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Neste trabalho tratamos do programa brasileiro da saúde que tem como público específico a população que vemos todos os dias pelas vias públicas: a população em situação de rua. Este trabalho é um breve relato sobre a experiencia de implementar uma equipe de consultório na Rua desde Sua Primeira Inauguração. A inauguração de um serviço pressupõe um trabalho sensível e necessário: a construção de territórios de cuidado, o que Paula Souza & Macerata (2015) propõe como uma inversão da lógica do urbano, que é pautada na dinâmica de exclusão das cidades. Para tal, faz-se necessário partir do território, pisar em chão vivo e, com isso, tecer caminho. Este trabalho em específico trata da implementação de uma equipe em um território que contempla duas Supervisões Técnicas de Saúde do município de São Paulo (SP): Perus e Pirituba. Territórios marcados pela grande dispersão de áreas, história com a loucura e relação com movimentos sociais, além de uma história recente e conflituosa de equipamentos voltados ao atendimento à população em situação de rua. Os equipamentos não só não são bem aceitos pelos moradores, como se questiona sua necessidade pela imaginária (in)existência deste público na região.
Esta produção tem como objetivo relatar a experiência de implementação de uma equipe de Consultório na Rua. Com isso, objetivamos ampliar nosso horizonte de cuidado na medida em que nossa perspectiva se expande, aumentando o protagonismo das equipes e usuários, qualificando a assistência prestada
O estudo usa como referencial teórico o construcionismo social, que coloca em ênfase a linguagem, por meio da qual os sujeitos estão a todo o momento construindo sentido sobre suas experiências (Jorge &Corradi-Webster, ano), o que permite abrir novas construções de sentido. Ademais, ser realizada revisão bibliográfica com seleção de artigos publicados. SOBRE O TEMPO: Adaptação frequente e constante da equipe à dinâmica do território e dos usuários. O vínculo não se constrói no tempo do desejo/projeção dos profissionais da equipe; mas a partir da possibilidade de se estabelecer relação de confiança. SOBRE A INSISTÊNCIA: A insistência em habitar os territórios é tarefa necessária, Tal insistência constante é fortalecida por apoio mútuo entre trabalhadores em rede, que costuram os retalhos com as mesmas linhas e agulhas desta trama sempre em construção: a do cuidado humanizado, da equidade e da garantia de direitos. SOBRE O PARALELISMO: a invisibilidade vivenciada cotidianamente pela população em situação de rua se faz presente no cotidiano da equipe. As equipes de Consultório na Rua, enquanto serviço de saúde identificado a esta população vai também colocando em evidência esses furos na rede, impondo que o Sistema Único de Saúde reveja seus conceitos de saúde e exige que os profissionais de saúde “(re)inventem suas práticas de cuidado […] se transformando a cada dia para assim construir uma base de trabalho agregadora, e estranhando protocolos rígidos e pré estabelecidos.
Este trabalho objetiva relatar o processo de implementação de uma equipe de consultório na Rua , em um território onde não há recursos para subexistencia desta População especifica, principais desafios e experiências exitosas em quase dois anos de construção de processos de trabalho.
Concluímos que, mesmo com os desafios encontrados no cotidiano, equipe tem atingido resultados importantes no que diz respeito a construção de vínculos com os usuários, o que tem possibilitado realizar ações de redução de danos, diagnostico e tratamento de algumas doenças importantes ‘in loco “, até que este sujeito esteja pronto para reassumir o protagonismo de sua vida, tivemos algumas experiencias marcantes e exitosas, tais como o tratamento diretamente observado de tuberculose atingindo a cura, o resgate da dignidade e cidadania, promovendo autonomia de alguns usuários que conseguiram retomar sua dignidade/identidade e retornar para suas famílias. Sempre trabalhando com a rede intra e intersetorial. Importante ressaltar que todo trabalho de construção de rede é formado por pessoas; estas atravessadas pelos determinantes sociais e territoriais, o que interfere nas ideologias e modos de fazer. Sendo assim, à medida em que narramos nossa prática, novos olhares surgem possibilitando o cuidado humanizado de forma equanime no caminho da garantia de direitos.
implementação; consultório na rua
FABIANA CARLA DE SOUZA E SILVA