóstico e o controle da TB no município.
Este estudo revela importantes diferenças na frequência e positividade do TMR-TB entre pacientes hospitalizados em serviços públicos e privados de Ribeirão Preto ao longo do período de 2020 a 2024. Observou-se um aumento significativo no número de testes realizados, refletindo um aprimoramento nas estratégias de diagnóstico e um esforço contínuo para combater a tuberculose no município. Os resultados indicam uma maior positividade entre os pacientes atendidos em hospitais públicos, o que evidencia a maior vulnerabilidade dessas populações à tuberculose, possivelmente decorrente de fatores socioeconômicos adversos e maior prevalência de comorbidades. Apesar dessa vulnerabilidade, as ações implementadas pelo Programa Municipal de IST/AIDS e Tuberculose, laboratório e vigilância, incluindo a introdução do TRM e o TDO, têm mostrado impacto positivo na detecção precoce e no manejo adequado da doença, contribuindo para a redução das taxas de positividade ao longo dos anos. Este estudo destaca a necessidade contínua de fortalecer as políticas públicas de saúde voltadas para a tuberculose, especialmente no que tange à ampliação do acesso a diagnósticos rápidos e ao tratamento adequado, com atenção especial às populações mais vulneráveis.
tuberculose, tmr, população vulnerável
ELAINE CRISTINA MANINI MINTO, EDUARDO BRAS PERIM, LUIZ BENJAMIN TRIVELLATO FILHO, GISLAINE CARLA BOVO GONÇALVES, GABRIELA INARA ARCARO VICENTINI, MARIA LIDIA MARIN, LARISSA ELIS SILVA CRIVELARI, GABRIEL MARTINS DA COSTA MANSO, HUGO MAISTRELO TORRES LIMA