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O serviço de Acompanhamento Farmacoterapêutico e cuidado clínico teve sua gênese nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da Aparecida, Embaré e Ponta da Praia, no município de Santos/SP, em junho de 2025. Alinhado às prerrogativas do Conselho Federal de Farmácia (CFF), o Cuidado Farmacêutico (CF) configura-se como um modelo de prática assistencial centrado no usuário, integrando ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, pautadas no Uso Racional de Medicamentos (URM). A relevância desta intervenção fundamenta-se na complexidade do perfil epidemiológico local, caracterizado por um elevado índice de envelhecimento populacional e pela fragmentação do cuidado entre os níveis de atenção primária e especializada. Tal cenário corrobora para a prevalência da polifarmácia (uso de cinco ou mais fármacos), aumentando exponencialmente o risco de Problemas Relacionados à Farmacoterapia (PRF) e Eventos Adversos (EAM). A justificativa técnico-assistencial reside na necessidade premente de mitigar a baixa adesão terapêutica e estabilizar quadros clínicos descompensados, otimizando o desfecho em saúde e a segurança do paciente.
O objetivo precípuo deste serviço é promover o envelhecimento ativo e saudável, garantindo a efetividade e segurança da farmacoterapia. Adicionalmente, busca-se a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da: • Racionalização de custos públicos e redução de desperdícios de insumos; • Minimização de morbimortalidade relacionada a medicamentos, evitando internações e procuras evitáveis por serviços de urgência e emergência; • Fortalecimento da autonomia do usuário frente ao seu autocuidado.
A natureza deste estudo é um relato de experiência de cunho descritivo, baseado na prática profissional da autora. A operacionalização do serviço seguiu um fluxo estruturado em etapas: 1. Diagnóstico Situacional: Avaliação dos processos de trabalho e interação com as equipes multiprofissionais para integração do fluxo assistencial. 2. Estratégias de Captação: Implementação de busca ativa, acolhimento de demandas espontâneas e fluxos de encaminhamento intersetorial. 3. Intervenção Clínica: Realização de consultas farmacêuticas agendadas, com foco em educação em saúde e monitoramento de parâmetros clínicos (especialmente para usuários de insulinas). Foram utilizados instrumentos de coleta de dados e protocolos clínicos baseados em evidências para a sistematização do acompanhamento.
Os resultados preliminares evidenciam, sob a ótica qualitativa, a essencialidade da transição do modelo centrado no produto para o modelo centrado no paciente. Observou-se que a intervenção farmacêutica atua como um elo crítico na resolução de lacunas de compreensão pós-consulta médica, impactando diretamente na adesão terapêutica. No manejo de condições crônicas, como o Diabetes Mellitus, a orientação farmacêutica demonstrou ser um fator determinante para a correta técnica de aplicação e monitorização glicêmica. A reconciliação medicamentosa permitiu identificar o uso de terapias complementares e automedicação, prevenindo interações medicamentosas clinicamente significantes. A agilidade na identificação de PRFs possibilitou intervenções precoces, reduzindo a sobrecarga das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e fortalecendo a rede de cuidado através da educação de cuidadores e familiares.
A institucionalização do Cuidado Farmacêutico nas UBS contribui para a humanização e integralidade da assistência, permitindo uma análise holística do indivíduo em seu contexto biopsicossocial. Conclui-se que o fortalecimento deste serviço é estratégico para a gestão municipal, pois alia a melhoria dos indicadores clínicos à eficiência na alocação de recursos financeiros. Como perspectivas futuras, destaca-se a imperatividade da ampliação do quadro de farmacêuticos clínicos e a integração de ferramentas de saúde digital para a mensuração de indicadores e consolidação de dados epidemiológicos que subsidiem a tomada de decisão na gestão local de saúde.
Cuidado farmacêutico, atenção primária
ANA VIRGINIA PINHEIRO TABARELLI