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Antes da implantação da experiência, o município de Iepê – SP apresentava aproximadamente 120 encaminhamentos reprimidos para atendimento em neuropediatria, com oferta regional limitada a uma vaga mensal via DRS XI. As famílias precisavam deslocar-se cerca de 100 km para acesso ao tratamento especializado, dificultando a continuidade do cuidado. Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Gestão da Média e Alta Complexidade, iniciou a reorganização da assistência especializada no Centro de Atendimento Especializado Integrado (CAEI). A experiência beneficia crianças neurodivergentes, predominantemente com diagnóstico ou em investigação para Transtorno do Espectro Autista (TEA), e caracteriza-se pela implantação de modelo multiprofissional integrado e articulação intersetorial com a educação e as famílias, fortalecendo o cuidado integral no território e qualificando a atenção no SUS municipal.
Implantar modelo de cuidado multiprofissional integrado para crianças neurodivergentes; ampliar o acesso ao atendimento especializado; reduzir a demanda reprimida; qualificar o cuidado terapêutico; fortalecer a articulação entre saúde, educação e famílias; e promover acompanhamento contínuo centrado nas necessidades das crianças e de seus cuidadores.
A experiência iniciou em agosto de 2025 com a contratação de neuropediatra para avaliação clínica e acompanhamento especializado. Em novembro de 2025 foi implantada sala multissensorial no CAEI por meio de emenda parlamentar e realizada contratação de terapeuta ocupacional exclusiva para o público, inexistente anteriormente. Em janeiro de 2026 foi estruturado o atendimento multiprofissional conjunto, com atuação simultânea de terapeuta ocupacional, psicóloga e fisioterapeutas, utilizando princípios da metodologia ABA, em sessões individuais e em duplas. Paralelamente, em articulação com a Secretaria Municipal de Educação, foram organizados quatro grupos semanais de familiares, realizada busca ativa nas unidades da rede municipal de ensino (creche, educação infantil – maternal – e ensino fundamental) e estabelecido acompanhamento contínuo entre escola e equipe de saúde.
A implantação do modelo possibilitou ampliar a capacidade assistencial de 10 para 20 crianças em acompanhamento contínuo multiprofissional. Houve eliminação da fila de espera para atendimento em neuropediatria, redução significativa de deslocamentos para outros municípios e implantação inédita de sala multissensorial no território. O atendimento multiprofissional conjunto qualificou o cuidado terapêutico e favoreceu a evolução clínica e comportamental das crianças. A estruturação de quatro grupos semanais de familiares fortaleceu o vínculo com os serviços e contribuiu para melhora significativa da adesão ao tratamento. Observou-se ainda maior integração entre saúde e educação e ampliação progressiva da equipe especializada, com previsão de inclusão de fonoaudióloga e nutricionista com abordagem ABA.
A experiência demonstrou caráter inovador ao implantar atendimento multiprofissional integrado em município de pequeno porte, ampliando o acesso e qualificando o cuidado às crianças neurodivergentes. A liderança da gestão, associada à articulação intersetorial e ao fortalecimento do cuidado familiar, resultou em modelo resolutivo, humanizado e alinhado aos princípios do SUS. A estratégia apresenta potencial de replicação em outros municípios por meio da reorganização da rede existente e integração das equipes, consolidando-se como prática exitosa de atenção integral no território.
Neurodivergentes, Atenção Especializada, eMulti
LALESCA ALVES DA SILVA, MARCELA FERREIRA LOPES, STEPHAINE GABRIELLI DOS SANTOS, STEFANI NÓBREGA PERRUD, MARIANA LARA ROBIN DA SILVA, GUILHERME MONTEIRO DE SOUZA ROSA