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A disfagia é uma condição frequente em pacientes acometidos por Acidente Vascular Cerebral (AVC), estando associada a complicações como broncoaspiração, pneumonia aspirativa, aumento do tempo de internação e mortalidade. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a identificação precoce desse agravo é fundamental para a segurança do paciente e para a qualificação do cuidado. No Hospital Municipal Doutor José Soares Hungria, identificou-se a inexistência de triagem de disfagia nas primeiras quatro horas após a admissão hospitalar de pacientes com AVC na sala de emergência. A unidade conta com apenas uma profissional fonoaudióloga em jornada diurna, sem fluxo formal de solicitação de avaliação e sem cobertura em sua ausência. Considerando a média mensal de 20 pacientes atendidos com esse diagnóstico, essa fragilidade expunha os usuários a riscos evitáveis. Diante desse cenário, a experiência buscou reorganizar processos assistenciais por meio da implantação de protocolo multiprofissional, fortalecendo a segurança do paciente e contribuindo para a melhoria da qualidade do cuidado no SUS municipal.
Ampliar o percentual de pacientes admitidos em sala de emergência com diagnóstico de AVC submetidos à triagem de disfagia em até quatro horas após a admissão hospitalar, elevando o indicador de 0% para, no mínimo, 70% até fevereiro de 2026.
A experiência foi desenvolvida com base na metodologia do Institute for Healthcare Improvement (IHI), fundamentada na Ciência da Melhoria e no Modelo de Melhoria, com foco na qualidade assistencial, segurança do paciente e no Quintuple Aim. Inicialmente, realizou-se diagnóstico situacional do problema e revisão da literatura técnica. Foram definidos indicadores de desempenho e aplicado o ciclo PDSA (Plan-Do-Study-Act) para testar e implementar mudanças. Iniciou-se um projeto piloto com utilização de planilha eletrônica para validação dos fluxos. Posteriormente, implantou-se protocolo institucional de triagem de disfagia para pacientes com AVC, aplicado pela equipe multiprofissional, envolvendo enfermeiros, médicos e fonoaudiólogos. Como estratégia de apoio, foi criado grupo de comunicação instantânea para agilizar solicitações e integrar as equipes.
Observou-se evolução progressiva do indicador de triagem de disfagia em até quatro horas após a admissão. Em janeiro e fevereiro de 2025, o percentual era de 0%. A partir de março, houve crescimento contínuo, alcançando 60% em março, 77% em junho e 100% em julho e agosto. Nos meses subsequentes, os percentuais mantiveram-se elevados, variando entre 86% e 92% até dezembro de 2025. Os resultados evidenciam maior adesão da equipe multiprofissional, melhoria dos processos assistenciais e fortalecimento da segurança do paciente, com redução do risco de broncoaspiração
A experiência demonstrou que a organização dos processos de trabalho e a comunicação efetiva entre as equipes são estratégias fundamentais para a qualificação do cuidado no SUS municipal. A meta inicialmente proposta foi superada, evidenciando o potencial das metodologias de melhoria contínua na transformação da prática assistencial. A iniciativa reforça a importância do trabalho multiprofissional e da gestão baseada em indicadores, contribuindo para a sustentabilidade das ações e para a ampliação da segurança do paciente no contexto hospitalar.
disfagia, AVC, broncoaspiração
GUARACY ARAUJO DE OLIVEIRA, SANDRA SEIXAS LINS, ERICA MAYUMI MATSUBARA, LUCIANA GREGIO BARBOSA, FLAVIA MARIA PORTO TERZIAN, JOSE CARLOS INGRUND