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A informatização dos indicadores de Controle de Infecção por meio do Power BI configurou-se como um avanço estratégico para o fortalecimento da Vigilância Epidemiológica no SUS municipal, especialmente diante do envelhecimento populacional e do aumento da demanda por cuidados de média e alta complexidade. Em São Paulo, cuja rede pública é ampla, diversa e de alta capilaridade, a consolidação, análise e visualização de dados confiáveis tornaram-se essenciais para subsidiar decisões oportunas, qualificadas e equitativas. A experiência beneficiou usuários da rede pública municipal de saúde, com destaque para pacientes hospitalizados, residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) e outros grupos em situação de maior vulnerabilidade, especialmente a população idosa. A proposta nasceu da necessidade de transformar planilhas isoladas e dados fragmentados, enviados pelos serviços, em informações estratégicas para o planejamento, o monitoramento de metas e a avaliação de riscos das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). A iniciativa qualificou a assistência, fortaleceu a segurança do paciente, reduziu riscos evitáveis e otimizou recursos públicos, alinhando-se aos princípios de integralidade, eficiência, equidade e transparência do SUS.
Desenvolver um painel em Power BI para o monitoramento sistematizado dos indicadores de infecção na rede pública de saúde do município de São Paulo, fortalecendo a vigilância epidemiológica em tempo oportuno e possibilitando uma tomada de decisão ágil, qualificada e baseada em evidências, com foco na prevenção e no controle das IRAS. Especificamente, a experiência teve como objetivos: •Apoiar a gestão do SUS municipal na proteção de grupos vulneráveis, com ênfase na população idosa; •Possibilitar a detecção precoce de surtos e eventos adversos relacionados às IRAS; •Monitorar o cumprimento das metas do Programa Nacional de Prevenção e Controle de IRAS (PNPCIRAS); •Fortalecer a gestão de riscos e a promoção da segurança do paciente; •Qualificar os processos assistenciais na rede municipal; •Ampliar a transparência das informações e a eficiência na alocação dos recursos públicos.
A experiência foi desenvolvida a partir da coleta sistemática de dados encaminhados pelos hospitais e demais serviços da rede pública municipal à COVISA, por meio de planilhas eletrônicas contendo os indicadores de controle de infecção definidos pelo Ministério da Saúde. Esses dados constituíram a base para a construção dos painéis analíticos. O percurso metodológico envolveu as etapas de seleção, padronização, organização e validação das informações, realizadas de forma articulada com a equipe técnica da COVISA, garantindo consistência, fidedignidade e comparabilidade dos dados. Em seguida, os estagiários de Tecnologia da Informação da CAH realizaram a inserção, o tratamento e a modelagem das informações na plataforma Power BI. Utilizou-se o Power Query para limpeza, transformação e integração de múltiplas fontes de dados. Posteriormente, foram estruturados modelos de dados e desenvolvidos dashboards interativos, com visualizações claras, objetivas e orientadas às necessidades da vigilância epidemiológica e da gestão hospitalar. Os painéis foram organizados para permitir atualização contínua, análise temporal dos indicadores, segmentação por unidade e compartilhamento seguro das informações, fortalecendo o monitoramento, a comunicação entre os serviços e a tomada de decisão baseada em evidências.
A experiência resultou na elaboração de dashboards interativos que possibilitam a identificação ágil de padrões, tendências e pontos críticos relacionados às IRAS na rede pública municipal de saúde. Os painéis permitem análises por setor assistencial, tipos de infecção por topografia, distribuição de casos, adesão às práticas de higiene das mãos e avaliação de fatores de risco, como uso de dispositivos invasivos e presença de comorbidades. As visualizações desenvolvidas favoreceram análises quantitativas e qualitativas, permitindo comparações entre unidades, acompanhamento da evolução dos indicadores ao longo do tempo e identificação precoce de situações críticas. A informatização dos indicadores possibilitou a identificação de hospitais, Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e ILPI com maiores taxas de infecção, subsidiando intervenções direcionadas pela gestão municipal. O monitoramento sistematizado ampliou a capacidade de resposta da vigilância epidemiológica, fortaleceu a articulação entre os serviços de saúde e a gestão do SUS municipal e qualificou o processo decisório. Os resultados expressam impactos diretos na segurança do paciente, especialmente da população idosa, contribuindo para a redução de riscos, a melhoria da qualidade assistencial e a promoção de uma atenção à saúde mais segura, equitativa e resolutiva.
A experiência de informatização dos indicadores de controle de infecção por meio do Power BI demonstrou que dados complexos podem ser transformados em informações estratégicas claras, acessíveis e úteis para a gestão em saúde. A iniciativa ampliou a visibilidade do cenário das IRAS na rede municipal, subsidiando a definição de prioridades e a implementação de ações oportunas e baseadas em evidências. O desenvolvimento do trabalho reforçou a importância da integração entre vigilância epidemiológica, tecnologia da informação e gestão do SUS, evidenciando o valor do trabalho colaborativo entre COVISA, CAH e os profissionais envolvidos. Conclui-se que a utilização de ferramentas de Business Intelligence no SUS possui elevado potencial para qualificar a assistência, fortalecer a segurança do paciente e aprimorar a gestão pública orientada por dados. Destaca-se, ainda, a relevância da experiência para o enfrentamento dos desafios do envelhecimento populacional, ao apoiar ações voltadas à proteção da população idosa, à redução de eventos adversos evitáveis e à promoção de uma longevidade digna, sustentável e com equidade. Trata-se de uma prática inovadora, estratégica e passível de replicação em outros contextos do SUS.
Vigilância epidemiológica. Power BI, gestão, SUS
KATIA CRISTIANE CREPALDI YAMAGUTI, IARA CRISTIAN SILVA, GUSTAVO HIDEKI ARAKAKI, JOÃO PAULO GENARO