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A Vigilância Epidemiológica é componente essencial do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pela detecção precoce, monitoramento e controle de agravos de notificação compulsória. As unidades de urgência e emergência representam importantes portas de entrada do sistema, devido ao alto volume de atendimentos e à frequência de casos agudos de relevância epidemiológica. No entanto, a priorização da estabilização clínica, aliada à ausência histórica de fluxos estruturados, contribui para a subnotificação nesses serviços. Apesar de sua importância estratégica, ainda são escassos estudos que avaliem a implantação sistematizada da vigilância epidemiológica nesse contexto assistencial, especialmente frente ao crescimento da demanda. Em 2024, a UPA Vera Cruz, localizada no território do Jardim Ângela, implantou o Núcleo de Vigilância Epidemiológica com o objetivo de integrar vigilância e assistência, qualificar os registros e fortalecer o processo de notificação compulsória. A iniciativa buscou ampliar a sensibilidade do sistema local, melhorar a qualidade das informações em saúde e subsidiar a tomada de decisão em saúde pública, enfrentando a subnotificação como um problema estrutural por meio da integração da vigilância à prática assistencial cotidiana.
Descrever a experiência de implantação do Núcleo de Vigilância Epidemiológica em uma unidade de urgência e emergência; analisar o impacto da implantação na ampliação e qualificação das notificações de agravos de notificação compulsória; avaliar a evolução percentual das notificações antes e após a implantação, considerando o crescimento da demanda assistencial no período de 2021 a 2025; e evidenciar a relevância da vigilância epidemiológica estruturada no fortalecimento da segurança do paciente e da informação em saúde.
Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, realizado a partir da análise de registros institucionais e planilhas internas da UPA Vera Cruz – Jardim Ângela, referentes às notificações de agravos de notificação compulsória no período de 2021 a 2025. Os dados foram analisados por meio de frequências absolutas e variações percentuais, permitindo a comparação entre o período pré-implantação do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (2021–2023) e o período pós-implantação (2024–2025). A utilização de variações percentuais constituiu estratégia analítica para minimizar o impacto do crescimento da demanda assistencial ao longo do período, possibilitando avaliar a evolução das notificações de forma proporcional ao volume de atendimentos. Ressalta-se que os percentuais apresentados referem-se a variações relativas, não lineares, considerando o crescimento progressivo da demanda assistencial ao longo do período analisado. A implantação do Núcleo envolveu a definição e padronização de fluxos assistenciais, capacitações periódicas das equipes multiprofissionais, auditoria sistemática de prontuários, monitoramento contínuo das notificações e abordagem educativa, caracterizando-se como uma experiência de natureza organizacional e institucional, sem intervenção clínica direta.
No período analisado, observou-se crescimento acumulado aproximado de 98,7% na demanda assistencial entre 2021 e 2025. Entre 2021 e 2022, o aumento foi discreto (1,22%), seguido de crescimento moderado em 2023 (5,59%). A partir de 2024, verificou-se incremento relevante da demanda assistencial, com aumento de 59,78% em relação ao ano anterior. Em 2025, manteve-se tendência ascendente, com acréscimo de 16,30%, evidenciando padrão consistente de aumento do fluxo assistencial. Em relação às notificações de agravos de notificação compulsória, o período pré-implantação apresentou crescimento gradual. Após a implantação do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, em 2024, observou-se aumento percentual de 348,6% nas notificações. Em 2025, embora tenha ocorrido redução percentual em relação ao ano anterior, o volume absoluto manteve-se significativamente superior ao período pré-implantação, concentrando mais de 76% das notificações do total do período analisado, indicando ampliação da sensibilidade do sistema local de vigilância.
A implantação do Núcleo de Vigilância Epidemiológica em uma unidade de urgência e emergência demonstrou impacto positivo na ampliação e qualificação das notificações de agravos de notificação compulsória, mesmo em cenário de elevada e crescente demanda assistencial. A experiência evidenciou que a atuação estruturada da vigilância, associada à capacitação contínua das equipes e ao monitoramento sistemático dos processos, contribui para a redução da subnotificação, o fortalecimento da segurança do paciente e a melhoria da informação em saúde. Conclui-se que a vigilância epidemiológica deve ser reconhecida como componente estratégico e indissociável da assistência nas unidades de urgência e emergência, sendo recomendada a institucionalização de Núcleos de Vigilância Epidemiológica como estratégia permanente, com potencial de replicabilidade em outros serviços do Sistema Único de Saúde.
Segurança do paciente. Safety Huddle. Comunicação.
MARISA NOVAES DA SILVA