Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Unidade de Pronto Atendimento – UPA é uma estratégia de saúde de urgência e emergência, definida como um dos componentes da Política Nacional de Atenção às Urgências do Ministério da Saúde, e integra a rede de serviços pré hospitalares, tendo como mandato prestar atendimento resolutivo e qualificado a pacientes em situações graves e não graves. Além disso, ela integra a Rede de Atenção Psicossocial – RAPS, que é composta por serviços e equipamentos variados e estabelece os pontos de atenção para o atendimento de pessoas com transtornos mentais, incluindo pessoas em uso de crack, álcool e outras drogas. Na zona norte de São Paulo, a partir da identificação de um expressivo número de atendimentos pela psiquiatria, a equipe com assessores e gestão assistencial da UPA Jaçanã atualmente gerida por uma Organização Social de Saúde, tiveram a iniciativa de realizar um diagnóstico situacional acerca dos atendimentos psiquiátricos e a partir dali evidenciou-se a necessidade de construir um modelo assistencial de atenção em saúde mental no serviço de urgência e emergência, o modelo assistencial para os casos de saúde mental visa garantir um atendimento de urgência e emergência que priorize a estabilização clínica do paciente, promovendo o acolhimento humanizado, a proteção dos direitos individuais e a mitigação do tempo de observação, finalizando com os devidos encaminhamentos à rede referenciada de cuidado à saúde.
Este trabalho tem por objetivo principal apresentar a trajetória para construção de um modelo de atuação assistencial dos profissionais e colaboradores da UPA Jaçanã para com as pessoas com sofrimento ou transtorno mental em geral, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas que chegam na porta de entrada da unidade, através da implantação do Caminho do Cuidado do Paciente. Esta metodologia visa a mitigação de ações dissonantes do modelo de atenção em Saúde Mental, de modo a garantir a integralidade de ações que se destinam ao cuidado ao usuário, garantindo um processo seguro e cuidadoso durante o percurso do paciente na unidade, validando sua estruturação a partir de quatro principais eixos: admissão do paciente; indicação de cuidado; plano de cuidado prevendo a alta e alta referenciada para rede.
Com base nos dados preliminares apresentados em prontuário eletrônico da unidade, em março de 2024 foi definida a necessidade de diagnosticar a situação assistencial dos pacientes que chegavam à porta de entrada da UPA Jaçanã através da Psiquiatria. Assim, dispomos enquanto metodologia visitas técnicas das assessorias de saúde mental e urgência e emergência da OSS, visando as seguintes ações: a checagem dos dados através de ferramentas e instrumentos utilizados pela unidade, tais como prontuários, registros, planilhas, entre outras informações; a análise dos processos de trabalho desde a recepção do paciente até sua admissão e sua saída; as ferramentas administrativas que acompanham e monitoram os dados quanti e qualitativos da unidade. Além disso os assessores realizaram escuta ativa de gestores e colaboradores dos pontos focais de cada setor, garantindo o apanhado e composição de dados valiosos para retratar as necessidades de alinhamento e definições. Os achados iniciais das visitas permitiram a construção do diagnóstico situacional e elaboração de um plano de ação inicial que, ao ser minuciado, denotou a necessidade preliminar de definição do modelo assistencial. Foram bases enquanto ferramenta para este modelo: 1)Diagnóstico Situacional realizado pelas Assessorias de Saúde Mental e Assessoria técnica da Urgência e Emergência; 2)Plano de Ação realizado pelas áreas; 3)Indicadores de Monitoramento previstos no Plano de Ação.
São resultados esperados e já em consolidação através da implantação do Plano de Ação: Geral: Melhoria do acesso, qualidade e continuidade do cuidado para pessoas com transtornos mentais, garantindo a sustentabilidade dos sistemas de urgência/emergência e de saúde mental; Específicos: Redução de internações e reinternações desnecessárias; Redução de prescrições medicamentosas inadequadas; Redução de falhas na classificação de risco; Redução de falhas na aplicação do instrumento para classificação do nível de dependência da enfermagem; Redução de indicação e manejo equivocado da contenção mecânica e química; Planejamento de capacitações periódicas das equipes que atendem pacientes de saúde mental, melhorando a qualidade e refinamento da assistência; Melhor integração dos profissionais, objetivando uma atuação multidisciplinar. São indicadores deste Plano de Ação: a) Epidemiológicos: perfil do atendimento- sexo, idade, procedência, prevalência por hipótese diagnóstica, entre outros; b) Produção: total de atendimentos, total de admissões acima de 48h, tempo e média de permanência, taxa de reinternação-readmissão em observação de emergência no período de 30 dias; hiperutilizadores de atendimento de porta; eficácia de encaminhamento à rede – referência e contrarreferência; c) Desempenho: adesão da equipe aos protocolos instituídos.
A noção de integralidade do cuidado implica que, para oferecer assistência de qualidade às demandas relacionadas ao sofrimento mental, é necessário acolher e avaliar essas necessidades de forma que os usuários recebam o tratamento mais eficaz possível. Isso abrange desde a atenção básica, passando pelos serviços especializados, até os serviços de urgência e emergência. A pessoa que se apresenta em qualquer porta de entrada do Sistema Único de Saúde deve ser encaminhada ao nível de cuidado que mais se adapta à sua necessidade de tratamento, considerando o equilíbrio entre os benefícios pretendidos e os riscos oferecidos. Concordamos com Furtado et al (2023)2 para o fato de o “atendimento psiquiátrico em serviços de emergência” ser considerado “uma área importante que lida com demandas clínicas únicas”. É fundamental que as equipes de assistência disponham de recursos para diferenciar as situações de gravidade, seja em casos novos, casos já conhecidos e mesmo aqueles entendidos como crônicos. É necessário criar estratégias que facilitem a sustentação do cuidado longitudinal, pois a recidiva de crises pode gerar mais prejuízos ao longo do tempo e danos irreversíveis se o usuário não for assistido oportunamente.
saúde mental; modelo assistencial
NATÁLIA SOARES DE BARROS DE SANTANA COSTA, PAULA ANDREA SHINZATO FERREIRA MARTINS