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O uso da telemedicina ocorre quando o profissional de saúde faz uso de tecnologias como computadores, câmeras, telefones e mensagens de texto para diagnosticar e tratar pacientes remotamente. A telemedicina recebeu enfoque importante no cuidado ao paciente especialmente após pandemia SARS-COVID-19 e depois de devidas regulamentações, hoje o recurso se consolida como uma boa ferramenta de atendimento médico. Como vantagens para o paciente, destaca-se economia financeira e de tempo (evita-se deslocamentos). Apesar do entusiasmo com estas novas tecnologias, sabemos que há desafios no processo de implementação e expansão do uso destes novos protocolos, como por exemplo, questões de acesso dos pacientes a tecnologias, organização e operacionalização do serviço de saúde para manter a qualidade do atendimento remotamente.
.Relatar como foi o processo de idealização, organização e execução da telemedicina no Hospital Municipal Vila Santa Catarina (HMVSC) em São Paulo-SP, Brasil.
No HMVSC existia um modelo de telemedicina sem o uso de plataforma específica durante a pandemia COVID-19. Na ocasião, realizávamos telemedicina através de celulares de uso pessoal entre médicos e paciente e a enfermagem navegadora auxiliavam na organização. Em julho de 2023 começamos a desenhar o projeto de telemedicina para o setor de ambulatórios do hospital, de forma que o processo fosse formalizado. Em agosto de 2023 criou-se então um ambiente virtual chamado Cockpit Einstein no qual o paciente pudesse, por videoconferência, fazer contato com o médico. Nessa mesma plataforma o profissional de saúde tem espaço para registrar os atendimentos e condutas. Foi constituído também um termo de consentimento aos moldes da nova LGPD que é enviado por mensagem de texto para o paciente para consentir o atendimento remoto. Após a idealização da plataforma, a equipe médica foi orientada a como obter certificado digital para assinatura digital de documentos e também foi treinada para uso da plataforma supracitada. Em novembro de 2023, o projeto piloto foi instituído, com atendimento virtual de pacientes da oncologia colo retal.
. O projeto piloto tem se demostrado eficiente, porém há alguns desafios pela frente. Primeiramente, na escolha dos pacientes que podem ser atendidos via telemedicina. Sabemos que os pacientes oncológicos podem ter mudanças em seu quadro clínico de forma repentina, havendo então o risco de um atendimento remoto necessitar ser convertido para uma avaliação médica presencial. Alguns pacientes, por não estarem habituados a esta tecnologia, podem se sentir inseguros para esse tipo de atendimento. Além disso, há dificuldades pontuais com o uso da nova tecnologia implementada- o sistema de atendimento (cockpit).
Em nosso serviço a telemedicina tem se mostrado como modalidade de atendimento promissora. Apesar disso, sabemos que dificilmente será indicada a todos os pacientes. Compartilhar experiências contribui para a construção de um processo de telemedicina sólido e possível de ser escalado para outros centros de saúde no Brasil.
Telemedicina, oncológico
POLIANA BERGAMASCHINE GIOVANI BLASI, Vanessa Montes Santos, Julia Carole Medeiros de Melo, Gislaine Fernandes Silva, Herbert Santana Oliveira, Fabiana Rolla, ALBERT BOUSSO, Rodolfo Bergamasco