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O Redenção na Rua desempenha um papel vital na prestação de cuidados de saúde para populações vulneráveis na cena de uso comumente conhecida como “Cracolândia”, no centro de São Paulo. No entanto, além das necessidades de saúde, essa população enfrenta uma variedade de desafios sociais, econômicos e legais que impactam significativamente sua qualidade de vida e bem-estar. Este trabalho busca explorar o papel de nossa equipe na abordagem dessas questões sociais, incluindo demandas familiares, documentações e questões jurídicas. É fundamental entender que as necessidades das pessoas em situação de rua vão além da saúde física. Muitas vezes, essas pessoas enfrentam dificuldades para acessar serviços sociais, resolver questões legais pendentes, restabelecer relações familiares e obter documentações básicas. Com isso, oportuniza-se um aumento do repertório de vida, que pode motivar a ocupação de outros espaços sociais tidos como inacessíveis outrora, possibilitando, assim, a diminuição da permanência em vias públicas e cenas de uso. Também é incentivado o retorno escolar e a inscrição em cursos profissionalizantes, além de promover o acesso a equipamentos de cultura e locais públicos destinados ao lazer. Por conseguinte, desmistificar a representação marginalizada e delituosa que essa população possui no imaginário social.
Ampliar o acesso desses usuários à rede de atenção e ofertar de maneira mais oportuna atenção integral, articulando ações em parceria com a rede intersetorial. Tendo como objetivos específicos: • Analisar as demandas familiares enfrentadas por pessoas em situação de rua e como os consultórios na rua podem auxiliar no processo de fortalecimento de vinculos familiares; • Diminuir as desigualdades e garantir o acesso integral a saúde para essa população, por meio de um conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas; • Matriciar com a rede visando qualificar o atendimento da pessoa em situação de rua nos serviços de saúde do seu território; • Promover escuta qualificada, acolhimento, inserção nos programas sociais e hotéis sociais direcionados para cada perfil familiar; Examinar as questões jurídicas enfrentadas por pessoas em situação de rua e o papel dos consultórios na rua na prestação de suporte e encaminhamentos.
O processo de implantação na prática ocorreu através da observação in loco, no qual foi identificado um número expressivo de pessoas em situação de vulnerabilidade, que eram majoritariamente usuária de substâncias psicoativas e/ou com aparentes sintomas de transtorno mental. A posteriori, foi feito um levantamento dessa população e criado um grupo responsável pelo atendimento e acompanhamento longitudinal dos casos. O apoio jurídico é fornecido para resolver questões legais, garantir o acesso à justiça e assegurar que os direitos das pessoas em situação de rua sejam cumpridos Facilitar o acesso a programas sociais, é uma meta que visa garantir que essas pessoas tenham acesso a benefícios que podem melhorar sua situação. Além disso, a inclusão no mercado de trabalho e oportunidades de educação e capacitação são estratégias que visam aprimorar as habilidades e a autonomia financeira. Olhar essas pessoas e sua historicidade e compreender os seus desejos é o primeiro passo para a inclusão e fortalecimento de vínculos comunitários. Sendo assim, embasados nas intervenções e técnicas; através da abordagem, acolhimento, escuta ativa e qualificada conseguimos nos aproximar da realidade social de cada indivíduo, com o intuito de trabalhar autoconhecimento, fortalecer a autoestima e resgaste da identidade ressignificando seu pertencimento social, proporcionando autonomia do cuidado e empoderamento do sujeito para ser protagonista da sua vida.
O trabalho do Redenção na Rua é uma prática essencial que envolve matriciamento, redução de danos, promoção de autonomia e garantia de direitos. Por meio do matriciamento, a equipe se aproxima de pessoas extremamente vulneráveis, oferecendo cuidados de saúde e assistência social em um ambiente adaptável. A abordagem de redução de danos reconhece a realidade complexa dessas pessoas, buscando mitigar os impactos negativos de seus comportamentos sem julgamentos, promovendo a saúde e a segurança. Ao olharmos para cada sujeito como um universo, possibilitamos criar um plano de tratamento que abranja as necessidades específicas de cada um. Possibilitamos a reinserção de nosso público alvo em espaços de cultura, lazer, educação e justiça, dessa forma, possibilitamos ferramentas que ampliem o repertório de possibilidades para uma reabilitação psicossocial, sendo essa, uma forma de cuidado em saúde integral para uma população invisível e que sofre inúmeros preconceitos devido aos olhares estereotipados. Espera-se que os resultados identifiquem melhores práticas, desafios e áreas de melhoria para orientar intervenções futuras e políticas públicas para a população em situação de rua.
Compreende-se assim como os demais atendimentos na área da saúde possui sua complexidade, o campo de atuação na rua é desafiador. Trata-se de um grupo populacional heterogêneo, determinado, principalmente, pela relação variável entre o tempo na rua e os mais diversos vínculos sociais. Junto a essa população, o acesso aos serviços de saúde se apresenta, de modo geral, com significativos obstáculos para sua efetiva garantia, em especial na atenção básica por ser um grupo tão especifico e diversificado. Conhecer a população que estamos atuando, tal qual nosso território de abrangência, nos auxiliou na identificação das necessidades sociais e complexidades de cada usuário. Entender como se dá seu processo saúde-doença e os motivos que os levaram as ruas é uma condição fundamental para a construção do nosso atendimento, onde o foco do nosso trabalho é garantir os direitos de saúde e assistência em sua totalidade.
Vulnerabilidade, Saúde, Inclusão
Vinicius Augusto Basalia Rodrigues, Andrea Cristina Guerra