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A comunicação de óbito é um dos momentos mais delicados no atendimento de urgência e emergência, exigindo preparo técnico, emocional e ético das equipes. No contexto brasileiro, marcado por vulnerabilidade social, diversidade cultural e limitações estruturais, a forma como a notícia é transmitida impacta diretamente o processo de luto das famílias. A UPA Vera Cruz identificou fragilidades importantes nesse processo, como abordagens não padronizadas e improvisadas, que geravam sofrimento adicional, riscos de falhas comunicacionais e desassistência psicossocial. Diante disso, tornou-se essencial adotar um protocolo estruturado que garantisse comunicação clara, acolhedora e ética. Inspirado no modelo SPIKES e adaptado à realidade das unidades de pronto atendimento, foi desenvolvido um protocolo próprio, organizando etapas, definindo responsabilidades e fortalecendo a integração entre médico, enfermagem e serviço social. A proposta assegura ambiente adequado, linguagem acessível, acolhimento emocional e orientação completa sobre trâmites pós-óbito. A padronização qualifica o cuidado, reduz conflitos, melhora a experiência dos familiares e fortalece a atuação das equipes. Assim, justifica-se sua implementação como prática fundamental para promover comunicação digna, humanizada e alinhada às necessidades reais da população atendida.
O objetivo deste trabalho é apresentar a implementação e os impactos de um protocolo estruturado e humanizado para a comunicação de óbitos na UPA Vera Cruz, adaptado do modelo SPIKES e ajustado às demandas da realidade brasileira em serviços de urgência e emergência. O protocolo visa padronizar a abordagem das equipes médica, de enfermagem e serviço social, assegurando uma comunicação clara, ética e empática aos familiares. Busca-se garantir ambiente adequado, linguagem acessível, acolhimento emocional e orientação completa sobre os procedimentos pós-óbito, reduzindo sofrimento adicional e promovendo cuidado integral às famílias enlutadas. Além disso, pretende-se fortalecer a atuação multiprofissional, qualificar a prática comunicacional e aprimorar a humanização no atendimento durante um dos momentos mais críticos da assistência.
A metodologia adotada para a implantação do Protocolo de Comunicação de Óbito na UPA Vera Cruz seguiu abordagem qualitativa, aplicada e multiprofissional. O processo iniciou-se com a identificação das fragilidades na comunicação de óbitos na rotina da unidade e com a revisão de modelos já consolidados, especialmente o protocolo SPIKES, que serviu de base para a adaptação ao contexto brasileiro e às especificidades da UPA. A construção do protocolo ocorreu de forma colaborativa entre médico, enfermagem e serviço social, por meio de reuniões técnicas, análise de casos reais e discussão das principais necessidades emocionais e informacionais das famílias. Em seguida, foram definidas as etapas estruturadas (Setting, Perception, Invitation, Knowledge, Empathy e Summary/Strategy), ajustadas para refletir o fluxo operacional e os recursos disponíveis na instituição. Após validação interna, o protocolo foi implementado de forma piloto, com orientações práticas à equipe e comunicação de más notícias. A aplicação foi acompanhada pela liderança dos setores, que registrou percepções, dificuldades e sugestões. A equipe recebeu suporte contínuo para adequações na abordagem, escolha do ambiente, linguagem utilizada aos familiares. A metodologia incluiu ainda com relatos das equipes e coleta de feedback dos envolvidos na comunicação, permitindo ajustes progressivos e garantindo um processo mais humanizado e padronizado.
A implementação do Protocolo de Comunicação de Óbito na UPA Vera Cruz resultou em uma adesão significativa por parte das equipes médica, de enfermagem e assistência social. A boa receptividade foi evidenciada pela participação ativa nas capacitações e simulações, além da aplicação consistente do protocolo no cotidiano. A estruturação das etapas proporcionou maior segurança e confiança aos profissionais, reduzindo a ansiedade e o estresse associados à comunicação de más notícias. Para a população atendida, os resultados foram igualmente positivos, o que contribuiu para um processo de luto mais respeitoso e menos traumático. A linguagem acessível e o ambiente acolhedor facilitaram a compreensão das informações e o enfrentamento da perda. Além disso, a orientação detalhada sobre os procedimentos pós-óbito minimizou dúvidas e burocracias, proporcionando tranquilidade em um momento delicado.
A implementação do Protocolo de Comunicação de Óbito na UPA Vera Cruz representou um avanço significativo na humanização do cuidado em situações de perda. A padronização da abordagem, baseada no modelo SPIKES e adaptada à realidade brasileira, permitiu qualificar a comunicação entre equipe multiprofissional e familiares, garantindo clareza, acolhimento e respeito em um momento de extrema vulnerabilidade. A adesão positiva das equipes médica, de enfermagem e assistência social demonstrou que o protocolo é aplicável, sustentável e eficaz dentro do cenário de urgência e emergência, fortalecendo a segurança emocional dos profissionais e reduzindo falhas na comunicação. Os resultados evidenciam que uma abordagem estruturada impacta diretamente na experiência da família, que passou a receber informações de forma mais compreensível, sensível e organizada. Além disso, a integração entre os setores melhorou o fluxo assistencial e reduziu desgastes relacionados à burocracia e às dúvidas sobre os trâmites pós-óbito. Assim, o protocolo se consolidou como uma ferramenta essencial para promover cuidado integral, fortalecer vínculos de confiança e qualificar o atendimento prestado à população.
Vigilância epidemiológico na emergência.
RONY COELHO DE SOUZA