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A Cidade de Ubatuba não dispunha da Linha de Cuidado do Idoso, ao desencontro da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), sobrecarregando a atenção secundária e terciária, e consequentemente, “alimentando” um cuidado fragmentado, o envelhecimento heterogêneo, a estigmatização e a invisibilidade do idoso. A proposta de construção desta Linha de Cuidado foi viabilizada pelo Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), com apresentação aos gestores da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) a sua importância para melhoria de indicadores, racionalização de custos, melhoria da qualidade na assistência prestada aos idosos, assim como, a prevenção de agravos. Das 26 equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF) no Município, iniciamos um projeto piloto com quatro equipes. Tais ESFs foram escolhidas em razão ao número de idosos adscritos no território e considerando as características da equipe, como o número de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e profissionais pró ativos. Assim, em abril de 2023, iniciamos o matriciamento das Unidades escolhidas, sobre a utilização da Caderneta do Idoso como instrumento de gestão na classificação do perfil funcional (avaliação multidimensional- AMD). E através do Prontuário Eletrônico verificou-se se cada ESF conseguia mapear sua população idosa, avaliando e classificando ao menos 20% deste público específico.
Melhorar a qualidade da assistência prestada ao Idoso, assim como, a prevenção de agravos (incluindo a prevenção quaternária) e promoção da Saúde. Gerar dados para a melhoria de indicadores através do mapeamento fidedigno da população idosa. Compreender a AMD como instrumento de gestão e implantar seu registro nos sistemas de Informações ( ex: PEC). Trabalhar a Saúde da pessoa Idosa e a AMD através da utilização da Caderneta do Idoso para classificação do perfil funcional e elaboração de Projeto Terapêutico Singular (PTS); além de aprimorar outros conteúdos como prevenção quaternária, autocuidado apoiado, cuidados paliativos e reabilitação.
O passo a passo se deu da seguinte forma: 1 – sensibilização dos gestores, e criação de plano de ação (utilização da escala de gestão – 5W2H). 2- Seleção de quatro Unidades de ESF para desenvolvimento do projeto. 3- Especificar atores de apoio ao projeto com participação da Equipe e-Multi. 4- Matriciamento destas ESF, incluindo a Equipe e-Multi, através de metodologias ativa e de problematização, para a utilização da Caderneta do idoso (promoção da Educação Permanente). 5- Uti_x0002_lização de aplicativos como “Saúde da Pessoa Idosa” na UNA-SUS (VES 13) e principalmente do aplicativo “IVCF -20” para auxiliar na classificação do perfil funcional do idoso. Cada ESF, no prazo de 60 dias, deveria mapear e classificar 20% ( no mínimo) de sua população idosa. 6- Reunião com Gestores e RAS, após o prazo de 60 dias, para devolutiva da implantação da Caderneta do Idoso, discutindo reajustes, e explanação de dados, por meio de analise descritiva.
As Equipes aderiram mas tiveram dificuldades em apropriar-se da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa devido ao desfalque em RH durante a implementação: alta rotatividade de Médicos e Enfermeiros nas Unidades. Das quatro ESF escolhidas, duas não registraram a AMD nos sistemas de Informação (PEC), uma compreendeu a importância da Caderneta para classificação e mapeamento do perfil funcional dos idosos ( a enfermeira responsável pela Unidade verbalizou tal compreensão durante a reunião de devolutiva), mas não conseguiu apresentar este mapeamento em números. Profissionais de uma unidade problematizaram a relação de tempo de preenchimento da Ca_x0002_derneta em visita domiciliar, com as metas exigidas pela Gestão em relação aos demais indicadores. Em suma, nenhuma Unidade conseguiu apresentar o mapeamento do perfil funcional dos idosos do território, apenas aplicaram a caderneta. Ou seja, a adesão não significou a compreensão da AMD do idoso como instrumento de gestão do trabalho.
Até experiências que não se mostraram exitosas, nos apontam os caminhos para o êxito: as causas que apontamos nestes contexto foram: o trabalho foi desenvolvido em meio a troca de gestão da SMS, déficit de Recursos Humanos em algumas unidades. O trabalho teve êxito em comprovar que a ausência de diagnostico situacional, e mapeamen- to do perfil dos idosos, impossibilitam a pactuação intersetorial de competências e responsabilida_x0002_des, definição de fluxos e parcerias com outros setores. Constatou-se que a gestão tem papel decisório no êxito da implementação da AMD, as equipes pilotos seguem em ação e, de acordo com esses resultados, a planificação para as demais unidades consta como prioridade para 2024, com o NEPS reorganizando os fluxos de trabalho para o fortalecimento da universalização e equidade do SUS.
Saúde do Idoso, linha de cuidado
Amália Rocha Barros Vieira, Maria Olivia Pimentel Samersla, Paulo Geovani Almeida