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A chikungunya é uma arbovirose viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti caracterizada por febre alta, dores intensas nas articulações e potencial evolução para quadro crônico com impacto significativo na qualidade de vida, especialmente em adultos e idosos. Em Mirassol/S, observou-se mudança relevante no perfil epidemiológico: em 2023 foi registrado apenas 1 caso confirmado, enquanto em 2024 foram confirmados 833 casos e 3 óbitos, evidenciando circulação ativa do vírus e necessidade de estratégias preventivas ampliadas. Diante desse cenário, o município estruturou adequações técnico-operacionais para atender aos critérios definidos pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Butantan para participação no projeto-piloto nacional de vacinação contra chikungunya, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva. A adequação envolveu reforço da vigilância epidemiológica, organização de fluxo de vacinação nas Unidades Básicas de Saúde, adequação da rede de frio, capacitação de equipes, integração com vigilância ambiental e planejamento logístico para atender os critérios de seleção baseados em perfil epidemiológico, capacidade operacional e viabilidade de introdução vacinal em curto prazo. A experiência é relevante por integrar ações de vigilância, prevenção e cuidado longitudinal ao longo do ciclo de vida, com ênfase na proteção de adultos, fortalecendo a APS como núcleo articulador de estratégias em saúde pública.
Objetivo geral: Adequar a estrutura técnico-operacional do município de Mirassol para atender aos critérios epidemiológicos, de capacidade operacional e organização em saúde, permitindo sua escolha como uma das sede do projeto-piloto de vacinação contra chikungunya. Objetivos específicos: Estruturar fluxos assistenciais e logísticos para introdução segura da vacina. Integrar vigilância epidemiológica e APS no monitoramento da doença. Implantar sistema de monitoramento de coberturas vacinais e eventos adversos. Avaliar tendências de incidência após início da estratégia vacinal.
Trata-se de relato de experiência com abordagem descritiva e operacional da adequação municipal para participação no projeto-piloto de vacinação contra chikungunya. As atividades iniciaram em maio de 2025 após reunião entre Comissão de Intergestores Regional, Grupo de Vigilância Epidemiológica XXIX, gestor municipal e instituições envolvidas no projeto. Foram desenvolvidas as seguintes etapas: Revisão epidemiológica local: análise de dados de casos prováveis e confirmados (ex.: 833 casos em 2024) para caracterizar o risco epidemiológico. Fortalecimento da vigilância epidemiológica: padronização de notificação, capacitação de profissionais Organização da APS para vacinação: definição de unidades participantes, logística de armazenamento e aplicação, cronograma de atendimento e protocolos clínicos e de segurança vacinal. Capacitação técnica que aconteceram de forma presencial e online: treinamento de equipes de enfermagem e profissionais de saúde para aplicação, registro e comunicação de eventos adversos Mobilização social: campanhas de informação, esclarecimento de benefícios da vacina, e estratégias de engajamento da população. Monitoramento e avaliação: coleta de dados de cobertura vacinal, adesão, eventos adversos, e tendências de casos notificados após início da vacinação (em andamento) Atividades envolveram coordenação municipal de saúde, vigilância epidemiológica, atenção básica e apoio técnico do Instituto Butantan.
A estruturação técnica e organizacional permitiu que Mirassol fosse selecionado como um dos municípios pilotos para aplicação da vacina contra chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan, sendo inserida na estratégia nacional em parceria com o Ministério da Saúde. Foram implantados fluxos padronizados de vacinação em todas as unidades de APS, com registro digital nominal das doses aplicadas e sistema estruturado de monitoramento de eventos adversos. A experiência fortaleceu a integração entre vigilância e APS, qualificou a logística vacinal e ampliou a capacidade municipal de resposta a emergências epidemiológicas. Consolidou-se um modelo organizacional com potencial de sustentabilidade para futuras estratégias de imunização e enfrentamento de arboviroses.
A experiência de Mirassol em adequar sua estrutura técnico-operacional para participar do projeto-piloto de vacinação contra chikungunya ilustra uma prática de gestão em saúde pública em âmbito municipal. Ao combinar vigilância epidemiológica, organização da APS, capacitação de equipes e mobilização comunitária, o município atendeu aos critérios de seleção e passou a implementar vacinação com apoio do Instituto Butantan e do Ministério da Saúde. Essa estratégia oferece um modelo replicável de fortalecimento da APS, contribuindo para prevenção de arboviroses, proteção da população adulta e idosa e ampliação do papel da atenção básica no cuidado longitudinal em saúde. Embora o curto período de implantação ainda não permita avaliação conclusiva do impacto epidemiológico, observa-se fortalecimento da governança local, qualificação da resposta sanitária e maior confiança da população nas ações públicas. A experiência configura modelo replicável para municípios com perfil epidemiológico semelhante, reforçando o papel estratégico da APS na coordenação das políticas de imunização e no enfrentamento das arboviroses.
vacinação; chikungunya, prevenção
FRANK HULDER DE OLIVEIRA, CAMILLA DA SILVA NUNES SANTIQUIO, MARA CARDOSO SOUTO, MARIA DO ROZARIO DRIGO FERNANDES, JULIANA TONIN RECCO DA ROCHA