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O presente relato de experiência tem como foco a implantação da Musicoterapia no Sistema Único de Saúde(SUS) do município de Guarulhos, especificamente no Centro Multiprofissional de Práticas Integrativas e Complementares da Saúde Fracalanza (CEMPICS). A iniciativa ocorreu em 2019, seguindo as diretrizes ministeriais da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), conforme estabelecido pela Portaria GM/MS nº 971, de 03 de maio de 2006, e complementado pela Portaria GM/MS nº 849, de 27 de março de 2017, que incluiu a Musicoterapia no rol de procedimentos do SUS. “Musicoterapia é um campo de conhecimento que estuda os efeitos da música e da utilização de experiências musicais, resultantes do encontro entre o (a) Musicoterapeuta e as pessoas assistidas. Sua prática objetiva favorecer o aumento das possibilidades de existir e agir seja no trabalho individual, com grupos, nas comunidades, organizações, instituições de saúde e sociedade, nos âmbitos da promoção, prevenção, reabilitação da saúde e de transformação de contextos sociais e comunitários”(UBAM,2018). No Brasil,1971,Rio de Janeiro, iniciou a primeira Graduação de quatro anos de Musicoterapia e o primeiro Curso de Especialização em Musicoterapia dentro da Licenciatura em Música, no Paraná. Atualmente, está regulamentada como profissão pela Lei nº14.842 de 11 de Abril de 2024, sendo exercida exclusivamente por MUSICOTERAPEUTA Graduado ou Pós-Graduado.
O objetivo deste relato é documentar a experiência da implantação da Musicoterapia no SUS do município de Guarulhos, no CEMPICS, observando sua contribuição para promoção, prevenção de agravos, recuperação da saúde, considerando o contexto biopsicossocial, cultural e espiritual, apoiado por uma Linha de Cuidado estruturada. Compreende a Entrada dos usuários no serviço por encaminhamento dos pontos de atenção em saúde ou por demanda espontânea; Agendamento para a Escuta Qualificada Inicial(técnicos de referência) que direcionam o usuário conforme suas necessidades e parâmetros estabelecidos e Escuta Qualificada Sonora com a Musicoterapeuta, que avalia, indica e traça um Plano Terapêutico, podendo ser individual ou Grupal(Agendamento). Outra finalidade a registrar é o de inspirar a coautora, Médica Residente em Estratégia da Saúde da Família que, atualmente, se encontra em estágio longitudinal na Musicoterapia, a mensurar o processo Terapêutico em sua eficácia, eficiência e efetividade.
Trata-se de uma análise de dados quantitativos(Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS-SIA/SUS-Ministério da Saúde/Relatório do SISS-Sistema Inteligente de Serviços da Saúde-Prefeitura de Guarulhos) e qualitativos obtidos de registros da autora, em prontuários(físico e eletrônico), respeitando princípios éticos e confidenciais, baseados em sua vivência como única Médica e Musicoterapeuta atuante no SUS do município de Guarulhos e do Alto Tietê, no período de maio de 2019 a setembro de 2025. Foram incluídos dados extraídos do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), realizado na pós-graduação em Musicoterapia Preventiva e Social pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (CPPGFMU), documentando o processo inicial da implantação da prática. Atualmente, os atendimentos em Musicoterapia são destinados ao público maior de 14 anos a 80 e mais, consistindo em um processo terapêutico com ciclo de 10 sessões, podendo repetir-se ao final dele, conforme a necessidade e desejo do paciente. As sessões envolvem Escuta Ativa acolhedora, Vínculo, Música Receptiva, Instrumentos Musicais, Taças Tibetanas e de Peter Hess(Massagem Sonora), Mesa Lira e Diapasões. Em cada encontro, o terapeuta registra as queixas apresentadas pelo paciente, sua evolução desde o início do tratamento e as impressões relatadas por ele no início e final de cada sessão.
Os resultados analisados, de maio de 2019 a setembro de 2025, quantitativos e qualitativos, envolveram: Gestão da agenda, registrando 2.165 atendimentos em Musicoterapia, revelando expansão do serviço. 2019, média mensal de 27,29 atendimentos(Sessão Grupo/demanda espontânea); 2020 a 2022,durante pandemia, Covid-19,sob orientações da Secretaria da Saúde, atendimentos presenciais continuaram, com médias mensais de atendimento de 13,11, 19,45 e 33,36 e absenteísmo de 15,40%, 10,00% e 15,60%, (abaixo do esperado-25%),comprovando a eficácia e efetividade da Musicoterapia(Sessão Individual/Grupo); 2023, média mensal de atendimentos de 25,92 e absenteísmo de 11,40%(Sessão Individual/Grupo); Em 2024 e 2025, as médias mensais subiram para 48,33 e 42,67 atendimentos e absenteísmo de 15,74% e 20,33%(Sessão Individual/Grupo). Acolhimento: A Musicoterapia demonstrou esta capacidade em diferentes vulnerabilidades: Ansiedade, Depressão, Síndrome do Pânico, Dores agudas e crônicas, Limitações de movimento, Luto, Paralisia Cerebral, Parkinson, Alzheimer, Asma e Hipertensão Arterial. Resultou em melhora na expressão emocional, aumento da autoestima, autonomia e percepção de bem-estar geral e criação de vínculo terapêutico. Escuta acolhedora, olhar integral e aplicação adequada das técnicas de uso do som e da música como ferramentas terapêuticas, foram essenciais no processo, contribuindo para o empoderamento, desenvolvimento da criatividade e, consequentemente, o autoconhecimento.
O referido relato, demonstrou o benefício real da Musicoterapia na promoção, prevenção de agravos e recuperação da saúde, melhorando a qualidade de vida, em seu contexto biopsicossocial, cultural e espiritual. A postura e atitude de acolher, escutar com qualidade, desenvolver vínculo terapêutico e pactuar respostas mais adequadas com os usuários, implica em prestar um atendimento com resolutividade e corresponsabilização. Com elementos sonoros, expressão musical, verbal e corporal, que são ponto de partida para ação musicoterápica, ressignificando o ser humano em sua plenitude e potencialidade, de maneira integral e integrada, esse diálogo sonoro, inspira e permiti que vozes ecoem suas angústias e sofrimentos(motores, cognitivos e afetivos), objetivando a transgredir de uma situação, às vezes impostas, para um resgate da autonomia com dignidade. Segundo Kenneth E. Bruscia (2016), as intervenções Musicoterápicas são únicas e centrada no som(produção e recepção de sons musicais e/ou vibrações),na beleza e na criatividade. Diferenciam-se de outras modalidades devido a sua confiança na experiência musical como um agente, meio e efeito da transformação.
Musicoterapia; Prevenção; Acolhimento; Promoção
TELMA DE MOURA REIS, LARA RENATA FERREIRA CANTO