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Diadema é um município na região metropolitana do Estado de São Paulo e compõe a região do Grande ABCDMRR. Segundo o censo do IBGE de 2022 tem população 393.237 habitantes. Conta com uma rede de saúde para o cuidado de crianças e adolescentes composta por 20 Unidades Básicas de Saúde, com 100% de cobertura de equipes de saúde da família e um Centro de Atenção Psicossocial II Infanto Juvenil – CAPS IJ e Centro Especializado em reabilitação II- CER (físico e auditivo). Para o atendimento das crianças com deficiência intelectual foi realizado um convênio com a APAE do município. Visto os anos de Pandemia de Covid-19, impondo o isolamento social e potencializando as vulnerabilidades sociais, houve um aumento na procura pelos serviços de saúde (Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil e Unidades Básica de Saúde) por famílias com queixas de atraso no desenvolvimento das pequenas crianças, em especial de 0 a 6 anos. Além das equipe de saúde da família identificarem crianças ainda em isolamento em casa, especialmente, por dificuldades relacionais (agitações, auto e heteroagressividade, não verbais, questões com alimentação, entre outras questões). Com o retorno das aulas, essas questões ficaram em evidência à comunidade escolar que reforçou os encaminhamentos à saúde. A busca pelo tratamento estava focada em diagnosticar esse sofrimento, correndo o risco de patologizar e medicalizar a infância e todo esse processo sem levar em consideração os impactos da Pandemia.
Reorganização da rede para atender o aumento da demanda a partir dos princípios do SUS (integralidade, longitudinalidade e equidade), da Reforma Psiquiátrica e da Humanização.
Inicialmente foi feito um diagnóstico situacional, identificando a demanda e os serviços envolvidos neste atendimento, além das fragilidades e potencialidades da rede, tanto técnica quanto estrutural. O CAPS IJ sempre foi a referência de cuidado para as crianças com TEA no município e neste momento ele se encontrava superlotado, acolhendo a todos que procuravam o serviço, porém sem poder ofertar o tratamento necessário. Também não cumpria seu papel de ofertar apoio às UBS com ações de matriciamentos e atendimentos compartilhados. As UBS vinham individualmente respondendo a esta demanda sem uma política instituída. O CER do município por ser II e atender apenas as questões relacionadas às deficiências física e auditiva não poderia se tornar a referência para o atendimento das pessoas com TEA. Foi constituído um Grupo técnico, composto por gestores e profissionais da saúde para finalizar o diagnóstico e traças os caminhos: • restruturação e recomposição das equipes multiprofissionais da Atenção Básica (Número e ampliação de categorias profissionais). • Reorganização dos fluxos internos dos serviços envolvidos e articulação entre eles (UBS e CAPS IJ); • Formação para as equipes, em especial dos profissionais da Atenção básica (essa reestruturação encontrou diálogo com o grupo regional da rede da pessoa com deficiência que vinha discutindo o aumento da demanda de atendimento às crianças com TEA e a necessidade de formação as equipes de saúde, focando na Atenção Básica)
Os processos de trabalho para o cuidado as crianças nas Unidades Básica de Saúde foram revistos e fortalecidos com a formação sobre desenvolvimento infantil. A equipe está preparada para detectar e intervir precocemente quando algum risco para o desenvolvimento for identificado, assim como ofertar cuidado às crianças com Hipótese Diagnóstica de Transtorno do Espectro Austista com nível de suporte 1. Na medida em que a Atenção Básica começou a ofertar cuidado a crinças com TEA (detecção, intervenção e acolhimento as famílias), o CAPS IJ pode reorganizar seus processos de trabalho, mantendo o acolhimento e as intervenções às crianças e suas famílias com TEA nível de suporte 2 e 3. Compreender que cuidar de uma criança implica essencialmente em acolher e orientar os pais reorganizou os processos de trabalho com grupos para pais tanto nas UBS como no CAPS IJ.
A implantação da linha de cuidado ainda está em processo, alguns desafios ainda se colocam, como a contratação de profissionais. Há uma alta demanda no mercado por profissionais habilitados ao cuidado de criança com algum atraso no desenvolvimento, dificultando a composição das equipes ou a manutenção das mesmas. Outro desafio, é a articulação intersetorial, em especial com a educação. Pensar a saúde das crianças é construir uma sociedade capaz de recebê-la em sua diversidade
autismo, saúde mental , pandemia covid-19
Maria Luiza Malatesta, Analdeci Moreira dos Santos, Viviane Patricia Silva de Souza, Denise Miyamoto de Oliveira, Maria Luiza Malatesta, Ozenira Silva, Nancy Yasuda