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Paciente M.L.L de 69 anos, há mais de 10 anos não tinha assistência médica nem odontológica, e não utilizava dos serviços de saúde oferecidos pelo SUS nem na UBS Jardim Carla em que é cadastrada, devido a grande dificuldade de locomoção e não aceitar visitas em sua residência por motivos pessoais. A ACS atual, juntamente com a equipe de enfermagem, aos poucos foram tentando contato, muitas vezes sem sucesso, mas insistiram pra tentar realizar as visitas domiciliares, levando informações sobre saúde, vacinas e incentivá-la a aderir a todos os cuidados e tratamentos que ela necessita. Conversaram com a filha de M.L.L. explicando todos os processos de saúde e cuidado necessários para uma qualidade e expectativa de vida melhor. Enfim, conseguiram o contato e permissão da paciente para conseguir acolhê-la devido a um processo alérgico que ela teve, tendo sido atendida na UPA, onde realizou alguns exames, com resultados não satisfatórios. A partir daí, a filha preocupada entrou em contato com a ACS e relatou o caso, foi quando começou todo o processo da equipe da USF de cuidados e condutas necessárias.
Promover a adesão da paciente ao acolhimento na Estratégia de Saúde da Família, o modelo assistencial da Atenção Básica, que se fundamenta no trabalho de equipes multiprofissionais em um território adstrito e desenvolve ações de saúde a partir do conhecimento da realidade local e das necessidades de sua população; Realizar as visitas domiciliares; Entender a necessidade e as dificuldades da paciente; Atender a paciente de uma forma humanizada para incentivá-la a cuidar de sua saúde em geral, física, sistêmica, psicológica, bucal, levando a ela informações, cuidados, vacinas e consultas para diagnósticos e tratamentos.
Realizando a primeira visita domiciliar, a ACS e a Técnica de Enfermagem, conseguiram realizar uma anamnese minuciosa, entendendo que MLL fica sozinha na residência devido à filha trabalhar, que ela tinha caído, estava acamada, sem conseguir andar, com uma faixa amarrada no braço há anos sem diagnóstico, sem tomar nenhuma medicação de uso contínuo e sem realizar uma alimentação adequada e estava em uma dieta basicamente de miojo. MLL relata ser edêntula e estar com a autoestima baixa devido a isso, pedindo desculpas o tempo todo e tampando a boca. Foi colhido exames para diagnósticos, prescrição e renovação de receitas. O caso foi discutido em reunião com toda a equipe e traçado um plano de tratamento, já que foi diagnosticada com hipertensão, diabetes, ambas descompensadas. Como o Dentista da área estava fazendo um trabalho com o CEO (Centro de Especialidades Odontológicas), na especialidade de Prótese, conseguiu realizar visitas em conjunto com a enfermagem e enquanto se tratava o braço e acompanhava o desenvolvimento do tratamento médico, foram confeccionadas próteses totais nas visitas domiciliares, inteiramente realizadas na residência devido a grande dificuldade de locomoção da paciente, com exceção somente do ajuste que precisou ser realizado na unidade devido ao compressor e micro motor necessários para realizar o procedimento.
Enfrentamos dificuldades nas datas das visitas domiciliares devido às folgas do trabalho da filha e a paciente sozinha não conseguir nos atender, o estilo de vida da paciente começou a mudar com o tempo devido ao acolhimento, ela foi se soltando mais, ficando mais a vontade com a presença dos profissionais, e chegou a nos relatar que um dos motivos de não querer atendimento foi pelo medo de ser destratada e mal atendida, pois já havia acontecido isso no passado. A paciente mudou a alimentação, começou a fazer o uso de medicamentos, que foi mais um desafio para equipe, ainda se mostrava meio resistente ao uso e não tomava corretamente, o braço que estava com descamação devido ao uso indevido da faixa, encontrava-se curado, já estava conseguindo usar a mão livremente, conseguia já se sentar sozinha, andar poucas distâncias, ir ao banheiro, voltando aos poucos a se locomover, e após a finalização da prótese conseguimos levá-la até a Unidade para fazer o ajuste das próteses, transbordando felicidade e gratidão para com a equipe acolhedora.
O trabalho humanizado e multidisciplinar do SUS com a equipe da Estratégia de Saúde da Família na Atenção Primária, muitas vezes com auxílio da RAS, podem mudar conceitos, percepções, ajudar seus usuários de diversas maneiras, pois não visa somente resolver um problema, ele cria ações e condutas diferentes para cada família, cada pessoa a partir da sua necessidade e condição do meio em que vivem, ele acolhe, aumentando assim a qualidade e expectativa de vida, não só momentânea, podemos dizer que ele salva e muda vidas.
ESF, Atenção Básica, Odontologia, Autoestima
Cristiane de Fátima Pereira, Lucas Campos Azevedo, MARILENE SOSA CARDOZO COSTA, Carla da Silva, Andreia Baldim dos Santos, Ana Maria Rodrigues, Cristiane da Costa, Aline Rosa Nogueira Cruz, Kelly Cristina de Oliveira dos Santos, Elaine Cristina Belo Machado, Daniela Cohen