Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A hanseníase é uma doença infecciosa de evolução crônica que, embora curável, ainda permanece endêmica em várias regiões do mundo, principalmente na Índia, no Brasil e na Indonésia. Afeta principalmente nervos periféricos e a pele, cursando com neuropatia em graus variados, podendo causar incapacidades sociais, emocionais e físicas, com perda funcional, especialmente em mãos, pés e olhos, que podem ser muito graves em alguns casos. Os objetivos primordiais do tratamento são a cura da infecção mediante a antibioticoterapia e a prevenção e reabilitação das incapacidades físicas, por meio da detecção precoce e monitoramento dos de casos e do tratamento oportuno das reações hansênicas. A implantação de Grupos de Autocuidado em Hanseníase (GAC) visa estimular a formação da consciência de riscos para a integridade física, a prevenção de deficiências físicas, a reabilitação física, social e emocional, favorecendo a autonomia biopsicossocial, visando a identificação e superação dos desafios para a melhoria da qualidade de vida da pessoa acometida pela hanseníase e seus familiares. Em 2019, 34% das Unidades de Referência de Hanseníase (UR) no município de São Paulo (MSP) realizavam os GAC. Em 2020, com advento da pandemia da COVID-19 e consequente isolamento social para controle da doença, 100% das UR deixaram de realizar os GAC. Em 2022, após término do isolamento, apenas 6,9% das UR retomaram as atividades de autocuidado em grupo (Fonte: PMCH / DVE / COVISA / MSP, 2022).
Implantar os GAC em todas as UR de hanseníase do MSP visando oferecer cuidado integral, qualificado e humanizado às pessoas acometidas pela hanseníase e seus familiares favorecendo a autonomia dos pacientes. O Programa Municipal de Controle da Hanseníase (PMCH) do MSP estipulou metas anuais progressivas, sendo que 50% das UR implantassem os GAC até dezembro de 2024, 75% até dezembro de 2025 e 100% das UR até dezembro 2026.
Em abril de 2024, o PMCH iniciou as capacitações com metodologia participativa, com um grupo constituído por profissionais de saúde lotados nas UR, com o intuito de discutir ações de controle da doença, abordar os temas relacionados a prevenção e reabilitação de incapacidades sociais, emocionais e físicas, e a organização e formação dos GAC. Neste processo, foram utilizados como referência os documentos e cadernos oficiais fornecidos pelo Ministério da Saúde, com informações técnicas para formação e monitoramento dos GAC e discutidos em grupos os recursos para efetivar a implantação dos mesmos nas suas respectivas UR. Após o primeiro encontro, foram marcadas duas novas reuniões nos meses de julho e outubro de 2024, para que as UR apresentassem uma proposta de implantação dos GAC. Após a preparação dos profissionais, o PMCH apresentou um instrumento que deverá ser utilizado como ferramenta de monitoramento dos grupos, com as informações de periodicidade dos grupos, temas trabalhados, participação dos pacientes e profissionais envolvidos.
Conforme levantamento realizado após o processo e capacitação, o PMCH constatou que 68% das UR realizam os GAC superando a meta estipulada de 50% para o ano de 2024. Além das unidades que estavam realizando os grupos, outros 16% já se encontram em fase de implantação em curto espaço de tempo, que já ultrapassaria a meta de 75% para dezembro de 2025. (Fonte: PMCH / DVE / COVISA / MSP, dez/2024).
A implantação superou a meta proposta para 2024. A formação dos GAC ainda é um desfio para os profissionais das UR, devido a questões estruturais e operacionais das unidades, e adesão dos pacientes às ações propostas. A capacitação dos profissionais, junto a sensibilização e educação em saúde das pessoas acometidas pela hanseníase e seus familiares, parecem ser uma boa ferramenta para a formação e a manutenção dos grupos, oferecendo cuidado integral, qualificado e humanizado, troca de vivências entre os pacientes, para proporcionar melhora da qualidade de vida dos mesmos e combater o preconceito e o estigma relacionados à doença. O conhecimento e a detecção precoce das alterações neurais ocasionadas pela hanseníase, são primordiais para evitar deformidades e piora funcional. Outros temas como estigma, direitos e deveres, cuidados com a saúde mental, adaptações funcionais, reinserção no mercado de trabalho, entre outros, são temas frequentemente abordados nos GAC. Além das ações já citadas, as atividades em grupo abrangem um maior número de pessoas em um mesmo espaço, otimizando o tempo do profissional na sua rotina de atendimento na Unidade de Saúde.
Hanseníase, Doença infecciosa crônica
FERNANDO ANTONIO CHARRO, CARLOS TADEU MARASTON FERREIRA, GENIZE NUNES PEREIRA MACHADO, LIVIA DE ANDRADE BESSA CABETE, MARIA ARLETE GUAZZELLI