Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A dengue representa um importante problema de saúde pública para o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em municípios de médio e grande porte, como São José do Rio Preto -SP, que apresenta histórico recorrente de epidemias. A elevada infestação do Aedes aegypti está diretamente relacionada à presença de criadouros domiciliares, muitos deles encontrados em residências de pessoas idosas, onde há maior dificuldade de acesso, resistência à eliminação de recipientes e menor adesão às orientações de controle vetorial. Nesse contexto, a Estratégia de Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL) foi adotada como uma alternativa inovadora e complementar às ações convencionais de controle vetorial, com o objetivo de superar limitações relacionadas à conscientização da população e à eliminação manual de criadouros. A experiência foi desenvolvida no município de São José do Rio Preto a partir de janeiro de 2025, um dos pioneiros do Estado de São Paulo nesta tecnologia, considerando um cenário epidêmico de dengue, abrangendo as 29 áreas de atuação da Atenção Primária à Saúde (APS). Participaram da iniciativa profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE). A população beneficiada incluiu moradores de áreas prioritárias, com destaque para grupos em situação de maior vulnerabilidade, como a população idosa.
A implantação das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL) no município de São José do Rio Preto – SP configura-se como uma ação complementar às medidas convencionais de controle das arboviroses, com foco na redução da população do Aedes aegypti. Essa estratégia visa potencializar o controle vetorial por meio da disseminação dirigida de larvicida, contribuindo para a diminuição da infestação do mosquito e, consequentemente, para a redução da incidência de casos de dengue no ano de 2025.
A implantação das EDLs foi viabilizada por meio de parceria institucional entre a Secretaria Municipal de Saúde de São José do Rio Preto, o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O Ministério da Saúde foi responsável pelo financiamento e fornecimento de 6.000 EDLs, enquanto a Fiocruz ofereceu suporte técnico especializado, incluindo orientação metodológica, capacitação das equipes e acompanhamento da implantação da estratégia no território. Inicialmente, realizou-se uma análise geoespacial dos casos confirmados de dengue registrados no ano de 2024, possibilitando a identificação de áreas prioritárias (hotspots) nas 29 áreas de abrangência do município. Essa análise subsidiou o planejamento territorial e a alocação estratégica das EDLs, direcionando a intervenção para locais com maior risco epidemiológico. Os ACS e ACE foram previamente capacitados para a instalação, monitoramento, manutenção e avaliação das EDLs, garantindo a padronização dos procedimentos e a efetividade da estratégia. A implantação ocorreu em duas etapas distintas: a primeira contemplou a instalação de 3.000 EDLs em territórios com maior incidência de casos de dengue; a segunda etapa consistiu na instalação de outras 3.000 EDLs em áreas com menor incidência, ampliando a cobertura territorial da ação. As instalações tiveram início no final de janeiro de 2025 e foram concluídas em junho de 2025.
A implantação das EDLs, integrada às estratégias convencionais de controle vetorial, contribuiu de forma significativa para a redução da densidade do Aedes aegypti e da incidência de casos de dengue em São José do Rio Preto. No período entre janeiro e maio de 2025, observou-se redução de 95% na taxa de positividade para dengue. Os indicadores entomológicos também apresentaram queda expressiva, com o Índice Predial (IP) reduzido de 6,2 para 2,4 e o Índice de Breteau (IB) de 8,6 para 2,8, evidenciando diminuição consistente da infestação vetorial nos territórios contemplados. A Estratégia seguiu critérios estratégicos de distribuição garantindo cobertura adequada em diferentes tipos de domicílios e áreas do município, incluindo territórios com maior vulnerabilidade social e residências de pessoas idosas, nos quais a eliminação manual de criadouros apresenta maior dificuldade. Além disso, a experiência promoveu fortalecimento da integração entre a Vigilância em Saúde e a APS, favorecendo maior articulação das ações de campo, otimização do monitoramento e ampliação da capacidade de resposta municipal frente às arboviroses. A combinação de cobertura estratégica das EDLs, monitoramento entomológico e integração institucional evidencia a relevância dessa intervenção como ferramenta técnica complementar para o controle da dengue no município.
A experiência de implantação das EDLs em São José do Rio Preto demonstrou que a estratégia é uma ferramenta promissora no enfrentamento da dengue e outras arboviroses. A significativa redução da densidade vetorial e dos casos notificados evidencia o potencial das EDLs como complemento às ações tradicionais de controle do Aedes aegypti. A articulação interinstitucional, integração entre Vigilância em Saúde e APS, o planejamento técnico baseado em georreferenciamento e a capacitação das equipes foram fatores determinantes para o sucesso da intervenção. A estratégia foi avaliada como uma intervenção inovadora para o controle da dengue no âmbito da gestão municipal, considerando que as abordagens tradicionais já não eram suficientes para reduzir a transmissão no município, que apresentava um dos piores indicadores epidemiológicos da história. A EDL demonstrou efetividade por não depender exclusivamente da conscientização da população, aspecto crítico em domicílios de pessoas idosas. Essa abordagem permitiu ampliar o alcance das ações de controle vetorial, otimizar recursos e fortalecer a capacidade de resposta da gestão frente às arboviroses, configurando-se como uma ferramenta técnica complementar às estratégias convencionais
Dengue, EDL, Aedes aegypti, controle vetorial
ANDRÉIA FRANSCELI NEGRI, RUBEM DE OLIVEIRA BOTTAS NETO, CAMILA SANTANA DE OLIVEIRA, GABRIELA GAGIGE, TATIANA LIBÓRIO PINTO FERREIRA, KARINA ELIAS DE SOUZA, JOÃO MARCOS CERON DA SILVA, ALESSANDRA GARCIA, VIVIANE SANCHES MASITELI, CESAR LEANDRO JERONIMO, FRANCISCO DE SOUSA PONTES