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A análise do perfil epidemiológico da unidade evidenciou a necessidade de um instrumento que facilitasse a realização de avaliações em campo, otimizando o trabalho dos profissionais e eliminando etapas duplicadas de registro. Além das dificuldades relacionada a um aumento expressivo de idosos (≥ 60 anos) ativos laboralmente e ausentes de seus domicílios no horário comercial (das 8h às 17h). Conforme as Diretrizes da Atenção Básica do município de São Paulo, a Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (AMPI) é uma ferramenta imprescindível para o cuidado integral. A partir disso, identificou-se a necessidade de ampliar o olhar para a diversidade dos perfis, rotinas e necessidades dos idosos pertencentes ao território, superando abordagens padronizadas e pouco sensíveis ao contexto individual.
Aumentar o número de avaliações dos idosos do território da unidade de saúde por meio de estratégias de fortalecer o vínculo, garantir continuidade do cuidado e assegurar as reavaliações conforme os resultados obtidos.
O relato refere-se a uma experiência desenvolvida em uma Unidade Básica de Saúde localizada em território urbano do município de São Paulo, caracterizado por alta densidade populacional, diversidade socioeconômica e significativa proporção de idosos. As ações foram realizadas no âmbito da Estratégia Saúde da Família, envolvendo equipes multiprofissionais, com destaque para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e profissionais de enfermagem. A estratégia consistiu na reorganização das visitas domiciliares, com adequação dos horários de abordagem (entre 10h e 17h), período em que os idosos eram encontrados com maior frequência em seus domicílios. Como apoio ao processo avaliativo, foi utilizado um instrumento digital acessado por QR Code, desenvolvido a partir de formulários padronizados, com o objetivo de facilitar o registro das informações durante as ações em campo. Ressalta-se que este trabalho se caracteriza como relato de experiência, não envolvendo análise de dados clínicos individualizados, identificação de usuários ou utilização de informações extraídas diretamente de prontuários eletrônicos, atendendo às recomendações éticas vigentes. A partir da aplicação da AMPI, os profissionais passaram a refletir sobre os principais eixos de atenção à saúde da pessoa idosa que demandavam maior vigilância no território, tais como: funcionalidade, risco de quedas, condições crônicas, saúde mental, suporte social e adesão ao cuidado.
Sob a perspectiva dos colaboradores envolvidos, a estratégia promoveu expressiva ampliação do acesso dos idosos à avaliação multidimensional, além de maior aproximação entre equipe e território. Observou-se melhora na organização do processo de trabalho, otimização do tempo em campo e fortalecimento do vínculo com os usuários. A cobertura da AMPI no território apresentou crescimento relevante ao longo do período de implementação, refletindo maior capilaridade das ações e adesão dos idosos às abordagens propostas. Além disso, os profissionais relataram maior clareza na identificação de vulnerabilidades prioritárias e na condução do cuidado de forma longitudinal e resolutiva
Considerações Finais A experiência evidenciou que a combinação entre reorganização do processo de trabalho, uso de tecnologias digitais simples e abordagem territorial ativa pode ampliar o acesso, qualificar a assistência e fortalecer a gestão do cuidado à pessoa idosa na Atenção Básica. Do ponto de vista dos colaboradores, o sucesso da estratégia esteve diretamente relacionado ao conhecimento prévio do território, à compreensão da dinâmica cotidiana dos idosos e ao engajamento da equipe multiprofissional na construção de vínculos e no trabalho colaborativo. Conclui-se que iniciativas baseadas na flexibilização das práticas assistenciais, aliadas ao uso responsável de ferramentas digitais e ao protagonismo das equipes, representam caminhos viáveis e efetivos para aprimorar a avaliação, o acompanhamento e a continuidade do cuidado à população idosa, respeitando os princípios éticos e organizacionais do Sistema Único de Saúde
Atenção básica, saúde da pessoa idosa, avaliação m
MOISÉS PEREIRA DA SILVA