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O acesso a cuidados de saúde bucal de qualidade é um desafio, especialmente para pacientes com deficências, cujas necessidades muitas vezes não são adequadamente atendidas. Em municípios onde a escassez de consultas com essa especialidade é uma realidade, essa questão torna-se ainda mais premente. Nesse sentido, pacientes com dificuldades de comunicação, devido a condições como autismo, deficiência intelectual, física entre outras, enfrentam barreiras significativas para receber atendimento odontológico de emergência. Na qual, o sofrimento causado por processos agudos dolorosos é exacerbado quando esses pacientes não conseguem expressar suas necessidades. Diante desse cenário, o projeto de inclusão de pacientes especiais no atendimento de urgência odontológica surge como uma iniciativa crucial para mitigar o sofrimento e garantir acesso equitativo aos serviços de saúde bucal. A abertura de preferência para esses pacientes na Equipe de Saúde da Família 2 (ESF-2) em Santo Antônio do Pinhal representa um passo significativo em direção à inclusão e à promoção da saúde para todos. Ao oferecer atendimento sem limite de vaga e horário flexível, o município reconhece a importância de priorizar aqueles que mais necessitam, independentemente de suas condições.
O objetivo principal deste projeto foi de avaliar a eficácia da iniciativa de inclusão de pacientes deficientes no atendimento de urgência odontológica, implementada pela Equipe de Saúde da Família 2 (ESF-2) em Santo Antônio do Pinhal, SP. Especificamente, busca-se: • Avaliar a satisfação e percepção dos pacientes especiais e/ou de seus cuidadores em relação ao atendimento odontológico de urgência recebido, considerando aspectos como acessibilidade, qualidade, humanização e eficácia do tratamento. • Investigar o impacto da iniciativa na redução do sofrimento e dor dos pacientes especiais submetidos a processos agudos dolorosos, bem como na melhoria da qualidade de vida desses pacientes e de seus cuidadores.
O projeto conduzido pela equipe de saúde bucal da Estratégia de Saúde da Família (ESF) na zona rural de Santo Antônio do Pinhal, São Paulo, visou atender pacientes especiais de diversas faixas etárias. Dividido em três fases: avaliação da situação e preparação da equipe, execução do projeto e avaliação dos resultados, o projeto começou reconhecendo as dificuldades desses pacientes em acessar tratamento odontológico especializado. Na fase de preparação, a equipe realizou cursos para melhorar suas habilidades. Na fase de execução, priorizou-se a presença do cuidador durante o tratamento, adotando estratégias sensíveis e empáticas, como comunicação não verbal e adaptação do ambiente. Na fase final, foram realizadas análises de atendimentos, pesquisas de satisfação e investigações de impacto, visando avaliar a eficácia do projeto e identificar áreas de melhoria. Essas informações são cruciais para orientar futuras iniciativas de saúde para essa população vulnerável.
Este projeto se fundamentou em três pilares essenciais: a capacitação e aprofundamento da equipe para lidar com as necessidades específicas dos pacientes especiais; uma abordagem proativa junto aos agentes comunitários para promover os serviços de urgência disponíveis; e a execução eficiente do projeto, assegurando que cada paciente recebesse cuidados humanizados e eficazes. Como resultado, observou-se um aumento significativo de 4300% nos atendimentos de urgência para essa população, com exodontias e restaurações emergindo como os procedimentos mais frequentes. Além disso, houve uma redução notável de mais de 80% na dor ou desconforto dos pacientes após o tratamento, avaliada por meio de uma escala de dor. Quanto à satisfação, mais de 90% dos pacientes e cuidadores expressaram alto nível de contentamento com o atendimento recebido.
Ao término deste projeto, fica evidente que a inclusão de pacientes com deficiência nos serviços de urgência odontológica, conduzidos por clínicos gerais, foi não apenas eficaz, mas também impactante. Além de promover um acesso mais equitativo aos cuidados de saúde bucal, constatamos uma notável redução na dor e no sofrimento enfrentados por esses pacientes durante episódios agudos de inflamação. Os resultados obtidos ilustram de forma clara que a abordagem adotada foi capaz de atender às necessidades específicas desses pacientes, proporcionando-lhes cuidados adequados e humanizados por parte dos clínicos gerais. A presença dos cuidadores durante os tratamentos desempenhou um papel crucial na comunicação e no suporte aos pacientes, contribuindo para uma experiência mais confortável e satisfatória. Entretanto, identificamos como área de aprimoramento a necessidade de um maior respaldo por parte dos agentes comunitários. Embora seu envolvimento na divulgação dos serviços odontológicos de urgência tenha sido fundamental, reconhecemos que ainda há espaço para fortalecer essa parceria. A conscientização sobre a importância da saúde bucal para todos os pacientes, independentemente de suas condições, é essencial para garantir um acesso.
Inclusão, Deficientes, urgência odontológica
Davidson Ribeiro Costa, Suzimara Ribeiro Machado