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O planejamento reprodutivo é um componente essencial do cuidado longitudinal da mulher, impactando diretamente sua autonomia, saúde sexual e trajetórias ao longo da vida. Métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARC), como o DIU de cobre, desempenham papel central na prevenção de gestação indesejada e promoção de saúde reprodutiva, com reflexos positivos na qualidade de vida e no envelhecimento saudável. No município de Mirassol (SP), a oferta desse método estava restrita à dependência de profissionais médicos, gerando filas de espera e baixa cobertura. Como prática inovadora na Atenção Primária à Saúde (APS), foi estruturado fluxo assistencial que capacitou enfermeiras para realizar inserção de DIU de cobre, com respaldo técnico e normativo, no contexto da APS municipal. A experiência promoveu acesso ampliado ao DIU, fortaleceu a autonomia do enfermeiro, reduzindo barreiras de acesso, e constituiu modelo de cuidado longitudinal da mulher, que inclui acompanhamento clínico, continuidade de uso do método e avaliação de satisfação, contribuindo para trajetórias de saúde ao longo da vida adulta e no pré-envelhecimento.
Avaliar a taxa de adesão, o grau de satisfação e a continuidade do uso do método contraceptivo, por meio do acompanhamento e monitoramento digital de mulheres submetidas à inserção de DIU de cobre por enfermeiras na Atenção Primária à Saúde (APS) de Mirassol.
Relato de experiência com abordagem quantitativa descritiva dos dados coletados na APS de Mirassol (SP) entre agosto de 2024 e julho de 2025. Foram incluídas mulheres que realizaram 238 mulheres que realizaram a inserção de DIU de cobre por enfermeiras nas unidades de APS após capacitação específica. O acompanhamento foi realizado com um formulário de seguimento aplicado via aplicado de conversa (WhatsApp) em 6 momentos após o procedimento (dia seguinte, quinze dias após, trinta dias, noventa dias e seis meses), que incluiu itens socioeconômicos, continuidade do método, satisfação e motivos de retirada quando aplicável (dados coletados via formulário digital similar ao fornecido). Foram registrados: número total de inserções, taxa de continuidade do método aos 6 meses, taxa de satisfação, perfil sociodemográfico e motivos comuns de retirada ou intercorrências reportadas. A análise foi descritiva, com cálculo de proporções e mediações simples.
No período analisado, 238 mulheres realizaram a inserção de DIU de cobre por enfermeiras na APS de Mirassol. Após 6 meses de acompanhamento, 88% das mulheres (N210) permaneceram com o DIU e relataram estar satisfeitas com o método, demonstrando alta aceitação, continuidade e percepção positiva da experiência. As principais motivações relatadas foram resolutividade do atendimento, eficácia do método, autonomia reprodutiva e menor necessidade de visitas frequentes à unidade de saúde. Entre as mulheres que optaram por não continuar (N58) com método a queixa de cólicas e sangramento como principal motivo. O perfil sociodemográfico indicou diversidade de idade, escolaridade e renda, refletindo inclusão e equidade no acesso ao método. As intercorrências foram mínimas e, quando ocorreram, foram resolvidas na própria APS, reforçando a capacidade resolutiva da equipe de enfermagem. A implementação ampliou o acesso ao DIU de cobre, acabando com filas de espera e fortalecendo o cuidado longitudinal da mulher. A estratégia demonstrou alta aceitabilidade e impacto positivo nas trajetórias de cuidado reprodutivo. A taxa de continuidade de 88% após 6 meses mostrou-se superior às médias descritas na literatura nacional e internacional, que variam entre 80% e 85% nos primeiros 6 meses de uso. O resultado sugere adequação do aconselhamento contraceptivo, qualidade técnica na inserção e efetividade do acompanhamento longitudinal realizado na APS.
A experiência evidencia que a inserção de DIU de cobre por enfermeiras na APS com acompanhamento e monitoramento digital configura inovação organizacional e assistencial no SUS municipal. A elevada taxa de continuidade e satisfação após 6 meses (88%) demonstra a efetividade da prática e sua contribuição para o cuidado longitudinal da mulher, promovendo autonomia reprodutiva, equidade no acesso e vínculo com a APS. Essa prática fortalece a atuação da enfermagem, amplia a resolutividade do cuidado e promove modelos assistenciais que acompanham a mulher ao longo da vida, com impacto direto na prevenção de agravos no período de transição para o envelhecimento.
ATENÇÃO PRIMÁRIA A SAÚDE; DIU; DIGITAL
CAMILLA DA SILVA NUNES SANTIQUIO, MICHEL DE SOUZA VINAGRE, JULIANA TONIN RECCO DA ROCHA, FRANK HULDER DE OLIVEIRA