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Desde 2016, Itaquaquecetuba enfrenta a expansão urbana da esporotricose, inicialmente evidenciada pelo aumento de casos felinos. Entre 2016 e 2025 foram atendidos 1.147 felinos, com 834 confirmações laboratoriais e 21 cães positivos. Os animais diagnosticados recebem acompanhamento clínico contínuo pelos médicos-veterinários do Departamento de Zoonoses até a alta, com fornecimento gratuito do tratamento pelo município, garantindo controle sanitário da fonte de infecção. Durante o manejo veterinário identificaram-se 86 pessoas com lesões sugestivas entre 2016 e 2024; entretanto, a inexistência de notificação compulsória mantinha a doença invisibilizada no sistema oficial. Os casos humanos eram encaminhados ao Instituto de Infectologia Emílio Ribas, evidenciando fragmentação assistencial e dependência externa. Com a obrigatoriedade da notificação em 2025, a gestão municipal estruturou resposta integrada no âmbito do Sistema Único de Saúde local, instituindo linha de cuidado humano-animal sob a perspectiva da Saúde Única, com descentralização do tratamento e fortalecimento da vigilância territorial.
Consolidar autonomia municipal no enfrentamento da esporotricose por meio da implantação de linha de cuidado integrada, garantindo diagnóstico oportuno, tratamento gratuito no território e vigilância qualificada. Estruturar fluxo oficial de notificação, organizar assistência farmacêutica descentralizada, integrar Atenção Primária e Zoonoses como eixos estratégicos da resposta sanitária e fortalecer governança intersetorial permanente sob a lógica da Saúde Única.
A gestão instituiu grupo técnico multiprofissional envolvendo Vigilância Epidemiológica, Vigilância em Zoonoses, Atenção Primária, Atenção Especializada e Assistência Farmacêutica, consolidando governança intersetorial permanente. Elaborou-se protocolo municipal baseado em evidências científicas e diretrizes estaduais. Com apoio técnico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, médicos e enfermeiros da rede básica foram capacitados para diagnóstico e manejo clínico. Implantou-se fluxo oficial de notificação no SINAN e organizou-se a dispensação descentralizada de itraconazol para casos humanos. No âmbito animal, manteve-se atendimento clínico especializado na Zoonoses, com acompanhamento veterinário até alta e fornecimento gratuito do tratamento aos munícipes, assegurando controle da fonte de infecção. Agentes Comunitários de Saúde foram capacitados para identificação precoce de casos humanos e animais, articulando agendamento direcionado de castrações nas áreas da Estratégia Saúde da Família como medida estruturante de mitigação da transmissão.
Em 2025 foram notificados 66 casos humanos em acompanhamento e tratamento no próprio município, consolidando autonomia assistencial e superando a dependência externa. Observou-se diagnóstico mais precoce, qualificação da notificação compulsória e fortalecimento da integração entre vigilância, Atenção Primária e Zoonoses. A descentralização reduziu barreiras de acesso e favoreceu adesão terapêutica. O acompanhamento veterinário até alta clínica, aliado à oferta municipal do tratamento animal, fortaleceu o controle da cadeia de transmissão e ampliou a adesão dos munícipes às medidas sanitárias. A atuação territorial ampliou educação em saúde e identificação ativa de casos. O aumento das notificações em 2025 evidencia correção de subnotificação histórica, tornando visível problema sanitário previamente disperso e não sistematizado no território.
A implantação da linha de cuidado integrada representou transformação estrutural na organização da resposta municipal à esporotricose, superando fragmentação assistencial e invisibilidade epidemiológica. A articulação entre acompanhamento veterinário até alta clínica, oferta pública de tratamento animal e assistência humana descentralizada consolidou a integralidade do cuidado sob a perspectiva da Saúde Única. A experiência reafirma o papel estratégico da Vigilância em Saúde como articuladora da rede e demonstra que decisões de gestão baseadas em evidências e integração intersetorial ampliam a capacidade do SUS municipal de responder com equidade, resolutividade e autonomia frente às zoonoses urbanas emergentes, apresentando elevado potencial de replicabilidade.
Esporotricose,Saúde Única, SUS,Vigilância em saúde
DAYAN DE BARROS MARTINS, VINICIUS SUEHIRO TSUTSUI, ELIANE RODRIGUES PADOVAN DE QUEIROZ, MIRTES LUCIA MONTEIRO, ANGÉLICA ROCHA DE MACEDO