Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Atenção Primária à Saúde (APS), responsável pela coordenação do cuidado e ordenação das redes, deve ser o primeiro acesso do usuário a Rede de Atenção à Saúde (RAS). Com sua atuação inclinada a longitudinalidade, é inevitável a construção de vínculo com os usuários. Portanto, deverá ser a primeira opção de busca nos casos de necessidades destes¹. Dito isto, podemos afirmar que usuários buscam as unidades apresentando diversos sintomas, dentre estes, sintomas críticos, podendo degenerar durante o atendimento. Entre as complicações de quadros graves está a parada cardiorrespiratória, condição grave, que pode evoluir a óbito². Estudos que abordaram o atendimento de emergência na APS, concluíram que os profissionais apresentam inúmeras dificuldades relacionadas a falta de conhecimento e prática e falta de instrumentalização pela instituição.2,3 A implementação de Times de Resposta Rápida – Código Azul para atendimento na APS, bem como a capacitação destes colaboradores, são estratégias desenvolvidas para instrumentalizar e garantir o atendimento adequado, segundo diretrizes da American Heart Association. Os profissionais, que realizam suas atividades em unidades básicas, sendo estas quase que em sua completude associadas a ações de prevenção e promoção, estão preparados para atuar em um cenário de parada cardiorrespiratória?
Este estudo tem por objetivo discorrer sobre a experiência da implementação de TRR – Time de Resposta Rápida nas 13 unidades do território de Vila Maria/Vila Guilherme, através de capacitações in loco. E ainda, identificar se houve ampliação do conhecimento, por parte destes profissionais acerca do atendimento ao paciente em parada cardiorrespiratória (PCR).
Trata-se de uma pesquisa de campo, de caráter quantitativo e desenvolvida por meio de reorganização dos processos de atendimento a cenários de urgência e emergência na APS, no território de Vila Maria/Vila Guilherme, aplicado nas 13 unidades. Iniciado em 2020, através da capacitação de Multiplicadores em Atendimento a PCR. Este grupo participou de capacitação, para qualificação e aprimoramento de suas práticas, com o objetivo de capacitar os demais colaboradores do território. O projeto inicial teve foco na capacitação do corpo de enfermagem. E, este layout perpetuou até o final de 2022. No início de 2023, com o desafio da certificação das unidades em ONA I e a constante percepção da necessidade de qualificar profissionais e processos, além das capacitações mensais, foi iniciado projeto de implementação do Time de Resposta Rápida, com a participação de equipe de enfermagem e equipe médica. Sendo essas capacitações realizadas in loco, portanto, na realidade de atendimento destes profissionais e focada nos representantes deste time, que se tornariam referência para este atendimento. E, para avaliação da eficácia deste novo método, foram aplicados pré e pós testes em um total de 134 colaboradores. Avaliação constituída de 10 questões objetivas.
Após tabulação do resultado dos testes aplicados aos 134 colaboradores previamente e posteriormente a capacitação, identificamos melhora significativa no resultado dos pós testes, no que diz respeito ao conhecimento por parte dos profissionais em relação a atuação destes em cenário de PCR na APS. A média de acertos no pré-teste foi de 40%, sendo a média de acertos nos pós teste significativos 70%.
Considerando o explanado, pode-se afirmar que durante o atendimento a PCR nos deparamos com profissionais que apresentem inúmeras dificuldades, resultando em um atendimento inadequado, desorganizado e por vezes conflituoso. É fundamental que os profissionais de saúde sejam preparados para atuar frente às decisões e ações de uma PCR, pois se tomadas em segundos salvam a vida da pessoa.4 Importante ressaltar a responsabilidade da instituição em desempenhar o papel de desenvolver e aprimorar as competências técnicas dos colaboradores, através de educação permanente em saúde. A definição de EPS assumida pelo Ministério da Saúde se configura como aprendizagem no trabalho, onde o aprender e o ensinar se incorporam ao cotidiano das organizações. Em 2004 o Institute for Healthcare Improvement (IHI) promoveu o desafio “Campanha 100.000 Vidas”. Entre as metas propostas destaca-se a implementação do Time de Resposta Rápida (TRR). Em estudo realizado com enfermeiros que atuavam como integrantes do TRR em unidade não crítica. 3, 5 A percepção da estratégia de TRR foi extremamente positiva, uma vez que a enfermagem desempenha papel protagonista na detecção precoce de PCR e na tomada de decisão rápida para acionar o time.
parada cardiorrespiratória,time de resposta rápida
Aline Souza Lima Nicoleti, Amanda Gonçalves Freitas Honda, Daniele Vieira da Silva, Renan Jonathan de Paiva, Priscila Toledo Vidal Lopes