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A leishmaniose visceral é uma zoonose de grande relevância para o SUS, tendo o cão como principal reservatório urbano. Em Morungaba, a experiência iniciou-se em agosto de 2025 após a detecção de um cão positivo, em clínica veterinária particular. A confirmação laboratorial, realizada conforme protocolos do Estado de São Paulo e do Instituto Adolfo Lutz, desencadeou a necessidade de ampliar a investigação epidemiológica. Além do inquérito sorológico canino, foram realizadas armadilhas entomológicas em parceria com o Centro de Controle de Doenças (CCD), para verificar a presença do vetor Lutzomyia longipalpis. Os resultados foram negativos para o vetor, reforçando a importância da vigilância integrada. A iniciativa envolveu profissionais da Diretoria Municipal de Saúde, Médica Veterinária, dois estagiários (parceria com a USF, Universidade São Francisco) e laboratório de referência (Instituto Adolfo Lutz), beneficiando indiretamente toda a população ao fortalecer a vigilância e prevenir casos humanos.
– Avaliar a situação epidemiológica da leishmaniose canina no município; – Identificar áreas de risco de transmissão; – Investigar a presença do vetor por meio de armadilhas entomológicas; – Subsidiar políticas públicas de vigilância e prevenção; – Sensibilizar a população sobre prevenção e cuidado com os animais; – Fortalecer a integração entre clínica privada, gestão municipal e vigilância estadual.
Após o caso índice, foi desencadeado um inquérito sorológico municipal. Foram testados 70 cães, domiciliados, distribuídos nos bairros Santa Luz, Barra Mansa e Brumado II. As amostras foram coletadas pela médica veterinária da Vigilância em Saúde, Amanda Frare (CRMV/SP 23.383), seguindo protocolos técnicos do Instituto Adolfo Lutz. Os exames foram realizados por teste rápido/ELISA/RIFI após coleta das amostras dos animais e encaminhada para o IAL. Paralelamente, foram instaladas armadilhas entomológicas pelo CCD em áreas estratégicas, para verificar a presença do vetor. As atividades incluíram visitas domiciliares, coleta de sangue, registro de dados, instalação e monitoramento das armadilhas, além da análise dos resultados, orientações de sintomas em cães e humanos.
Foram avaliados 70 cães, dos quais, apenas 01 apresentou sorologia positiva. A distribuição geográfica mostrou maior concentração na região periférica dos bairros citados, onde os dois animais (caso fonte e do inquérito) vieram de outros locais, não são de Morungaba. O caso índice foi fundamental para desencadear a investigação e revelou a importância da integração entre clínica veterinária privada e sistema público de saúde. As armadilhas entomológicas instaladas pelo CCD resultaram negativas para o mosquito-palha, indicando ausência do vetor no município no período analisado. Os resultados subsidiaram campanhas educativas junto à população e intensificação da vigilância epidemiológica. A experiência permitiu o planejamento direcionado das medidas de controle, prevenindo casos humanos e fortalecendo a confiança da comunidade nas ações do SUS municipal.
O inquérito sorológico e entomológico de leishmaniose canina realizado em Morungaba, demonstrou ser uma ferramenta eficaz para orientar políticas públicas e proteger a população. A experiência evidenciou a importância da vigilância ativa e da resposta rápida ao caso índice, além da integração entre clínica privada, gestão pública e comunidade. A ausência do vetor nas armadilhas entomológicas reforçou a relevância da investigação e trouxe segurança epidemiológica. Entre os desafios, destacam-se a logística de coleta e a adesão dos tutores, mas os pontos fortes foram a mobilização comunitária e o apoio institucional. A iniciativa consolidou-se como uma prática exitosa no enfrentamento da leishmaniose, com potencial de replicação em outros municípios
Leishmaniose, zoonose, vigilância em saúde.
AMANDA FRARE