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No campo da saúde, a telemedicina tem sido uma aposta importante na ampliação do acesso à saúde, pela possibilidade de facilitar o contato entre usuário e profissional médico por tecnologias digitais como notebooks, celulares, entre outros. Por telemedicina, o Conselho Federal de Medicina define: “é o exercício da medicina mediado por Tecnologias Digitais, de Informação e de Comunicação (TDICs), para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões, gestão e promoção de saúde”. A telemedicina pode se apresentar em duas modalidades: sícrona (telemedicina em tempor real – on-line) e assíncrona (telemedicina off-line, por multimeios de tecnologia).
Relatar a implantação da telemedicina em 30 UBS da região sul de São Paulo e 4 unidades de urgência e emergência nos distritos do Capão Redondo e Jardim Ângela, administrados por uma Organização Social da Saúde em parceria com a Prefeitura de São Paulo.
Trata-se de um relato de experiência com o propósito de relatar o processo de implantação da telemedicina no SUS em 30 UBS na Zona Sul de São Paulo, nos Distritos Administrativos de Campo Limpo e Capão Redondo. A primeira etapa foi elencar as unidades básicas que poderiam receber os equipamentos para telemedicina. A segunda etapa foi executar um projeto piloto na UBS São Bento, iniciado no dia 15 de maio de 2023, implantando-se um consultório digital e foram iniciados os atendimentos, testados os equipamentos e ajustados os protocolos de atendimentos. A terceira etapa se determinou a expandir o processo de implantação para as demais 29 UBS e 4 unidades de urgência e emergência através de um cronograma pré-estabelecido. As unidades receberam um computador com kit multimídia composto por câmera de alta resolução, microfones e caixas alto falantes para as salas que foram designadas como espaço adequado para Consultório Digital. E nesta fase, foi iniciado o processo de “envelopamento” – adesivar as paredes das salas – com a identidade visual oficial da SMS-São Paulo.
Até o momento foram realizados 81.749 consultas de telemedicina, sendo 2.212 em telepsiquiatria, 17.086 na rede de urgência e emergência, 2.276 em teledermatologia e 61.960 em acesso avançado na APS. São 36 consultórios digitais distribuídos por 34 equipamentos de saúde. Destes atendimentos 66,8% foram para mulheres e 33,2% para homens. Quando avaliamos as faixas etárias predominantes temos que 23,7% tinham de 46 a 59 anos, seguidos de 22% maiores que 60 anos e em terceiro 18 a 25 anos com 17,4%. Já ao avaliarmos o quesito raça/cor temos que 59,3% se identificam como pardos e 29,4% do total de atendidos se identificam como brancos seguidos de 10,3% se identificando como pretos.
A implantação da telemedicina nas unidades de saúde do SUS na zona sul de São Paulo mostrou-se oportuna para a ampliação do modelo assistencial para um alcance mais integral e equitativo da população mais periférica da cidade de São Paulo; sem afetar um dos pilares do SUS que é a humanização. Nesse sentido, tendo a APS como estruturante na RAS, a telemedicina se mostra estratégica para a ampliação do cuidado em saúde pois aumenta a oferta de vagas direcionadas à população. Além disso, cria na população a cultura do atendimento virtual. Além de ser uma ferramenta de inclusão digital para idosos, 22% dos atendido até o momento foram maiores de 60 anos. A intimidade com este modelo possibilitará que em breve no SUS tenhamos atendimento aos usuários em seus domicílios através das TDICs. Ademais, temos um fato inegável: a telemedicina chegou e hoje faz parte da realidade da assistência médica contemporânea. Que possamos participar como agentes transformadores e coparticipantes desta revolução no campo da saúde, principalmente no SUS.
telemedicina, SUS, Unidades de saúde
Jônatas Lima de Bem Nunes, Ernani Pereira da Cunha, Rogério Gentil Bellot, Clevia da Silva Pampolha, Allan Gomes de Lorena, Marcos Rafael Rodrigues Soares