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A CRS-Sul abrange cerca de 43% da área do MSP, com 23,84% da população, com alto índice de vulnerabilidade. Esta prática se início, a partir da necessidade de troca, inserção ou retirada de GTT – Gastrostomias dos pacientes das Equipes do Melhor em Casa – EMAD. Em 2020, realizado levantamento de pacientes, inicialmente cerca de 250, com esta necessidade, e não havia referência, especialmente para os que apresentavam maior grau de fragilidades e comorbidades. Poucos conseguiam realizar por meios próprios. Em alguns casos, a Equipe EMAD conseguia realizar a troca, pois o insumo não era padronizado para a Atenção Básica- AB, obstáculo presente para a realização do procedimento. Através da iniciativa desta Área Técnica e do Gabinete desta Coordenadoria, foi pactuada vagas para a troca, inserção e retirada das GTTs, no HD Cidade Ademar, com fluxo inicial através de planilhas, fase inicial relevante. Em 2021, o acesso passou a ser regulado no SIGA, onde os Estabelecimentos (UBS-EMAD) inseriam o paciente no sistema e encaminhar ao Regulador Regional, para acesso à vaga de acordo com o Protocolo estabelecido. Este foi marco relevante na abertura de acesso aos pacientes e fluxo definido para este fim. Após dois anos, para atender pacientes com maior complexidade, foi pactuado e transferido a realização do procedimento para o Hospital Dia Santo Amaro, que passou a realizar o procedimento com atendimento multiprofissional e ser um Polo de capacitação para as Equipes da EMAD.
Implantar fluxo em serviço de Hospital Dia para a troca, inserção ou retirada de GTT – Gastrostomias dos pacientes da Atenção Básica ativos nas Equipes Multidisciplinares da Assistência Domiciliar – EMAD do Programa Melhor em Casa – PMeC e pacientes das Unidades Básicas de Saúde da Coordenadoria Regional de Saúde Sul da cidade de São Paulo; Otimizar o tratamento de pacientes que necessitam de Gastrostomia Endoscópica Percutânea (GEP); Garantir a alimentação para os pacientes que não conseguem se alimentar via oral de forma adequada; Garantir a continuidade do cuidado aos pacientes com gastrostomia; Capacitar os profissionais das EMADs para a troca e retirada de GTT no domicílio do paciente, de forma segura; Garantir os direitos humanos de pessoas com deficiência.
A gastrostomia, consiste na criação de uma abertura direta no estômago para introduzir alimentos, líquidos e medicamentos é indicada nas condições que causam obstrução ou comprometimento da deglutição, como doenças neurológicas, câncer de cabeça e pescoço, ou em casos pós-cirúrgicos. Para garantir segurança na realização do procedimento, o paciente deverá estar dentro do protocolo da vaga e pelo Sistema de classificação de estado físico ASA – Sociedade Americana de Anestesiologista, não ultrapassar a classificação ASA II, sem complicações. É realizada no centro cirúrgico ambulatorial de baixa complexidade, em ambiente controlado. O fluxo de atendimento é estruturado para ser multiprofissional e acolhedor, com o envolvimento de diversas áreas para garantir um atendimento humanizado e de qualidade. Desafios múltiplos iniciais como agendamento de ambulância, para a realização de exames pré-operatórios foram superados, a partir de pactuações com o executante para que, na implantação inicial, o paciente seja internado 24 horas antes do procedimento para este fim, avaliado por uma equipe multidisciplinar e consulta pré-operatória com o anestesista. Na primeira troca do dispositivo, o procedimento é realizado no mesmo dia. O processo garante uma experiência menos traumática para os pacientes e seus familiares, oferece suporte para a manipulação do dispositivo, consultas multidisciplinares no próprio hospital e otimização do acesso às dietas de alto custo, se necessário.
O perfil do paciente com gastrostomia é frágil, requer cuidados específicos, tendo em vista sua necessidade básica de alimentação prejudicada. O Fluxo construído proporcionou qualidade na assistência, minimizou os inúmeros traslados para exames pré-operatórios, garantiu o acesso ao atendimento multidisciplinar e humanizado para pacientes que, regularmente, permaneceriam em Fila de espera e sem perspectiva de atendimento. O HDSA, se transformou em Polo de capacitação para profissionais das Equipes Multidisciplinares de Atenção Domiciliar para realizar trocas de dispositivos GEP no domicílio, a partir da segunda troca, favorecendo a prática segura, além de proporcionar ao paciente com GTT acesso facilitado e conforto. Consideramos ponto de partida na nossa região com resultados relevante e positivos uma vez que o acesso para o paciente foi ampliado com melhoria da assistência e proporcionou a garantia de direito e do cuidado aos pacientes com gastrostomia, dentro do perfil ASA I e ASA II, de acordo com o Sistema de classificação de estado físico ASA – Sociedade Americana de Anestesiologista. A implantação e organização deste serviço, viabilizou parcerias com um hospital que atendem crianças com alta complexidade, desencadeando em outros projetos para acesso a esta assistência a partir de discussão de caso e matriciamentos, adotando uma abordagem integral da assistência aos pacientes com uso de gastrostomia do território.
Foram muitas reuniões, propostas, articulações, para chegarmos aonde estamos. É essencial para a continuidade e para a segurança na assistência, que o acesso integral e o princípio da equidade do SUS, seja obedecido em qualquer organização de serviço. O território pensado e articulado, proporciona melhores resultados e quando o foco da atenção é o paciente, toda prática tende a ter resultados positivos. De fato, a gestão estratégica frente a um problema de saúde e os atores desta construção são de grande relevância para melhores resultados obtidos. Porém, muito há de se percorrer ainda nesta caminhada de tornar a Linha de Cuidado desta assistência robusta, tendo em vista os desafios de atender os casos com maiores complexidades e que precisamos construir esse acesso. Entretanto, o ponto de partida nos faz perceber que avanços são tangíveis e essenciais para a construção de um Sistema Único de Saúde equânime e de qualidade. Entendemos que a articulação do território, com envolvimento de todos, desencadearam os resultados exitosos desta prática. Estamos a caminho de tornar o caminho mais fluído para os pacientes com maior complexidade. Persistiremos nesta caminhada e no matriciamento em rede que está em construção.
Gastrostomia Assistência Domiciliar Hospital Dia
ROSÂNGELA LIRA DA SILVA OLIVEIRA, MARÍLIA NAMO DE OLIVEIRA, ANDRÉ LUCCHIARI BORINI, AURO DE FREITAS RAYEL