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Os cursos de educação permanente e capacitação sempre foram pauta prioritária de interesse da Secretaria Municipal de Saúde de Suzano desde sempre. No ano passado, um dos grupos mais valorizados sob esse aspecto foi o de agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE), num projeto intitulado “Mais Saúde Com Agente”, num trocadilho que enobrece suas funções como primordial na permeabilidade de ações de saúde nos domicílios dos moradores contemplados pela Estratégia de Saúde da Família. O curso em questão, uma parceria entre o CONASEMS e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul contou com aulas para atualização de conteúdos no que tange mapeamento de áreas, redes de apoio, infestações de doenças endêmicas, doenças transmissíveis e não transmissíveis, bem como formas de abordagem, prevenção e orientação quanto à frequência da Unidade de Saúde da Família. Ações dessa natureza sempre foram valorizadas no âmbito da Estratégia de Saúde da Família e do Combate às Endemias; contudo, em 2025, foi estruturado um projeto mais abrangente, inovador e com maior efetividade. Os ACSs estiveram unidos aos ACEs provenientes da Vigilância em Saúde do município no intuito importante de trabalharem abordagens específicas na aplicação de manobras que sejam efetivas na conscientização e controle da população como um todo, no sentido de promover a saúde na sua totalidade, com olhar do paciente não fragmentado em assuntos que claramente são complementares.
O objetivo deste trabalho foi evidenciar a integração colaborativa entre ACSs e ACEs no sentido de verificar a efetividade do trabalho em conjunto como forma de ampliar a abordagem de prevenção, orientação e conscientização dos usuários do programa de Estratégia de Saúde da Família e da população como um todo no município de Suzano.
Neste estudo, a observação do trabalho intra e extramuros foi essencial para avaliar a efetividade do trabalho. Foram realizadas reuniões de planejamento entre a enfermeira preceptora da Unidade de Saúde do bairro do jardim São José, no município de Suzano, e a preceptora Diretora da Divisão de Controle da Zoonoses, no sentido de viabilizar a junção do público-alvo em um único curso de capacitação. Num primeiro momento, as aulas teóricas foram mantidas presenciais com base em assuntos divididos em vinte e nove fascículos contemplando cuidado e prevenção à saúde, organização da atenção à saúde e intersetorialidade, geoprocessamento em saúde, cadastramento e territorialização, atenção em equipe multiprofissional e interprofissionalidade, planejamento e organização do processo de trabalho, educação e comunicação em saúde, imunização, fundamento das vigilâncias epidemiológicas, sanitária, saúde do trabalhador e ambiental e ação educativa do agente na prevenção e controle de doenças e agravos com enfoque em doenças não transmissíveis. Grupos mistos de ACSs e ACEs foram formados para que fossem apresentadas sugestões de ações práticas no território que facilitariam a permeabilidade de informações entre os usuários. Os agentes foram avaliados com base na frequência nas aulas, bem como sua participação e interesse. A avaliação de campo durante as visitas domiciliares foi realizada pelas preceptoras que estiveram presentes em todas as fases de andamento do curso.
Foi observado que, com relação às aulas teóricas, os agentes escolheram lugares na sala de aula próximos aos seus colegas de maior afinidade, costume comum aos alunos em qualquer fase de estudo. Foi estimulada a integração entre ACSs e ACEs nos trabalhos em grupo, de maneira que os grupos fossem mistos. Foi observada a integração gradual entre ambos, com notável colaboração durante os trabalhos teóricos e ainda superada pelas ações em campo. Considerou-se nesta observação que a proximidade entre servidores, mesmo de funções diferentes, facilita a comunicação, a interação e a efetividade no desempenho de suas atribuições. A linguagem de ambos grupo de agentes é muito similar. Sabendo das limitações de conhecimento dos usuários rede de saúde e epidemiológica, ambas categorias se apresentaram nas visitas domiciliares utilizando-se de nomenclaturas e explicações simples para alcançar o objetivo de se comunicarem efetivamente com a população. No decorrer do curso, as apresentações elaboradas e realizadas em grupos mistos de ambas categorias de agentes demonstrou que, na mescla de assuntos atribuídos a cada uma, a comunidade era a mais privilegiada, pois as informações eram passadas de forma clara e objetiva, facilitando sobremaneira a sensibilização das pessoas quanto aos assuntos de saúde pública.
A integração colaborativa entre ACSs e ACEs teve uma conotação deveras positiva no desenvolvimento das atribuições de ambas funções. A combinação de pessoas que trabalham em cargos diferentes, mas que apresentam a mesma intenção multiprofissional, incrementa o serviço de maneira inequívoca, transformando pequenas ações em grandes iniciativas que mudam o curso de incidência e prevalência epidemiológicas, promovendo a saúde e o bem-estar da população. Entender a Estratégia de Saúde da Família é anuir com o trabalho considerado minucioso, de pouco em pouco, de casa em casa, porém com um efeito indiscutivelmente transformador na vida das pessoas. Propor alianças com outros grupos de servidores num mesmo propósito é diferencial potente e incremental à realidade que se apresenta no país. Iniciativas assim devem ser incentivadas e estimuladas como parte de uma ação maior que modifica o panorama de saúde pública no Brasil.
educação permanente, integração, capacitação
VERÔNICA BARBOSA ARAUJO COSTA, PRISCILA JANE ARAP, MARIA RENATA GIAZZI NASSRI