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O mosquito Aedes aegypti, vetor das arboviroses urbana (dengue, chikungunya, zika vírus e febre amarela urbana), tem sua origem na África, onde possuía hábitos silvestres; porém este vetor acompanhou a expansão das civilizações, povos nativos ao adentrar a mata, passou a trazer consigo recipientes com água com ovos aderidos, onde eclodiram já nas aldeias, passando aí a ter hábitos urbanos. Os egípcios, ao se apropriarem destas aldeias, estavam levando consigo uma “maldição” ainda não conhecida. Sendo assim, as expedições egípcias pelo continente africano disseminaram o Aedes aegypti do norte para o sul do continente africano. Nos séculos XVI eXVII, período marcado como das grandes navegações, expansão comercial e novos contornos no mapa mundi com as “descobertas de novas terras”, impulsionou o Aedes para locais ainda não habitados, pelo menos pelo Aedes. Assim como o homem, superou barreiras geográficas, sociais, culturais e políticas, o Aedes teve o mesmo feito, não deixando a sua missão de acompanhar a espécie humana desde de quando foi retirado de seu habitat silvestre. Hoje em pleno século XXI, ocorrem epidemias de dengue em áreas tropicais, sendo necessário eficiência no combate a este vetor; em 2024 ocorreu em todo o Brasil a pior epidemia da história; São Bernardo do Campo desde 1.999 segue os protocolos do PNCD, obtendo resultados eficazes, para ampliar a eficácia, a introdução de novas tecnologias no ano de 2025 foi determinante.
Descrever a implantação de drone mapeador, drone borrifador e NAV (Nebulizador Acoplado em Veículo), uma iniciativa da Secretaria de Saúde para otimizar as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, impactando diretamente em uma das menores incidências de casos da doença em relação a outros municípios da região do Grande ABCDMR, solucionando a questão do desgaste físico da equipe ao transportar maquinário portátil de 25 KG, diminuir a exposição das equipes ao inseticida, identificar e eliminar com segurança criadouros de difícil acesso, subsidiar os processos administrativos oriundos de Fiscalizações Zoosanitária.
Tendo em vista a epidemia de dengue em 2024; a expansão do sorotipo 3 do noroeste paulista para a região metropolitana de São Paulo; havia uma real probabilidade de em 2025 também ter muitos casos, pois por ser cíclica, a dengue tem um ano grave o que transcende para o ano seguinte; além da extensa divisa municipal e da expansão urbanística de São Bernardo do Campo; foram indicadores decisivos para a Divisão de Veterinária e Controle de Zoonoses, através da Secretaria de Saúde, implantar uma estratégia inovadora e eficaz no combate ao mosquito Aedes aegypti. A partir do dia 17/02/2025, assim que o CCZ recebia as notificações de dengue, utilizamos a seguinte estratégia: a) o drone mapeador registrava os locais com criadouros de difícil acesso; no ato as equipes de campo, os ACE’s (Agentes de Combate de Endemias) agiam diretamente no epicentro, realizando controle mecânico ou químico; b) os locais onde o acesso era inviável, utilizamos o drone borrifador, para aplicação de larvicidas, em calhas, piscinas abandonadas, lajes e etc; c) após as intervenções dos drones e da equipe de campo, o próximopasso é a NAV, que consiste em duas viaturas pick up com nebulizador 18 HP com a finalidade de emitir nevoa de 50 metros de inseticida em direção as janelas e portas dos imóveis, para eliminar o mosquito que possa estar dentro do imóvel; previamente o carro de som da Defesa Civil passa avisando que no dia seguinte será realizado o “fumacê”.
Em todos os anos no período pré epidêmico realizamos um passo a passo na manutenção das máquinas portáteis, para em seguida realizar as nebulizações, o que demandava tempo e mão de obra; E infelizmente acumulavam as notificações a serem realizadas. Com a implantação das novas tecnologias, 23 áreas com transmissão de dengue, foram de forma estratégica contempladas com ações pontuais e eficazes; outro fator importante são as equipes de campo melhorarem seus níveis de colinesterase, por não se expor ao inseticida; passaram a se concentrar em outras atividades do PNCD, além de atingir metas preconizadas pelo Ministério da Saúde.
A proliferação do mosquito Aedes aegypti, acompanhou a ambição do homem em busca do espaço, onde suas construções se tornaram aptas para adequar este vetor; somente com uma gestão engajada com a saúde pública e com novas tecnologias, é possível eliminar metodos arcaicos e que causavam um “envelhecimento” dos fluxos; tendo como consequência resultados favoráveis para a população e para a saúde pública, como em São Bernardo do Campo. São Bernardo do campo, aderiu ao PEAe (Projeto de Erradicação do Aedes aegypti) em 1.999 e posteriormente ao PNCD (Programa Nacional de Controle da Dengue), chegando a 27 anos ininterruptos de atividades, ações e mobilizações voltadas para eliminar o mosquito aedes aegypti, porém alguns colaboradores que já fazem parte da equipe desde então hoje estão próximos da “melhor idade”, automaticamente sentindo os efeitos colaterais do tempo, um “envelhecimento natural”, mas que dificulta o trabalho com nebulizadores portáteis, devido ao peso do equipamento e utilizar EPI’s sob as altas temperaturas atuantes; felizmente em meados de 2.024 a inovação e a tecnologia foram como revigorantes para uma equipe que já sente as marcas do tempo.
INOVANDO NO COMBATE AO AEDES AEGYPTI
MARJORI FABRICIA CERCHIARI, MARCO AURÉLIO FERREIRA, CRISTIANE RIBEIRO SILVA, RONALDO NOVAES DE SOUZA