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Inaugurada em Janeiro de 2004, a farmácia de manipulação Fitosaúde nasceu em parceria entre o consulado Japonês e a Prefeitura de Marília. A Farmácia iniciou sua atividade localizada na Secretaria Municipal da Agricultura. A estratégia seria captar agricultores locais que pudessem realizar o plantio e cultivo das plantas medicinais para produção de 04 medicamentos, Ginkgo, Castanha-da-índia, gel de Aloe vera e xarope de Guaco. Porém, não houve interesse, devido ao alto custo para identificar e dosar os princípios ativos das plantas medicinais. Desta forma, a farmácia passou a produzir medicamentos não só fitoterápicos, como alopáticos. Atualmente contamos com 30 medicamentos padronizados, com produção média mensal de 250.000 cápsulas e 6.000 produtos prontos, atendendo em média de 2.000 prescrições médicas e odontológicas. Dentre estes temos 09 fitoterápicos: Alcachofra: Cynara scolymus 450 mg, Aloe vera: Aloe vera (L.) Burm. f., gel a 3%, Cáscara-sagrada: Rhamnus purshiana 200 mg, Castanha-da-índia: Aesculus hippocastanum 280 mg, Ginkgo: Ginkgo biloba 80 mg, Composto Calmante: Melissa officinalis 80 mg + Passiflora incarnata 80 mg + Valeriana officinalis 120 mg, Mulungu: Erythrina mulungu 500 mg, Sene: Senna alexandrina (ou Cassia angustifolia) 300 mg.que representam todas às capsulas produzidas, as quais representam uma crescente produção ano a ano onde demonstramos crescimento a partir de 2017 após implantação de um sistema local de gestão de informação das movimentações.
Descrever o processo histórico de implantação da Farmácia de Fitosaúde de Marília-SP, analisando os desafios da gestão como padronização dos medicamentos municipais com o propósito de redução de efeitos adversos, valorização da Medicina Tradicional Chinesa e ao questionamento do modelo puramente hegemônico/alopático.
Trata-se de um relato de experiência descritivo e retrospectivo, com abordagem qualitativa da Farmácia de Fitoterapia Municipal de Marília, SP, localizada na zona norte, propositalmente na Secretaria Municipal da Agricultura. A sistematização da experiência foi realizada por meio de registros históricos e Sistema de Informação local referente ao índice de consumo pela população (prescrições) e aumento da produção. O período analisado compreende a trajetória de amadurecimento do serviço, focando na organização do ciclo da assistência farmacêutica desde 2004.
Os resultados demonstram que a Fitosaúde de Marília consolidou-se através da institucionalização normativa, inserindo o fitoterápico no fluxo oficial de dispensação da rede da Atenção Primária a Saúde onde incentivou o uso racional e ao longo de sucessivas gestões evidencia que a Fitoterapia em Marília foi assimilada como uma tecnologia de saúde essencial e não como um projeto que resultaria em resolutividade, baixo impacto de efeitos adversos, atuando diretamente no manejo de patologias crônicas e transtornos leves que sobrecarregam as Unidades Básicas de Saúde. Ainda com intuito de promover a desmedicalização do cuidado, oferecendo às equipes de Saúde, ferramenta que resgata o saber popular com ações de promoção e prevenção, alinhando-se aos princípios de integralidade e equidade que regem o SUS. Em relação à análise dos dados com o advento do sistema implantado é possível observar desde quedas nas produções significativas por falta de matéria-prima, trocas de prescritores, falta de protocolo clínico bem estabelecido na nossa rede municipal de saúde, bem como o aumento de algumas prescrições fitoterápicas por falta de medicamentos alopáticos disponíveis na rede, ainda aponta para reduções de utilização que pode ser vista como um sinal positivo de uso racional de medicamentos.
Conclui-se que a experiência de Marília, embora idealizada nos moldes da Medicina Tradicional Chinesa, foi consolidada no modelo magistral, por sofrer interferência das gestões que modificaram a sua essência visando economia frente ao consumo desenfreado da alopatia. A trajetória exitosa da Farmácia Fitosaúde serve de modelo para implantação e consolidação das PICS – Práticas Integrativas Complementares com a proposta de implantação de uma Farmácia Viva com ênfase na sustentabilidade e inovação, que intensifica o estabelecimento de parcerias intersetoriais com universidades locais garantindo integração ensino-serviço, pesquisa e desenvolvimento com intuito de garantir suporte técnico na produção de matéria-prima, manipulação e dispensação pela rede municipal. Tal modelo não apenas reduz custos de aquisição de insumos, mas transforma a Farmácia de Fitosaúde em um Centro de Referência, Ensino e Pesquisa, fortalecendo o controle de qualidade desde a semente até o paciente. Garantindo a soberania terapêutica do município.
Fitoterapia, PICs, Farmácia Viva, Ensino Serviço
LUCIANA CALUZ CARVALHO PEREIRA, DANIELLE ZANETTI CARONI