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A experiência foi desenvolvida no Distrito do Jardim São Luís, território marcado por profundas desigualdades raciais, sociais e econômicas, que influenciam diretamente os modos de viver e adoecer da população. Segundo dados locais, 49,8% dos usuários atendidos são pessoas negras e 8,5% se autodeclaram amarelas, revelando um cenário que demanda ações específicas de equidade. De acordo com o IBGE (2010), o território apresenta 51,8% de população feminina, e estimativas da Fundação Seade (2022) indicam que 42,2% dos moradores têm entre 0 e 29 anos — um perfil demográfico jovem que reforça a importância de práticas de cuidado estruturadas, contínuas e sensíveis às vulnerabilidades raciais e geracionais presentes no território. Antes da intervenção, observava‑se entre os trabalhadores um desconhecimento técnico expressivo sobre a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), sobre os Determinantes Sociais da Saúde e uma insegurança recorrente na coleta do quesito raça/cor, etapa fundamental para monitorar desigualdades e orientar respostas em saúde. A criação do Grupo Técnico de Saúde da População Negra surgiu, portanto, como estratégia estruturante para promover formação contínua, reflexão crítica e articulação multiprofissional. Participaram apoiadores técnicos, recepcionistas, administrativos, agentes comunitários de saúde e equipes das unidades geridas pela Associação Comunitária Monte Azul.
Objetivo Geral Fortalecer o enfrentamento ao racismo institucional nos serviços de saúde do Jardim São Luís, qualificando a identificação, o registro e a análise dos dados étnico‑raciais como instrumentos para orientar práticas e promover maior equidade no cuidado. Objetivos Específicos • Sensibilizar e mobilizar trabalhadores para reconhecer e enfrentar expressões do racismo institucional no cotidiano dos serviços. • Promover a apropriação crítica da PNSIPN, integrando seus princípios às necessidades do território. • Ampliar a compreensão histórica e estrutural do racismo e seus impactos nos Determinantes Sociais da Saúde. • Aprimorar a qualidade e a consistência dos registros do quesito raça/cor, fortalecendo a produção e uso das informações. • Consolidar um espaço permanente de formação e práticas antirracistas, estimulando diálogo, troca de saberes e construção coletiva de estratégias de cuidado.
A metodologia foi desenvolvida no CTA Monte Azul entre junho e setembro de 2025, estruturada a partir de uma abordagem integrada que articula Gestão em Saúde Baseada em Evidências, os princípios do dispositivo da Educação Permanente em Saúde, e diretrizes da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) e da Política Nacional de Humanização (PNH). Essa combinação permitiu alinhar teoria, prática, participação ativa dos trabalhadores e valorização das vivências territoriais. Foram empregados diferentes dispositivos pedagógicos, como encontros formativos, rodas de conversa, debates histórico‑raciais, estudos dirigidos da PNSIPN, análise dos Determinantes Sociais da Saúde e exercícios práticos voltados à qualificação da coleta e interpretação do quesito raça/cor. As atividades priorizaram a problematização do cotidiano dos serviços, estimulando reflexão crítica, desenvolvimento de competências e incorporação de práticas antirracistas na rotina das unidades.
A experiência gerou resultados expressivos no fortalecimento das práticas de equidade em saúde no Jardim São Luís. Entre os principais avanços, destaca-se a criação e institucionalização do Grupo Técnico de Saúde da População Negra, que passou a operar como espaço permanente de diálogo, planejamento e monitoramento de ações de enfrentamento ao racismo institucional. Sua consolidação ampliou a articulação entre unidades, integrou perspectivas e fortaleceu uma agenda estratégica de cuidado centrada na população negra. Foram realizados encontros formativos e rodas de conversa com profissionais de diversas categorias, ampliando a circulação de saberes, qualificando o entendimento sobre determinantes raciais e reforçando o compromisso ético das equipes com práticas antirracistas. Desse processo, estruturou-se um Percurso Formativo de Letramento Racial, de caráter institucional, destinado aos trabalhadores da coordenação, orientado por discussões teóricas, vivências territoriais e dispositivos pedagógicos voltados à análise crítica das práticas e à intervenção sobre expressões do racismo no cotidiano dos serviços. Como impacto, observou-se maior reconhecimento do racismo como determinante social de saúde, com mudanças concretas na postura profissional e na capacidade de identificar, problematizar e transformar práticas que produzem desigualdades. Houve expansão e qualificação do debate sobre equidade no território. Por fim, manteve-se e aprimorou-se a qualificação da coleta e do p
A experiência evidenciou que a institucionalização de grupos técnicos é uma estratégia fundamental para sustentar ações de equidade racial no território, garantindo continuidade, governança e integração entre equipes. Observou-se que a formação contínua dos trabalhadores é indispensável para qualificar o enfrentamento ao racismo institucional de maneira prática, fortalecendo competências, revisando fluxos e aprimorando o cuidado prestado. A escuta ativa do território e o envolvimento da comunidade contribuíram para legitimar as ações e orientar decisões baseadas nas necessidades reais da população, especialmente da população negra. Recomenda-se iniciar processos de diagnóstico situacional com dados étnico-raciais qualificados, assegurando apoio institucional da gestão para consolidar as ações. É essencial integrar a experiência às políticas de Educação Permanente e Humanização, reconhecendo a transversalidade da Saúde Integral da População Negra em todas as linhas de cuidado. Além disso, trabalhar de forma intersetorial, articulando-se com políticas voltadas para mulheres, juventude, infância e assistência social, reforça a capacidade de enfrentar desigualdades de modo mais abrangente e sustentável.
Equidade; Antirracismo; Políticas Públicas;
AMANDA APARECIDA DE JESUS FREITAS, VERA MARIA DA SILVA RIBEIRO, SIMONE CRISTINA RAIMUNDO DOS SANTOS, ANDRELINA RAFAELA RENY DE ARAÚJO MALCIDES, FAGNER RAELITON FERREIRA DE OLIVEIRA, LUANA BEZERRA