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O implante com 68mg de etonorgestrel, popularmente conhecido como Implanon é um método reversível de anticoncepção, que dura 3 anos e com alta taxa de eficácia e segurança quando comparado a outros métodos. A gravidez indesejada tem impacto importante na vida da mulher, acomete principalmente as mais vulneráveis: jovens, negras, de baixa renda e usuárias de drogas. A oferta de anticoncepcionais pelo SUS é uma maneira de ampliar a autonomia dessas mulheres ampliando seus direitos reprodutivos. A presença do residente de medicina de família e comunidade nas unidades de saúde auxilia na ampliação do acesso a diversos procedimentos, ampliação do vínculo com a comunidade além de proporcionar estímulo para educação permanente dentro das unidades de saúde.
Relatar a experiência de inserção de Implanon por residentes de Medicina de Família e Comunidade em uma unidade de saúde da família em um município do interior de São Paulo.
O município implementou protocolo municipal para colocação do Implanon, realizou treinamento da rede, incluindo dos residentes de MFC, determinou os critérios elegíveis de acordo com protocolo nacional, sendo eles: adolescente com idade entre 16 e 18 anos 11 meses e 29 dias; dependentes de substâncias psicoativas/drogadição; situação de rua; mulheres com transtornos mentais graves e severos, que fazem seguimento na saúde mental; mulheres que convivem com o HIV; mulheres que realizaram a inserção em Unidade de Saúde do município e necessitarão da troca em qualquer faixa etária. A unidade de saúde organizou a agenda, disponibilizou os residentes para realização dos procedimentos com apoio dos preceptores e passou a oferecer o método para as mulheres elegíveis que eram submetidas a teste rápido de gravidez e assinatura de termo de consentimento.
Desde 29 de maio de 2023, foram inseridos 43 implantes, 40 deles por residentes de MFC. 37,2% (16) eram adolescentes da faixa etária 16-18 anos; 34,88% (15) eram usuárias de drogas, parte delas, 25,58% eram usuárias de drogas e adolescentes, 1 estava em situação de rua e era usuária de drogas. Em 7 meses, 12,16% das adolescentes do território receberam o implante. Nenhum deles apresentou efeitos adversos. Os residentes se sentiram seguros para a realização dos procedimentos com apoio dos preceptores. Ainda não foi possível observar o impacto da realização do procedimento no número de gestações indesejadas, mas espera-se avaliar esse impacto nos próximos anos.
Em 1994, na Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (CIPD), no Cairo, foi onde se estabeleceu que “a saúde reprodutiva inclui a capacidade de desfrutar de uma vida sexual satisfatória e sem risco de procriar, e a liberdade para decidir fazê-lo ou não, quando e com que frequência”. Ou seja, trata-se de defender a autonomia da mulher, e do acesso a métodos contraceptivos. Observando os dados coletados sobre as pacientes, 62,79% (27) são adolescentes entre 16-18 anos, período no qual grande parte ainda está concluindo os estudos, e sabe-se que a gestação nesse período está altamente associada à evasão escolar, muitas vezes prejudicando uma futura carreira profissional; podendo ter também um aumento de risco de apresentar eclâmpsia, prematuridade, infecções sistêmicas, e ocorrer o desfecho de morte materna. Ainda considerando os dados, as 27 (62,79%) eram usuárias de drogas, o que é potencialmente prejudicial ao binômio mãe-feto, podendo causar danos à saúde física e mental da mulher, abortamento, prematuridade e diminuição de perímetro cefálico. Por fim, a presença do residente de MFC foi fundamental para a ampliação do acesso a esse método.
Contracepção, Direito à Reprodução, Acesso
Louize Angerami Martins, Tulio Marroquim Galvão, Tatiana de Carvalho Gomila Linardi, Maria Carolina Pereira da Rocha, Edilaine Silva Oliveira