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A anticoncepção para mulheres vivendo com HIV se tornou um tema de crescente relevância, especialmente diante dos desafios que essas mulheres enfrentam no planejamento familiar. O uso de métodos contraceptivos para esse grupo exige uma avaliação cuidadosa, pois é necessário garantir que a escolha não interfira no tratamento do HIV ou comprometa a saúde da mulher e de seus filhos. A combinação do HIV com a necessidade de um planejamento reprodutivo seguro demanda abordagens específicas, levando a um olhar mais atento para as opções que atendem a essas exigências de forma eficaz e segura. Nesse contexto, o Implanon se destaca como uma alternativa de longo prazo, que oferece eficácia, discrição e conveniência. No Município de Mairiporã, a introdução do Implanon foi viabilizada por meio de projetos desenvolvidos pelos profissionais de saúde, com o apoio de uma emenda parlamentar que possibilitou a aquisição do dispositivo. Esse financiamento garantiu que o implante fosse disponibilizado na rede pública de saúde, de acordo com os protocolos estabelecidos. O Implanon, ao ser uma opção que não compromete a saúde reprodutiva e a qualidade de vida das mulheres, contribui significativamente para o controle de suas escolhas reprodutivas. Além disso, os avanços no tratamento do HIV, com estratégias para reduzir a transmissão vertical, têm proporcionado maior segurança nas gestantes com HIV, permitindo maior autonomia no planejamento familiar e contribuindo para melhores resultados.
Apresentar o processo de introdução do implante Subdérmico Implanon como um método contraceptivo acessível e eficaz para mulheres vivendo com HIV com HIV no Município de Mairiporã, com foco na acessibilidade ao serviço, além de destacar o impacto positivo no fortalecimento das políticas de saúde.
Este estudo adota uma abordagem descritiva e exploratória e contou com a participação de 32 mulheres com HIV em idade fértil, todas atendidas no Centro de Testagem e Aconselhamento José Ávila Pereira. Durante os atendimentos sobre planejamento familiar, foram identificadas as seguintes características e preferências das participantes: 1 mulher em uso de DIU, 2 relataram que seus companheiros haviam sido vasectomizados e não tinham interesse por métodos contraceptivos, 5 apresentavam histórico de laqueadura, 08 não demonstraram interesse no dispositivo, alegando não ter vida sexual ativa ou já utilizarem outro método contraceptivo, 1 expressou o desejo de ter filhos, 1 relatou contraindicação ao método hormonal (TVP), 1 tinha histórico de ooforectomia e 02 se encontravam no período de menopausa e 11 optaram pela inserção do Implanon. As mulheres que escolheram o Implanon passaram por um aconselhamento sobre os métodos contraceptivos, com foco no dispositivo, abordando aspectos como segurança, eficácia e adequação. Após o preenchimento dos critérios necessários e assinatura do termo de consentimento, foram encaminhadas para a Casa de Atenção à Saúde da Mulher, onde a inserção foi realizada conforme os protocolos estabelecidos. Esse processo garantiu a adequada orientação e suporte para as mulheres que optaram por essa alternativa contraceptiva.
Esperamos que a implementação do implante subdérmico Implanon aumente a acessibilidade a um método contraceptivo eficaz e seguro, proporcionando às mulheres maior autonomia no planejamento familiar. Observamos que 50% das mulheres que optaram pelo dispositivo tinham idades entre 20 e 30 anos, enquanto os outros 50% estavam na faixa etária de 30 a 40 anos. A maioria dessas mulheres já apresentava histórico de gestações anteriores, o que reflete a necessidade de um método contraceptivo eficaz para quem já passou por experiências reprodutivas. A introdução do Implanon pode melhorar significativamente a qualidade de vida dessas mulheres, oferecendo uma alternativa de anticoncepção de longa duração, eficaz e de baixo custo de manutenção, minimizando a necessidade de visitas frequentes a centros de saúde. Além disso, com este trabalho, conseguimos garantir o acesso igualitário a métodos contraceptivos, especialmente para grupos vulneráveis, como as mulheres vivendo com HIV, que frequentemente enfrentam barreiras no acesso aos serviços de saúde e a orientações adequadas. Este projeto assegura que todas as mulheres, independentemente de sua condição de saúde, tenham o direito de planejar o momento mais adequado para ter ou não filhos, proporcionando-lhes o controle sobre suas escolhas reprodutivas. Assim, elas podem conquistar a autonomia necessária para uma vida mais saudável, planejada e sem comprometer sua saúde.
A introdução do implante no serviço público de saúde representa um avanço significativo no planejamento familiar para mulheres, especialmente para aquelas que vivem com o vírus HIV A acessibilidade, segurança e qualidade de vida são fundamentais para o sucesso dessa intervenção. O Implanon, como método contraceptivo de longo prazo, eficaz e discreto, surge como uma opção importante para mulheres que buscam ter controle sobre sua saúde reprodutiva sem comprometer o manejo do HIV. Esse método se destaca pela facilidade de uso, duração prolongada e alta eficácia, sendo uma alternativa importante para aquelas que enfrentam desafios de acesso ou receio com outros métodos. Este trabalho visa, além de demonstrar a eficácia do Implanon, promover uma reflexão sobre a necessidade de políticas públicas mais inclusivas, que atendam de forma sensível e adequada às necessidades das mulheres vivendo com HIV. O sucesso da implementação desse método pode servir como um modelo para o aprimoramento das estratégias de saúde pública, garantindo que todas as mulheres, independentemente de sua condição de saúde, tenham acesso a opções contraceptivas seguras e de qualidade. Assim, contribui-se para um planejamento familiar mais justo, acessível e eficaz.
Mulheres vivendo com HIV-Implante-acessibilidade
CAROLINE FERRAZ CARLIN, PATRÍCIA MAIA CIPOLLARI, RAPHAEL APARECIDO DE SOUZA, FABIANA SOUSA DE JESUS RIBEIRO