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A terapia infusional e o manejo adequado dos acessos vasculares são componentes essenciais para a segurança do paciente e a efetividade do tratamento hospitalar. No contexto do envelhecimento populacional, a maior fragilidade vascular da pessoa idosa amplia a complexidade do cuidado, eleva o risco de múltiplas tentativas de punção, provoca atrasos no início da terapia intravenosa e aumenta a incidência de eventos adversos. No Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em hospitais de pequeno porte, esses desafios impactam diretamente a qualidade da assistência, a experiência do paciente e o uso racional dos recursos públicos. A experiência foi desenvolvida no Hospital Mário Covas Júnior, unidade pública municipal de pequeno porte localizada em Ilhabela (SP), referência para atendimentos de urgência e emergência, internação clínica e terapia intensiva, atendendo população residente e flutuante. A partir de 2024, identificou-se a necessidade de reorganizar o cuidado relacionado aos acessos vasculares diante do aumento da complexidade assistencial e da ocorrência de complicações associadas ao uso de cateteres. Participaram da iniciativa enfermeiros assistenciais, especialistas em terapia infusional, equipe médica, coordenação de enfermagem e gestão hospitalar. A implantação do Time de Terapia Infusional beneficiou principalmente pacientes hospitalizados com acesso venoso difícil, necessidade de terapias intravenosas prolongadas ou uso de medicamentos de maior risco.
Implantar um Time de Terapia Infusional e Acessos Vasculares em hospital de pequeno porte do SUS municipal, visando qualificar a assistência aos pacientes hospitalizados, promover a segurança do paciente, reduzir eventos adversos relacionados aos acessos vasculares e otimizar o uso de recursos humanos e materiais. Como objetivos específicos, buscou-se padronizar práticas assistenciais baseadas em evidências, apoiar a tomada de decisão clínica quanto à escolha do dispositivo vascular, reduzir o número de tentativas de punção venosa, agilizar o início das terapias intravenosas e fortalecer a educação permanente das equipes assistenciais.
Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo, desenvolvido no Hospital Mário Covas Júnior, em Ilhabela (SP). A implantação do Time de Terapia Infusional ocorreu de forma gradual, iniciando-se em 2024 com diagnóstico situacional das principais fragilidades relacionadas à terapia infusional e aos acessos vasculares. Foi definida uma enfermeira coordenadora especialista em terapia infusional e acessos vasculares, responsável pela organização do serviço, elaboração de fluxos assistenciais, protocolos institucionais e articulação com a gestão. Enfermeiros foram capacitados para avaliação do acesso venoso, escolha do dispositivo adequado e inserção de cateteres, incluindo cateter central de inserção periférica (PICC) guiado por ultrassom. As atividades incluíram atendimentos sob demanda das unidades assistenciais, apoio à equipe multiprofissional, educação permanente em serviço e monitoramento sistemático de indicadores assistenciais. Participaram da experiência enfermeiros, técnicos de enfermagem, equipe médica e coordenação hospitalar, com integração entre pronto-socorro, unidades de internação e terapia intensiva.
A análise dos indicadores do Time de Terapia Infusional demonstrou evolução assistencial e gerencial entre 2024 e 2025. Em 2024, foram realizados 103 procedimentos especializados, incluindo inserções de PICC e intervenções do time, sendo 52 (50,4%) em pacientes com 60 anos ou mais, evidenciando o predomínio do atendimento à população idosa. Nesse período, registraram-se dois casos de infecção relacionada ao cateter, o que desencadeou um processo de reestruturação do serviço, liderado pela enfermagem, com revisão de fluxos e capacitação em boas práticas de inserção, manutenção e manejo de cateteres, envolvendo o time especializado e as equipes assistenciais responsáveis pelos cuidados diários. A partir dessa experiência, instituiu-se um ciclo permanente de revisão de processos e capacitações periódicas, realizadas a cada 6 a 8 meses. Em 2025, observou-se ampliação significativa da produção assistencial, totalizando 150 cateteres implantados, dos quais 60 (40%) em pacientes idosos, sem registro de infecções relacionadas ao cateter, mesmo diante do aumento do volume e da complexidade dos atendimentos. A organização do cuidado por meio do Time de Terapia Infusional contribuiu para redução percebida do número médio de tentativas de punção venosa, especialmente em pacientes idosos com acesso difícil, além de maior agilidade no início das terapias intravenosas, segundo avaliação das equipes assistenciais.
A implantação do Time de Terapia Infusional em hospital de pequeno porte demonstrou que é possível qualificar a assistência no SUS municipal mesmo em contextos de limitação de recursos, por meio da organização do processo de trabalho, liderança técnica da enfermagem e monitoramento contínuo de indicadores. O atendimento predominante à população idosa reforça a relevância do serviço para a segurança do cuidado, considerando as particularidades clínicas, a fragilidade vascular e o maior risco de eventos adversos nesse grupo etário. A identificação de infecções relacionadas ao cateter em 2024 foi tratada como oportunidade de aprendizado institucional, resultando na eliminação desses eventos em 2025, mesmo com aumento da produção assistencial e manutenção do perfil de pacientes idosos. O protagonismo da enfermagem foi central na condução das mudanças, na educação permanente das equipes e na articulação com a gestão, fortalecendo a cultura de segurança do paciente, a governança clínica e a qualificação do cuidado à pessoa idosa no SUS municipal. A experiência mostra-se relevante, sustentável e passível de replicação em municípios de pequeno porte.
Terapia Infusional, hospitais de pequeno porte
SUELEN MONTEIRO DE ALMEIDA, RUBEM VINÍCIUS ALVES DOS SANTOS