Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Considerando as diretrizes ministeriais, os níveis de governo do Sistema Único de Saúde em suas respectivas responsabilidades, devem garantir assistência à concepção e contracepção, como parte das demais ações que compõem a assistência integral à saúde de modo sensível e em tempo oportuno, a partir das reais necessidades da população nas dimensões dos direitos reprodutivos e sexuais. Os desafios relacionados a anticoncepção, juntos às equipes de saúde são configurados desde questões relacionadas ao acesso, insumos, organização dos processos de trabalho, profissionais disponíveis e capacitados, até aos aspectos sociais, culturais, morais e afins que demandam estratégias técnicas e de gestão para a oferta sustentável dos métodos anticoncepcionais com a ativa participação dos usuários e usuárias com atenção singular às vulnerabilidades dos territórios. Neste contexto, o Município de Suzano, além dos métodos preconizados pelo Ministério da Saúde e dos movimentos para a garantia dos direitos reprodutivos e sexuais, vem implementando por meio da gestão compartilhada com diversos atores da Rede SUS, a oferta do Implante Subcutâneo de Etonogestrel para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Ampliar o cuidado integral às mulheres em situação de vulnerabilidade, por meio da oferta do dispositivo subcutâneo, articulada nas discussões com profissionais de diferentes pontos de atenção à saúde sobre a relevância de planos de intervenção singulares para atender as diferentes necessidades das mulheres de planejamento familiar para mulheres em idade fértil, em situação de vulnerabilidade social, vítimas de violência que são acompanhadas pelo Núcleo de Prevenção à Violência, mulheres com transtorno mentais graves e severos (acompanhadas pelo CAPS), mulheres que vivem com HIV, mulheres em uso de Talidomida, mulheres em tratamento de tuberculose e adolescentes. Fortalecer as intervenções para a redução da gravidez não planejada, da mortalidade materna e neonatal, em especial na adolescência.
Foram realizadas reuniões de articulação com gestores dos serviços envolvidos para a discussão do aprovisionamento de compra dos insumos, dos critérios da oferta, da construção de fluxos de acesso e necessidades de capacitação técnica para a abordagem das mulheres, manejo técnico e monitoramento. Em todas as etapas, foram discutidos os avanços e desafios do método como oportunidade de lapidar o cuidado, não somente para a inserção do dispositivo, mas também para levar a equipe a refletir sobre a sua prática nas condições de vulnerabilidade e de agravo à saúde. Vale pontuar que o hormônio feminino, produzido em laboratório, se assemelha a progesterina que libera uma pequena quantidade de etonogestrel continuamente na corrente sanguínea e sua ação impede que o óvulo seja liberado do ovário (anovulação). Altera a secreção do colo uterino, dificultando a entrada de espermatozoide no útero. Ocorre também, a atrofia do endométrio e a alteração da motilidade tubária. A inserção do Implante Subdérmico é um procedimento simples, podendo ser realizados por médico não especialista, incluindo o generalista da Atenção Básica. A capacitação dos profissionais aconteceu num primeiro momento com os representantes comerciais do dispositivo, pela expertise, e seguiu no segundo momento, com uma Ginecologista Obstetra da rede que matriciou a inserção nas unidades de saúde na população elegível e aconselhada previamente e orientadas pelas respectivas equipes sobre temas afins.
O principal resultado deste processo para além das 316 inserções, é a sensibilização das equipes para o reconhecimento de vulnerabilidades no contexto do acesso aos métodos anticoncepcionais, aliado as intervenções de abordagem, assistência e monitoramento, mais sensíveis e oportunos na gestão do cuidado integral à saúde. Os movimentos do matriciamento e das discussões intrasetoriais, fortaleceram o trabalho em rede e ampliaram o olhar para as reais necessidades das mulheres em seus territórios vivos que num breve tempo, poderão transformar indicadores de saúde na cidade de Suzano.
O processo de gestão compartilhada da oferta do dispositivo subdérmico para as mulheres em vulnerabilidade social, caminha pela garantia do direito a contracepção e a liberdade de escolha do método, de forma prática e segura e redireciona o olhar dos profissionais de saúde e comunidades sobre os direitos sexuais e reprodutivos.
cuidado-vulnerabilidade-implante-subdérmico
Alcione Cristiana de Sena Almeida, Isabella Masirevic Lozano Navajas