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No ano de 2016, o Ministério da Saúde redefiniu a Atenção Domiciliar no âmbito do SUS por meio da Portaria nº 825, de 25 de abril de 2016, estabelecendo a implantação do Programa Melhor em Casa com o objetivo de qualificar a assistência a pacientes com necessidades de cuidados intermediários e avançados no domicílio, reorganizando a rede e fortalecendo o cuidado. Em Ubatuba, observavam-se internações hospitalares prolongadas de pacientes com elegibilidade para cuidados domiciliares intensivos, incluindo casos superiores a 12 meses de internação. Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde aderiu ao programa visando à desospitalização segura, à liberação de leitos hospitalares e à reorganização da rede assistencial.
O objetivo geral foi avaliar a implantação do Programa Melhor em Casa no município de Ubatuba. Como objetivos específicos, buscou-se descrever o processo de implantação da equipe, caracterizar os principais procedimentos realizados, analisar a percepção da equipe sobre a desospitalização precoce e o cuidado contínuo, bem como descrever o perfil etário dos pacientes atendidos.
Trata-se de um relato de experiência qualiquantitativo realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com membros da equipe do programa, associada à análise de dados extraídos do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), considerando atendimentos realizados entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. Os dados avaliados serão referentes a realização dos procedimentos: administração de medicamentos; curativos; atendimentos em cuidados paliativos; acompanhamento em terapia nutricional e procedimentos de fisioterapia.
No período de 1º de agosto de 2025 a 31 de janeiro de 2026, foram realizados 28 procedimentos de administração de medicamentos (incluindo antibioticoterapia), 150 curativos, 152 atendimentos em cuidados paliativos, 90 acompanhamentos em terapia nutricional e 130 procedimentos de fisioterapia. Os dados demonstram expressiva reorganização das demandas anteriormente absorvidas pelas equipes de Estratégia de Saúde da Família, com destaque para o volume de curativos, fisioterapia e cuidados paliativos realizados ao longo de seis meses. Foram realizadas entrevistas com cinco profissionais da equipe, cujos relatos indicaram que o cuidado integral, associado ao apoio familiar e ao acompanhamento remoto, contribui significativamente para a melhoria da qualidade de vida e reabilitação dos pacientes. O plano multidisciplinar de segurança do paciente demonstrou impacto na redução de reinternações, enquanto a abordagem biopsicossocial favoreceu a desospitalização precoce. Em relação ao perfil etário, dos 1.486 atendimentos realizados, 556 corresponderam a pacientes com mais de 60 anos, representando 37,4% do total, evidenciando o envelhecimento populacional e a necessidade de fortalecimento de políticas públicas voltadas à saúde da pessoa idosa.
A implantação do Programa Melhor em Casa em Ubatuba mostrou-se satisfatória, promovendo reorganização da rede municipal de saúde e fortalecimento da articulação com a Atenção Básica e hospitais de referência do SUS. O programa contribuiu para a qualificação do cuidado domiciliar, melhoria da qualidade de vida dos pacientes e apoio às famílias. A validação da habilitação da equipe junto ao Ministério da Saúde assegurou o repasse financeiro federal ao município, viabilizando recursos humanos, materiais permanentes e insumos necessários para a continuidade dos atendimentos.
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ALESSANDRA REGINA DE SOUZA SANTOS, PAULO GEOVANE DE ALMEIDA, MARCELA BLUMENSCHEIN, SIMONE BRITO DOS SANTOS MARCONDES