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O tratamento de lesões de difícil cicatrização é um desafio para a equipe de saúde, pois envolve um cenário multidisciplinar e diferentes níveis de atenção à saúde, principalmente o nível primário e secundário. Na tentativa de centralizar estes cuidados e aumentar sua efetividade, surgiram programas e protocolos de manejo no tratamento de lesões de pele que norteiam os cuidados de enfermagem. Com o passar dos anos a necessidade de especializar estes cuidados e protocolos se fez necessária, surgindo então os Polos de Curativos, onde há a atuação de profissionais especializados em tratamento de lesões de pele, que realizam o trabalho de manejo das tecnologias, matriciamento e capacitações com os profissionais da rede de atenção básica, com o intuito de ampliar e qualificar os cuidados a pacientes com este perfil. Com intuito de registrar o sucesso no uso adequado de tecnologias e trabalho intersetorializado este relato de experiência busca discutir a importância de uma assistência multidisciplinar e coordenada entre atenção primária e secundária. Matriciamento é um trabalho em rede que envolve equipes nos diferentes níveis de atenção à saúde, com o objetivo de criar propostas de intervenções terapêuticas, sendo importante para lidar com problemas crônicos e multidimensionais. Algumas ações de apoio matricial são: discussão de casos, atendimentos compartilhados, construção conjunta de projetos terapêuticos, ações de educação permanente.
Descrever a importância do matriciamento na intersetorialidade da assistência aos pacientes com lesões de difícil cicatrização em um Polo de Curativo da região de Vila Mariana/Jabaquara no Município de São Paulo.
Descrição e relato de experiência exitosa, vivenciada entre profissionais de diferentes níveis de atenção à saúde, durante assistência a um usuário com lesão de difícil cicatrização. Na Primeira reunião de matriciamento a equipe discutiu as questões sociais do paciente e como seria viabilizar as novas tecnologias. Foi abordado também, a questão da limpeza e desbridamento das lesões e como os profissionais da atenção primária poderiam contribuir no processo. As trocas eram realizadas 3 vezes por semana, sendo uma vez no Polo de Curativo e duas vezes na Unidade Básica de Saúde (UBS). Após 2 meses de limpeza e desbridamentos, iniciamos a Terapia por Pressão Negativa (TPN). Realizado contato com Enfermeira da Equipe de Saúde da Família para atualização das condutas e matriciamento sobre a tecnologia utilizada. Neste momento, as trocas eram realizadas exclusivamente no Polo, duas vezes por semana, com troca do curativo secundário pela UBS. Após 50 dias de TPN, iniciamos a Terapia Compressiva Multicomponentes (TCM). Outra reunião de matriciamento foi realizada para orientação e manejo da terapia compressiva. O tratamento seguia exclusivamente no Polo, duas vezes por semana, com trocas do curativo secundário na UBS.
Durante todo o tratamento todas as lesões mantiveram boa evolução. Após três meses e meio com TCM, 90% das lesões epitelizaram e o usuário segue tratamento em conjunto entre atenção primária e secundária, o que reforça a importância do trabalho em equipe multidisciplinar, neste contexto esta estratégia foi essencial para manter boa evolução no processo de cicatrização das lesões e consequente melhora na qualidade de vida do usuário.
O manejo de pacientes com lesões de difícil cicatrização é desafiador para a atenção primária à saúde e requer conhecimento científico com um olhar da especialidade e expertise do profissional especialista, para atuação e prescrição de tecnologias no momento certo do processo de cicatrização e suas peculiaridades. Outro fator importante para o sucesso no tratamento de pacientes com este perfil é a integração das equipes multiprofissionais e dos serviços da UBS e do Polo de Curativo, que neste contexto ficou evidenciado com o matriciamento, discussão do caso e tratamento conjunto, o que foi de grande importância para a melhora do paciente.
Matriciamento, lesão, curativo
ALESSANDRA FERREIRA DA SILVA