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A tuberculose é uma doença infectocontagiosa com grande incidência em países em desenvolvimento, como o Brasil. Além disso, a taxa de abandono de tratamento se mantém elevada ao longo dos anos, o que contribui para o aumento do número de óbitos e o aparecimento de bactérias multirresistentes. O tratamento disponível pelo Sistema Único de Saúde é 100% eficaz quando realizado de maneira correta e durante o tempo recomendado, deste modo, a não adesão medicamentosa pode ser considerada um dos principais obstáculos para a erradicação desta enfermidade (BRASIL, 2017). O agente causador é o Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch que é transmitido principalmente pelos portadores da tuberculose pulmonar através das gotículas expelidas pela tosse, espirro ou fala. Desse modo, a apresentação pulmonar é a mais incidente e a que apresenta maior relevância para a saúde pública, por ser a responsável pela manutenção da cadeia de transmissão da doença (FIOCRUZ, 2019). A reavaliação do fluxo de dispensação dos medicamentos e do acompanhamento dos pacientes com tuberculose na Atenção Primária, com a inclusão do farmacêutico, pode contribuir para a adesão à farmacoterapia. Atualmente, a dispensação segue as recomendações do protocolo de Tratamento Diretamente Observado realizado por enfermeiros ou técnicos de enfermagem sem nenhuma consulta ou intervenção do farmacêutico.
Relatar a experiência de implantação de um fluxo de Acompanhamento Farmacoterapeutico em pacientes com diagnóstico de tuberculose na UBS Vila Praia refletindo nas possíveis ações desse profissional como estratégia para melhorar a adesão e diminuir a multirresistência.
O fluxo de acompanhamento ao paciente com tuberculose, deu-se na seguinte sequência: Após o diagnóstico, antes de iniciar o tratamento medicamentoso, o paciente passa em consulta com o farmacêutico da UBS, este profissional coleta os dados clínicos do paciente e avalia o risco de abandono ao tratamento ou desfechos desfavoráveis, realiza revisão da farmacoterapia, busca por interações medicamentosas e fornece orientações sobre o uso adequado dos medicamentos prescritos e informações sobre os possíveis efeitos adversos, além de reforçar os riscos da não adesão. O modelo sugeriu inicialmente três consultas: 1) acontece no primeiro mês do tratamento por ser um momento considerado crítico, no qual o paciente pode decidir não seguir com o tratamento. Desse modo, é indispensável que os profissionais forneçam orientações claras e que elucidem ao indivíduo a importância do tratamento e os riscos da TB; 2) prevista após dois meses, tinha como metas a avaliação clínica e alteração do esquema farmacológico (fase de manutenção); 3) a critério do profissional, mas inicialmente prevista para o último mês de tratamento a fim de realizar a avaliação final e encerrar o tratamento medicamentoso.
Durante o período de 06/2023 à 12/2023 foram atendidos pelo farmacêutico, 06 pacientes sendo 03 mulheres e 03 homens, em que, 01 paciente apresentou reação adversa ao medicamento e 01 paciente retornou o tratamento após intervenção farmacêutica. Foram avaliados os seguintes critérios: proporção de pacientes para os quais o farmacêutico participou do plano de cuidado x proporção de problemas relacionados à farmacoterapia abordados e resolvidos pelo farmacêutico. Proporção total de prescrição x Proporção de conformidade na prescrição.
O farmacêutico clínico é um profissional estratégico que pode atuar diretamente com a ESF e com o EMAB a fim de alcançar as metas estabelecidas pela OMS para erradicação da tuberculose e é necessário fornecer estímulos e estrutura adequada para esse profissional conseguir cuidar do paciente. A inserção do acompanhamento farmacoterapeutico na Atenção Primária, proposta deste trabalho, pode contribuir com a melhora da adesão aos fármacos.
Assistência Farmaceutica
CRISTIANE DOS ANJOS MARON, MUNIQUE BERTONI LIMA DA SILVA