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A Atenção Domiciliar (AD) tem se consolidado como estratégia fundamental no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente diante do envelhecimento populacional e do aumento de pessoas com doenças crônicas e necessidade de cuidado prolongado no domicílio. A ampliação desse cuidado traz desafios relacionados à segurança sanitária, entre eles o gerenciamento adequado dos resíduos de serviços de saúde (RSS) gerados durante os atendimentos domiciliares. Durante a implantação do processo de Qualidade na Atenção Domiciliar, foram identificadas fragilidades nos fluxos de manejo, transporte e descarte dos resíduos, além de insegurança das equipes quanto às responsabilidades e riscos sanitários. Essas fragilidades representam risco para profissionais, pacientes, cuidadores, comunidade e meio ambiente, evidenciando a necessidade de alinhamento às normativas vigentes, especialmente à RDC ANVISA nº 222/2018 e ao Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS). Diante desse cenário, tornou-se necessária a articulação entre gestão, equipes assistenciais e apoio técnico para estruturar fluxos seguros e compatíveis com a realidade da Atenção Domiciliar. Como resultado, foi elaborado e implantado um Procedimento Operacional Padrão (POP) para o gerenciamento dos resíduos, além do planejamento de estratégias de monitoramento. A experiência evidencia o papel do processo de Qualidade na organização do cuidado e na redução de riscos sanitários no contexto do envelhecimento.
Implantar e qualificar o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde gerados na Atenção Domiciliar, a partir do processo de Qualidade, garantindo segurança sanitária, padronização dos fluxos e conformidade com a legislação vigente. Como objetivos específicos: Padronizar o manejo, transporte e descarte dos resíduos gerados durante o atendimento domiciliar; Reduzir riscos sanitários para profissionais, pacientes, cuidadores e comunidade; Fortalecer a articulação entre equipes assistenciais, gestão e áreas técnicas envolvidas; Implantar estratégias de monitoramento do processo, por meio da mensuração dos resíduos gerados; Promover a melhoria contínua dos processos de trabalho na Atenção Domiciliar.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido no âmbito da Atenção Domiciliar, a partir da implantação do processo de Qualidade na assistência. Inicialmente, realizou-se o mapeamento dos processos de trabalho e a identificação dos nós críticos relacionados ao gerenciamento dos resíduos gerados durante os atendimentos domiciliares, com base em observações das equipes e discussões técnicas. A partir dessa análise, foram realizadas reuniões e articulações entre a gestão local, equipes assistenciais, apoio técnico e comissão de gerenciamento de resíduos, com o objetivo de alinhar as práticas às diretrizes da RDC ANVISA nº 222/2018 e ao PGRSS institucional. Como produto desse processo, foi elaborado e implantado um Procedimento Operacional Padrão (POP) específico para o gerenciamento de resíduos na Atenção Domiciliar, definindo fluxos, responsabilidades e critérios de segurança. Paralelamente, foram realizadas orientações às equipes quanto ao novo fluxo instituído, bem como a organização do transporte e descarte dos resíduos nas unidades de referência. Como estratégia de monitoramento e qualificação do processo, foi solicitada e posteriormente aprovada a aquisição de balança específica para a mensuração dos resíduos gerados na Atenção Domiciliar, com vistas à construção de indicadores para acompanhamento, avaliação e planejamento das ações, encontrando-se essa etapa em fase de implantação.
A implantação do processo de Qualidade na Atenção Domiciliar permitiu a identificação sistemática de fragilidades relacionadas ao gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde gerados nos atendimentos domiciliares. A elaboração e implantação do Procedimento Operacional Padrão (POP) favoreceram a padronização dos fluxos de segregação, acondicionamento, transporte e descarte dos resíduos, em conformidade com a RDC ANVISA nº 222/2018 e o PGRSS institucional. A padronização do processo favoreceu maior clareza das responsabilidades, redução de riscos sanitários e qualificação das práticas assistenciais, além de maior alinhamento entre equipes, gestão e áreas técnicas envolvidas. A articulação intersetorial possibilitou a construção de fluxos factíveis, considerando as limitações operacionais da Atenção Domiciliar, sem prejuízo à segurança sanitária. A solicitação e aprovação da aquisição de balança para mensuração dos resíduos configuraram um avanço na estruturação do monitoramento do processo, possibilitando, em etapa subsequente, o registro sistemático e a construção de indicadores para avaliação e planejamento das ações. A experiência reforçou a ampliação do olhar sobre o ambiente domiciliar como parte integrante do cuidado, especialmente em contextos de envelhecimento e cuidado prolongado.
A experiência mostrou que a incorporação do gerenciamento de resíduos como componente do processo de Qualidade na Atenção Domiciliar contribui para a organização dos fluxos assistenciais, fortalecimento da segurança sanitária e alinhamento às normativas vigentes. A elaboração e implantação do POP configuraram-se como ferramentas fundamentais para a padronização das práticas e redução de variabilidades no processo de trabalho. A condução do processo de forma articulada reforçou a importância da atuação intersetorial para o enfrentamento de nós críticos identificados no cotidiano da Atenção Domiciliar, especialmente em um contexto de envelhecimento da população e ampliação do cuidado no domicílio. A aprovação da aquisição de balança para mensuração dos resíduos evidencia o compromisso com o monitoramento, a avaliação e a sustentabilidade das ações implementadas, ainda que sua operacionalização esteja em fase inicial. A experiência apresenta potencial de replicabilidade em outros serviços de Atenção Domiciliar, por utilizar ferramentas de Qualidade, normativas sanitárias vigentes e estratégias factíveis de gestão do cuidado, contribuindo para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.
Resíduos de Serviços de Saúde; Gestão da Qualidade
JULIANA BRUNO SILVA PASCARELLI, FLAVIO RIBEIRO DE SOUZA, FERNANDA MODESTO DE ABREU, CARLOS DE SOUZA CARVALHO