Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O vírus do Mpox (MPXV) foi identificado pela primeira vez em 1958, acometendo macacos de laboratório. Os primeiros casos registados em seres humanos ocorreram em 1970, na República Democrática do Congo (RDC). Nos EUA, especialmente no Texas em 2022, ocorreu um surto, causado por ratos importados da Gana, no qual 71 pessoas foram infectadas, mas não houve mortes. Em 2017, ocorreu na Nigéria um surto com 200 casos. (SES,2024) A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou Emergência em Saúde Pública devido a ocorrência de casos em países não endêmicos em julho de 2022 e em 14 de agosto de 2024 a OMS decretou pela segunda vez Emergência em Saúde Pública movida pelo aumento expressivo de casos. O MPXV é um vírus que tem como principal forma de transmissão o contato próximo pessoa a pessoa e com reservatórios animais ainda desconhecidos. Tornando fundamental que medidas sejam adotadas para a interrupção da cadeia de transmissão. Visando aumentar a sensibilidade diagnóstica e padronizar a conduta perante a casos que atendessem a definição, o Núcleo de Doenças Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (NDCIST) da Vigilância Epidemiológica do Município de Osasco em setembro de 2024, após reunião elaborou material gráfico em Power point detalhando passo a passo as condutas a serem seguidas para identificação precoce de casos suspeitos, qualificando a assistência, otimizando o processo de trabalho para minimizar os riscos de transmissão da doença.
•Construir fluxo de enfrentamento do Mpox com o objetivo de nortear de forma concisa e prática as condutas das equipes das Unidades Básicas de Saúde, serviços de urgência e emergência e hospitalares perante possíveis casos suspeitos e confirmados. •Garantir assistência qualificada e uniforme. •Padronizar os processos de trabalho pertinentes ao cuidado integral à saúde dos casos suspeitos e confirmados de Mpox, tornando mais seguro o atendimento, garantindo as medidas de biossegurança e reduzindo as possibilidades de contágio e disseminação da doença. •Munir os profissionais das informações pertinentes para assegurar um atendimento ágil, eficaz e resolutivo aos cidadãos.
O cenário epidemiológico incentivou o NDCIST a discutir formas de apropriar a rede com informações técnicas e cientificas, através de uma comunicação efetiva. A solução encontrada foi elaborar um documento de fácil compreensão detalhando o passo a passo as condutas a serem adotadas diante a casos suspeitos e confirmados de Mpox. O documento pode ser acessado facilmente em qualquer etapa do atendimento aos casos, guiando os profissionais nos procedimentos técnicos. Elaborou-se um fluxo para Mpox em arquivo PowerPoint e compartilhado via e-mail para todos os equipamentos de saúde contendo os seguintes tópicos: •Sumário •Quando notificar? (Descreve a definição de caso) •Notificação (link do CEVESP para inserção e consulta das notificações) •Coleta de exames laboratoriais (link de vídeo demostrando a técnica da coleta de PCR Mpox, detalhamento dos cuidados necessários com as amostras, tipo de material a ser utilizado, envio das amostras, forma de comunicação com a Vigilância Epidemiológica e detalhamento da coleta dos diferenciais). •Descrição do registro amostra no ambiente laboratorial do Instituto Adolfo Lutz) •Isolamento do paciente (compilado das orientações pertinentes ao isolamento) •Monitoramento do caso e dos contatos (padronização do monitoramento). Semanalmente o NDCIST realiza a vigilância ativa dos casos que consiste na busca ativa através do levantamento de atendimentos dos serviços de urgência e emergência em prontuário eletrônico com a hipótese diagnóstica
No ano de 2022 foram notificados 398 casos suspeitos sendo que 20% foram confirmados para Mpox, em 2023 das 66 notificações apenas 6% tiveram confirmação, no ano de 2024 das 110 notificações 40% tiveram a confirmação diagnóstica, comprovando-se a importância de se manter a rede assistência provida de informações técnico cientificas e alinhada com os processos de trabalho. Em relação a vigilância ativa que consiste na busca ativa de casos pela vigilância epidemiológica através do levantamento de atendimentos dos serviços de urgência e emergência em prontuário eletrônico com a hipótese diagnóstica de Mpox foram encontrados 14 casos suspeitos para Mpox sendo que 04 destes casos após investigação minuciosa não atendiam a definição de caso e foram descartados e 60% dos demais casos já estavam notificados evidenciando que a rede estava sensível a identificação e suspeita de novos casos de Mpox. Nos casos confirmados, identificou-se apenas um caso com vínculo epidemiológico, tratava-se de um casal homo afetivo que compartilhavam a mesma residência evidenciando que as orientações de isolamento fornecidas pelas equipes de saúde foram compreendidas e aplicadas pelos pacientes. Não houve a notificação de nenhum profissional da saúde atuante na assistência direta aos usuários suspeitos ou confirmados para Mpox corroborando com a aplicação de medidas de biossegurança implementadas adequadamente.
A construção e implantação de um fluxo para o manejo da Mpox é essencial para garantir a eficácia no controle e prevenção da doença no município. O fluxo define etapas claras, desde o acolhimento até a alta do paciente, com o objetivo de reduzir o tempo de espera, evitar a sobrecarga dos serviços de saúde e proporcionar um tratamento mais eficaz. Visa oferecer um atendimento estruturado e ágil para casos suspeitos e confirmados, garantindo a segurança da população. Com fácil acesso às condutas, fortalece o vínculo entre os serviços de saúde e a vigilância epidemiológica. A adoção de critérios claros para identificar casos suspeitos é fundamental para a contenção da disseminação do vírus, e a vigilância contínua permite ações rápidas de contenção. É necessário que os profissionais estejam bem-preparados para diagnosticar, tratar e orientar os pacientes, além de seguir as normas de biossegurança. O sucesso da implantação do fluxo reflete o compromisso dos profissionais com a proteção da saúde pública.
MPOX, Fluxo, Processos de Trabalho
MONICA CRISTINA DA SILVA ANDRADE, NEIDE DA CRUZ, RAFAEL DE SOUSA ALVES, ALAN SILVA CRIPALDI, SATIRO MARCIO IGNACIO JUNIOR