Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS) representa um dos principais desafios para a qualidade do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), impactando diretamente a segurança do paciente, o tempo de internação, os custos assistenciais e a mortalidade. No âmbito do SUS municipal, estratégias de baixo custo, sustentáveis e baseadas em boas práticas são fundamentais para o enfrentamento desse problema. A experiência foi implantada no Hospital Municipal Guarapiranga (HMG), a partir de fevereiro de 2025, envolvendo enfermeiros assistenciais e supervisores de enfermagem. A população beneficiada compreende todos os pacientes internados que utilizam dispositivos invasivos, com foco prioritário nos cateteres venosos centrais, reconhecidos como importantes fatores de risco para IRAS, especialmente infecção primária de corrente sanguínea (IPCS). Como estratégia de promoção da saúde e segurança do paciente, foi implantado um round diário de discussão de dispositivos invasivos, estruturado em um QG (sala de guerra), com reuniões breves e objetivas. O espaço favorece a comunicação efetiva, a análise crítica dos processos assistenciais e a tomada de decisão compartilhada, contribuindo para a redução de riscos e qualificação do cuidado prestado no Hospital.
Implantar um round estruturado para discussão e monitoramento diário dos dispositivos invasivos, com foco nos cateteres venosos centrais, visando fortalecer a comunicação da equipe assistencial, desenvolver senso crítico, capacidade analítica e resolutiva dos profissionais de enfermagem, promover liderança e domínio dos processos assistenciais, além de contribuir de forma efetiva para a redução das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). Monitorar de forma sistemática todos os dispositivos invasivos da instituição, incentivando práticas seguras, avaliação contínua da necessidade de permanência e desinvasão oportuna.
A experiência foi desenvolvida por meio da implantação de um QG ou sala de guerra para dispositivos invasivos, com realização de reuniões diárias nos períodos diurno e noturno, envolvendo enfermeiros assistenciais e supervisores de enfermagem. As reuniões são breves, objetivas e focadas no cenário do dia, nas ações realizadas e nas estratégias para evitar reincidência de IRAS. O monitoramento ocorre por meio de uma planilha compartilhada, utilizada como ferramenta de gestão e acompanhamento, contendo as seguintes informações: identificação do paciente e setor, tipo de dispositivo invasivo em uso (SVD, CVC, Shilley, Permcath, TOT), data de inserção, data do último curativo (quando aplicável), necessidade de troca de curativo antes do período estipulado e justificativa, além da avaliação diária da possibilidade de desinvasão. O serviço de enfermagem foi o principal envolvido, atuando de forma integrada e contínua. O processo promove alinhamento entre os turnos, padronização das condutas, rastreabilidade das informações e fortalecimento da cultura de segurança do paciente.
Os resultados alcançados são perceptíveis tanto de forma qualitativa quanto quantitativa. Observou-se melhora significativa na comunicação entre as equipes dos diferentes turnos, maior adesão ao acompanhamento sistemático dos dispositivos invasivos, fortalecimento da cultura de segurança e aumento do senso de pertencimento e corresponsabilização da equipe de enfermagem. Houve avanço no monitoramento dos cateteres venosos centrais, com maior atenção à indicação, manutenção e desinvasão oportuna. Como resultado, verificou-se redução dos casos de Infecção Primária de Corrente Sanguínea (IPCS): em 2024 foram registrados 46 casos, enquanto em 2025 ocorreram 35 casos, representando uma redução aproximada de 23,9%. Esses dados reforçam a efetividade da estratégia adotada como ferramenta de gestão de risco e promoção da saúde.
A implantação do round de discussão de dispositivos invasivos demonstrou ser uma estratégia efetiva, de baixo custo e com alto impacto na segurança do paciente e na qualidade da assistência prestada no SUS. O processo favoreceu o desenvolvimento profissional da equipe de enfermagem, ampliando o senso crítico, a liderança e o domínio dos processos assistenciais. A experiência reforça a importância da comunicação estruturada, do monitoramento contínuo e da participação ativa dos profissionais na prevenção de IRAS. Como perspectiva futura, espera-se a consolidação da prática, ampliação para outros indicadores assistenciais e fortalecimento da integração multiprofissional, contribuindo para a sustentabilidade dos resultados e para a promoção contínua da saúde no ambiente hospitalar.
Gestão de IRAS
RAQUEL FRANCISCA DE MACENA MAURO, CARMEN ISABEL DOMINGUES DE SOUZA