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Em 2024, o município de Santa Bárbara d’Oeste enfrentou adversidades no cuidado em saúde mental, com aumento de encaminhamentos para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de casos que deveriam ser acompanhados na atenção primária à saúde. Os obstáculos advinham da ausência de um protocolo padronizado e por deficiência de quantidade de matriciamento em saúde mental nas unidades. Essa situação gerava sobrecarga nos serviços especializados que dificultavam o cuidado de todos os pacientes com necessidades. Diante dessa realidade, foi proposta a construção de um protocolo integrado entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A iniciativa objetivou-se a reorganizar os fluxos de atendimento, fortalecendo o protagonismo da APS no manejo inicial de casos e garantir encaminhamentos qualificados, encurtando o tempo para acesso a serviços especializados quando necessário. O processo contou com a participação de profissionais do CAPS, médicos da APS, e coordenações da APS, do CAPS e do Pronto Socorro, adotando uma abordagem colaborativa e multiprofissional.
Geral: Reorganizar o cuidado em saúde mental, fortalecendo o manejo na APS e qualificando os encaminhamentos ao CAPS. Específicos: ●Estabelecer critérios objetivos e padronizados para os encaminhamentos à RAPS. ●Capacitar profissionais da APS no manejo de casos leves e moderados. ●Ampliar o acesso ao matriciamento e à educação permanente. ●Reduzir encaminhamentos inadequados ao CAPS, otimizando os recursos da rede. ●Fomentar a integração e a comunicação eficaz entre APS e RAPS.
O processo teve início com reuniões entre médicos da APS, profissionais do CAPS e profissionais do Pronto-Socorro (PS), para mapear dificuldades e necessidades da rede. Como referência, foi adotado o protocolo RegulaSUS Psiquiatria, que estabelece diretrizes técnicas para encaminhamentos e manejo em saúde mental. Ao longo do desenvolvimento, foram promovidas discussões sobre casos clínicos, definição de fluxos assistenciais e atribuições compartilhadas, garantindo que o protocolo fosse aplicável e adequado à realidade local, incluindo o cuidado de urgência e emergência em saúde mental. Após sua elaboração, o documento foi aprovado por todos os atores envolvidos. O processo de construção do protocolo iniciou no final do primeiro semestre de 2024, culminando em sua aprovação em fevereiro de 2025. Para assegurar sua efetividade e atualização contínua, está prevista uma reunião de avaliação após um ano de implementação, permitindo a incorporação das experiências dos profissionais assistentes na revisão e consolidação do protocolo.
A construção do protocolo fortaleceu a rede de cuidado, promovendo uma maior integração entre a RAPS, a APS e PS na redução de barreiras ao acesso aos serviços de saúde mental. O manejo inicial dos casos na APS foi qualificado, com a ampliação do acesso ao matriciamento e maior suporte técnico especializado. Além disso, a articulação entre a APS e os CAPS foi aprimorada, permitindo a discussão diária de casos por meio de contato telefônico. Essa dinâmica intensificou a colaboração entre os serviços, favorecendo o compartilhamento de responsabilidades e consolidando um cuidado em rede mais resolutivo e integrado.
A experiência evidenciou a relevância da articulação entre gestão e assistência na construção de protocolos eficazes e sustentáveis. A abordagem colaborativa, envolvendo múltiplos atores da rede, foi importante para adaptar o protocolo do RegulaSUS à realidade local, considerando as particularidades de cada serviço. O trabalho conjunto reforçou a corresponsabilização no cuidado em saúde mental, estabelecendo um diálogo contínuo entre APS, RAPS e PS. O próximo passo será realizar reuniões de educação permanente sobre protocolo, com monitoramento sistemático dos resultados.
Protocolo Saúde Mental, Integração RAS
MAGDA MARIA ALVES VARELLA PASTRO, JULIANA STURARO, JOÃO HENRIQUE SILVA RIZZETTO