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A Terapia Comunitária Integrativa (TCI) é uma metodologia criada pelo Dr. Adalberto de Paula Barreto e foi instituída como uma das PICS em março 2017 (portaria 849/2017). É um espaço onde as pessoas se reúnem para compartilhar experiências, estratégias de superação e enfretamento de problemas emocionais e existenciais e também os aspectos positivos e projetos de vida. Os encontros acontecem preferencialmente uma vez por semana, tem duração de 60 a 90 minutos e desenvolve-se em etapas, a saber: Acolhimento, Identificação/Escolha do tema, Contextualização, Problematização, Rituais de agregação e Conotação positiva e Avaliação. Também temos algumas regras, que devem ser seguidas: O silêncio, como respeito a fala do outro; falar sempre na 1ª pessoa do singular, falar da própria experiência; não dar conselhos, não fazer discursos ou sermões e não julgar; os participantes podem sugerir uma música lembrar um provérbio e contar uma piada que esteja dentro do contexto. Os Centros de Convivência e Cooperativa são serviços de saúde que compõem o eixo de atenção básica da Rede de Atenção Psicossocial, sendo um equipamento aberto a toda população. O CECCO Jaçanã/Tremembé tem uma peculiaridade, a maioria dos frequentadores são pessoas em sofrimento psíquico, associado a déficit intelectual, o que dificulta a compreensão e assimilação das regras da TCI. Considerando essas dificuldades, houve a necessidade de se adaptar o formato da metodologia da TCI.
Incluir os usuários frequentadores do equipamento nas rodas de terapia comunitária integrativa, acolhendo e respeitando as suas especificidades, independente da condição física, da educação, do gênero, da orientação sexual, da etnia, entre outros aspectos, permitindo assim que todos tenham o direito de se integrar e participar das rodas. OBJETIVOS ESPECÍFICOS – Adaptar a metodologia da Terapia Comunitária Integrativa para atendimento das necessidades e especificidades da população frequentadora do equipamento de saúde; – Proporcionar um ambiente acolhedor, para que os frequentadores se sintam seguros para expressar seus sentimentos e emoções, promovendo o bem-estar mental e emocional, no qual a pessoa se sinta verdadeiramente bem-vinda e amparada; – Trazer temas que trabalhem a educação em saúde, promoção e prevenção de doenças, de acordo com a realidade local e as necessidades dos frequentadores.
Os frequentadores são recebidos geralmente com uma música da terapia comunitária, para criar um clima de companheirismo no grupo. No início da reunião seguimos as etapas da terapia comunitária, que são:1) Boas-Vindas 2) Explicamos: O que é a terapia e as regras da TCI e o Terapeuta Comunitário, geralmente utiliza de 02 provérbios da TCI “ Quando a boca cala, o corpo fala, quando a boca fala, o corpo sara” ou Quem guarda, azeda, quando azeda , estoura, e quando estoura, fede” na etapa 3) Escolha do tema e identificação, houve a Adaptação da metodologia da TCI, pois os frequentadores tinham dificuldade de levantar seus problemas, os problemas se repetiam ou as pessoas falavam de problemas de outros ao invés dos próprios . Passou-se a trazer temas pré-definidos para que a discussão se desenvolvesse, seja resgatando um relato anterior dos usuários ou elegendo algum assunto do calendário, tipo carnaval e temas das campanhas de saúde, ou ainda algum acontecimento impactante (falecimento de algum parente), com a próxima etapa de fechamento que é o Ritual de agregação, Conotação positiva e Avaliação, não tivemos dificuldades. Ao contrário é o auge da TCI, onde os participantes ficam de pé, formando um círculo com os braços nos ombros ou com as mãos dadas e é realizado o Ritual de agregação. Agradecemos a participação de todos e pedimos para que digam: O que vocês estão levando deste encontro de hoje? Nesse momento muitos trazem uma música, poesia ou cânticos reli
Apesar das dificuldades encontradas, houve uma excelente aderência dos participantes, que se fidelizaram à prática. As etapas às quais mais se identificaram prontamente foi principalmente com as músicas utilizadas na Introdução no momento das Boas-Vindas e o encerramento quando é servido o café ou chá facilitando a socialização, fortalecimento de vínculos, amizade e descoberta de outros lugares para frequentar como uma rede apoio. Um exemplo ocorrido com a usuária L.M.T, que sempre foi conduzida pelos cuidados da mãe, e após iniciar sua participação, mostrou suas próprias opiniões e mostrou-se mais expressiva e falante, com certa melhora em sua autonomia. Também foi possível observar melhora no respeito às regras da TCI. Outra ferramenta muito importante na TCI é a escuta ativa, que pode ser chamada de comunicação generosa. Observamos que o fato de uma pessoa se colocar para conversar com a outra e prestar atenção na sua fala, demonstrando interesse, tem trazido grandes benefícios como confiança, aumento da autoestima, mais alegria e abertura para intervenções. O fato de as cadeiras estarem colocadas em círculo no momento das rodas também possibilita nos vermos como um todo, ali todos são iguais, ninguém é mais importante o que possibilita o protagonismo e o pertencimento.
Consideramos que a Terapia Comunitária Integrativa trouxe muitos benefícios aos participantes, embora tenha necessitado de algumas adaptações para seu melhor aproveitamento junto aos nossos frequentadores. Tais adaptações são previstas na TCI (como sugestão de um tema), embora não sejam muito usuais na maioria das situações, mas que se mostraram muito produtivas para as rodas realizadas neste serviço. Acreditamos que vale a pena a formação e aplicação dessa tecnologia (TCI) em outros locais, pois uma é técnica muito maleável, e traz os usuários como protagonistas na resolução de seus problemas. Ao mesmo tempo, a sensação de ajudar aos outros também é terapêutica, e todos ganham. Também sentimos que a prática aproxima muito as pessoas, que podem então se tornar mais tolerantes às diferenças, aproximando-as e fortalecendo os vínculos. Ainda há muito espaço para observações, mas já é possível afirmar que houve muito êxito em implantar a metodologia da TCI no CECCO.
CECCO intergrativas
MARLI ALVES SANTANA BARROSO, BRUNO MURILO GREGHY