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No último bimestre de 2024, após intenso período epidêmico de dengue no Estado de São Paulo, o município estruturou estratégia inovadora de mobilização territorial integrada às ações de vigilância das arboviroses. Inspirada em modelos de registro domiciliar utilizados em estados do Nordeste brasileiro, a gestão municipal adaptou a prática técnica de controle para formato simplificado e visível, instituindo selo comunitário de certificação para imóveis inspecionados e livres de focos do vetor. O selo continha identificação padronizada, data e assinatura do agente responsável, permitindo rastreabilidade e reconhecimento público do cuidado sanitário. A iniciativa transformou instrumento técnico em ferramenta de engajamento social no âmbito do Sistema Único de Saúde municipal, fortalecendo a corresponsabilização da população na prevenção das arboviroses.
Fortalecer a mobilização comunitária no enfrentamento da dengue por meio da certificação pública de imóveis livres de focos; ampliar a cobertura e qualidade das inspeções domiciliares; estimular mudança comportamental sustentada; e consolidar cultura de corresponsabilidade territorial na prevenção das arboviroses.
A estratégia foi implantada em novembro de 2024 como iniciativa da gestão municipal integrada às ações intensificadas de enfrentamento das arboviroses. Inspirada em modelo técnico de registro domiciliar utilizado em estados do Nordeste brasileiro, a prática foi adaptada para formato simplificado e visível, com foco na mobilização social. Após inspeção completa do imóvel e ausência de criadouros, o Agente de Combate às Endemias ou Agente Comunitário de Saúde afixava o selo oficial “Imóvel Livre de Focos”, contendo data e assinatura do profissional responsável. O selo funcionava simultaneamente como instrumento educativo, reconhecimento público e ferramenta de rastreabilidade para planejamento de retorno. A ação foi incorporada à rotina territorial das equipes, com divulgação durante visitas e atividades educativas. Em 2024 foram certificados aproximadamente 50 mil domicílios; em 2025 a estratégia foi ampliada, alcançando cerca de 60 mil imóveis, consolidando-se como política territorial permanente no âmbito do Sistema Único de Saúde municipal.
A certificação produziu mudança comportamental no território. O selo tornou-se símbolo público de responsabilidade sanitária, levando moradores a solicitarem espontaneamente a vistoria e manterem seus imóveis aptos à certificação. Observou-se maior receptividade às visitas dos agentes, ampliação da cobertura territorial e fortalecimento do vínculo entre equipes e comunidade. Em 2024 foram certificados aproximadamente 50 mil domicílios; em 2025, cerca de 60 mil, consolidando a estratégia como política permanente. A iniciativa qualificou a vigilância participativa e transformou a inspeção domiciliar em instrumento de valorização social e prevenção contínua.
A experiência demonstra que o SUS municipal pode ser indutor de inovação territorial mesmo com recursos simples. Ao converter instrumento técnico de controle em símbolo público de mobilização comunitária, o município fortaleceu cultura preventiva, ampliou corresponsabilidade social e qualificou a vigilância no território. A estratégia evidencia que soluções de baixo custo, quando articuladas à participação social e à organização da Atenção Básica, podem produzir impacto sustentável no enfrentamento das arboviroses. O modelo apresenta elevado potencial de replicabilidade e reafirma o papel do SUS como promotor de cidadania e transformação social.
Dengue, Participação social, SUS
GABRIEL DA ROCHA COSTA, DAYAN DE BARROS MARTINS