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A Atenção Primária à Saúde (APS) enfrenta desafios no cuidado em saúde mental, relacionados à elevada demanda, dificuldade de acesso a especialistas e necessidade de qualificação contínua das equipes. Na Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Leste, território marcado por alta vulnerabilidade social e com 67,8% da população dependente do Sistema Único de Saúde (SUS), essas limitações impactam diretamente a resolutividade do cuidado. Nesse cenário, a teleassistência em psiquiatria apresenta-se como estratégia para ampliar o acesso a especialistas, qualificar o manejo clínico e fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Amparada pelas Portarias SMS nº 123/2021 e nº 804/2024, que regulamentam e atualizam as práticas de teleassistência no município de São Paulo, a implantação da Telepsiquiatria na APS busca apoiar as equipes multiprofissionais, reduzir encaminhamentos desnecessários e otimizar o fluxo assistencial, preservando o cuidado territorializado e o vínculo com o usuário.
Ampliar o acesso a especialistas em saúde mental na APS; reduzir barreiras geográficas e de tempo; qualificar o cuidado ofertado pelas equipes no manejo de casos complexos; reduzir encaminhamentos desnecessários para a atenção especializada; promover educação permanente por meio do apoio matricial remoto; fortalecer a integração da Rede de Atenção Psicossocial; e aprimorar a tomada de decisão clínica a partir da discussão multidisciplinar de casos.
Relato de experiência da implantação da Telepsiquiatria na APS da Coordenadoria Regional de Saúde Leste, iniciada em dezembro de 2023, por meio da Plataforma de Saúde Paulistana. A estratégia contemplou teleconsultas, teleinterconsultas e ações de telematriciamento, conforme orientações da Nota Técnica CAB/SEABEVS nº 09/2023. Em agosto de 2024, a iniciativa foi expandida 14 Unidades Básicas de Saúde do território, abrangendo 12 equipes multiprofissionais (eMulti). Em outubro de 2024, foi iniciada a implantação do monitoramento sistemático da estratégia, incluindo indicadores assistenciais e pesquisa de satisfação dos profissionais. Foram definidos critérios de elegibilidade para utilização da telepsiquiatria e realizada reorganização dos processos internos de trabalho, visando maior eficiência, segurança da informação e padronização do acesso.
No período de janeiro de 2025 a dezembro de 2025, foram realizadas 3.398 teleconsultas e teleinterconsultas em saúde mental. Observou-se redução do absenteísmo, conforme série histórica monitorada pelo sistema SIGA. Foram aplicadas 2.493 pesquisas de avaliação, com elevado grau de satisfação dos profissionais em relação à experiência no teleatendimento. Destacaram-se o acesso facilitado a especialistas, maior segurança no manejo clínico, qualificação contínua em serviço e fortalecimento do trabalho em rede. A estratégia contribuiu para a redução de encaminhamentos desnecessários, aumento da resolutividade da APS, otimização do tempo assistencial e diminuição das longas esperas por avaliação especializada, favorecendo o cuidado oportuno e integral aos usuários.
A implantação da Telepsiquiatria na APS da CRS Leste mostrou-se estratégia efetiva para qualificar o cuidado em saúde mental, ampliar o acesso a especialistas e fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial em território de alta vulnerabilidade social. Os resultados evidenciam ganhos na resolutividade, na segurança clínica das equipes e na satisfação dos profissionais. Apesar dos avanços, a consolidação da teleassistência requer enfrentamento de desafios relacionados à infraestrutura tecnológica, segurança da informação e capacitação permanente. A experiência reforça que a tecnologia é ferramenta estratégica de apoio ao cuidado, sem substituir a centralidade das relações humanas, do vínculo e do trabalho em equipe no SUS.
Telepsiquiatria
JULIANA MENDES DE MELO VIDAL, MAISA GRANDE DOS SANTOS, FERNANDA MARIA DE SOUZA MORALES