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A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida é a doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) que compromete o sistema imunológico tornando o organismo mais suscetível a doenças. A incapacidade de resposta adequada a estímulos antigênicos ou infecciosos torna os portadores do HIV/AIDS mais propensos ao desenvolvimento de infecções, geralmente com maior gravidade em comparação à população geral, além de apresentarem uma resposta imunológica menos eficiente a estímulos vacinais. No entanto, mesmo com a resposta reduzida, tais indivíduos podem se beneficiar com a imunização. Ao analisar a situação vacinal da população imunocomprometida no município, observou-se uma baixa adesão à vacinação nas Unidades Básicas de Saúde, motivada pelo constrangimento gerado nas Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (PVHA), que, em razão do desejo de preservar o sigilo sobre sua condição de saúde, evitam acessar as unidades de referência e, por vezes, até mesmo outras unidades de saúde próximas de seus domicílios. Além disso, essas pessoas mantêm vínculo com os locais que oferecem seu tratamento, uma vez que necessitam realizar exames e consultas periódicas, o que facilita a adesão à vacinação. Diante desse contexto, com o objetivo de promover um tratamento mais eficaz e uma melhor proteção para essa população, identificou-se a necessidade de uma abordagem diferenciada, que permita o desenvolvimento de uma estratégia capaz de envolver, orientar e proteger adequadamente as PVHA.
Facilitar o acesso à vacinação para as Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (PVHA), aproveitando o vínculo existente com o Serviço de Atendimento às Doenças Transmissíveis. Aumentar a adesão à vacinação entre a população imunocomprometida, visando proporcionar maior proteção e melhoria na qualidade de vida
A estratégia abordada neste estudo foi fundamentada na integração da vacinação de indivíduos imunocomprometidos ao serviço especializado oferecido às PVHA no ambulatório de referência do município. Após identificar um elevado número de ausências nas Unidades Básicas de Saúde, a Vigilância Epidemiológica (VE), por meio da Central de Rede de Frio, organizou e conduziu, no dia 3 de fevereiro de 2024, um mutirão de vacinação no referido serviço, convocando os pacientes para regularizarem suas cadernetas de vacinação. Dos 72 pacientes faltosos, 29 foram localizados e convocados para a ação de vacinação, e todos compareceram para receber as doses de vacinas prescritas. No total, foram administradas 74 doses de imunizantes, sendo Haemophilus influenzae tipo B, HPV 6, 11, 16 e 18 (recombinante), Meningocócica ACWY e Pneumocócica 13 e 23. No momento do acolhimento, todos os pacientes expressaram satisfação em dar continuidade ao seu esquema vacinal no SADT, destacando o vínculo estabelecido e a sensação de não estarem expostos. Assim, a estratégia de vacinação foi revista e permanece vigente até o presente momento, sendo realizada quinzenalmente, conforme cronograma pré-definido. Os pacientes em Terapia Antirretroviral (TARV) e aqueles em uso de Profilaxia Pós-Exposição (PrEP) são vacinados conforme a prescrição médica ou de enfermeiro(a), além de preencherem, de forma opcional, uma pesquisa de satisfação, que serve como uma ferramenta de avaliação contínua do serviço de imunização
Em razão da elevada adesão dos usuários, dos relatos positivos sobre a preferência pelo local de vacinação e dos resultados obtidos na pesquisa de satisfação, a estratégia permanece em vigor, refletindo um compromisso com a universalidade do acesso à saúde. Ela visa à aplicação das doses subsequentes das vacinas especiais, à vacinação de rotina para as pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA), bem como à imunização de novos pacientes, garantindo a continuidade da assistência a esse público e assegurando que todos, independentemente de sua condição ou vulnerabilidade, tenham direito ao acesso a serviços de saúde de forma abrangente e igualitária. Até o presente momento, foram administradas 320 doses no ambulatório especializado, abrangendo tanto as vacinas de rotina quanto os imunobiológicos especiais. Essa iniciativa continua a representar um significativo avanço para o município no que se refere à imunização das pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA).
A imunização de pessoas vivendo com o HIV é essencial para a prevenção de infecções oportunistas e para a promoção da saúde geral. O estigma e a discriminação enfrentados por essas populações configuram barreiras significativas no acesso aos serviços de saúde, impactando diretamente na adesão à vacinação e na manutenção do esquema vacinal. Além disso, o receio de julgamentos e a exposição social a que essa população está sujeita tornam-se obstáculos adicionais para a adesão vacinal nas Unidades Básicas de Saúde de referência. Conclui-se que, ao reconhecermos e respeitarmos a individualidade de cada paciente, fica claro que adotar práticas de equidade é fundamental para assegurar uma adesão eficaz aos cuidados de saúde, incluindo a imunização.
Imunização, Equidade, Acesso, Imuno-especial
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