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A necessidade de aprimoramento e constante atualização dos trabalhadores da saúde é uma área que requer empenho e muita dedicação dos gestores. Este é um tema discutido com muita frequência, porém as altas demandas por atendimento traz dificuldade aos gestores em reservar aos funcionários um momento de educação permanente, além da dificuldade de encontrar métodos educativos que atinjam com eficácia a equipe multiprofissional. O Ministério da Saúde aprovou em 2003 a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (EPS) que propõe que os processos de educação dos trabalhadores da saúde se façam a partir da problematização do processo de trabalho e ressaltou que as demandas por mudanças e melhorias devem ser baseadas na análise do processo de trabalho, nos seus problemas e desafios. Em meados de 2017 a coordenação da Atenção Primária do município de Lençóis Paulista percebeu que os profissionais de unidades de saúde do mesmo município, porém em regiões diferentes, apresentavam divergências nas orientações referente a saúde e até mesmo nas técnicas realizadas, percebendo a necessidade de aprimoramento dos profissionais com o objetivo de promover o desenvolvimento do processo de trabalho, otimizar o atendimento, trazer qualidade nos atendimentos prestados à população implantou a Educação Permanente (EP) para auxiliarers, técnicos de enferagem e Enfermeiros dentro do calendário anual de ações da secretaria municipal de saúde.
Objetivo geral: Padronizar o processo de trabalho e atualizar os servidores em relação a novos parâmetros e técnicas em saúde. Objetivos específicos: promover o desenvolvimento do processo de trabalho, otimizar o atendimento, trazer qualidade nos atendimentos prestados à população
Ao iniciar o planejamento da EP optamos por escolher um grupo de trabalhadores, e selecionamos a enfermagem por ser estar ligado ao primeiro e último atendimento do cliente, o que influencia na qualidade das informações prestadas e é fundamental para o processo de trabalho. Aplicamos uma pesquisa para entender quais temas eram de interesse dos servidores, e buscamos observar quais os erros mais frequentes. A partir de então levamos a proposta para o gestor, maior dificuldade encontrada foi ajustar data e horários que não fossem atrapalhar a rotina de trabalho e a rotina pessoal de cada funcionário. Chegamos ao consenso que dividiríamos em duas turmas quinzenais, as reuniões seriam uma hora antes do término do expediente, pois o fluxo é menor e os funcionários que ficam na unidade conseguiriam dar conta da demanda, caso fosse necessário prorrogar a duração da educação permanente considerariamos como hora extra podendo ser descontado em outro dia ou pago em pecúnia a critério do funcionário. Montamos um calendário anual de EP desde o ano de 2017, no ano de 2025 ampliamos este calendário para outros grupos de trabalhadores, como medicos, auxiliar de serviços de limpeza, agente comunitário de saúde.
No incio tivemos muita dificuldade na presença dos profissionais, os enfermeiros que são os responsáveis por cada equipe, alegavam não póder dispor do trabalhador naquele horario devido a demanda de trabalho. Em contrapartida o trabalhador alegava que fora do horario de trabalho não era possível participar desta atividade por compromissos particulares. Fomos ajustando as datas e horarios, e realizamos uma capacitação junto aos enfermeiros e explanamos as iatrogenias cometidas, a responsabilização do processo de trabalho que é compartilhada, além da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Aos poucos com conscientização conseguimos aumentar a participação. Os resultados foram evidentes, a melhora na comunicação, processos de trabalhos concisos e eficientes, as duvidas e dificuldades são dirimidas nas aulas e abrimos espaço apra que os servidores se manisfestem em relaçao aos seus anseios e dificuldades no trabalho. Hoje conseguimos a participação de todos os servidores na EP, as aulas são ministradas por outros colaboradores da saúde, além de convidados que graciosamente colaboram com a formação destes profisionais. Ampliamos a EPS para outros grupos de trabalhadores, médicos, Agentes comunitários de saúde e auxiliares de limpeza.
A abordagem interprofissional na EPS é essencial para praticas seguras, para uma comunicação eficiente entre equipes distintas que atuam na mesma cidade, como resultado final temos mais qualidade no atendimento ao publico. A implantaçao da EPS é um desafio para qualquer gestor, muitas são as dificuldades, o primeiro passo é o reconhecimento da equipe e gestores sobre a importância da EPS na melhora do cuidado dos usuários do serviço de saúde, outro passo importante é o apoio da gestão e a persistência dos profissionais. Os resultados ocorrem a médio longo prazo, porém são duradouros e fortalecem a pratica profisional, traz confiança e integração para a equipe que passará a atuar com segurança. O desafio é romper com a fragmentação do processo de EPS em busca da implementação da PNEPS, que a EPS não fique sujeita as mudanças de governo. Sugere-se afinar a concepção da educação permanente com os trabalhadores e, principalmente, gestores da saúde para que esse processo seja continuo e faça parte da policitca de saúde do municipio visto que a EPS é considerada pelo Ministério da Saúde como a mola propulsora do sistema.
Educação permanente em saúde, atenção primária.
SANDRA ESTER ALVES