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A nova Linha de Cuidado para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem como princípio a organização de cuidados articulados entre serviços de diferentes pontos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), promovendo práticas integradas, contínuas e centradas na pessoa e em sua família. Nesse contexto, a colaboração entre o Núcleo de Reabilitação Intelectual do Centro de Especialidades e Reabilitação de Média Complexidade (CER-II) e o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i) torna-se estratégica para garantir a integralidade da atenção, desde a avaliação diagnóstica até a reabilitação em múltiplos territórios clínicos e sociais. Este trabalho descreve o processo de construção de Processos Terapêuticos Singulares (PTS) compartilhados entre os referidos serviços, com ênfase nas reuniões periódicas interinstitucionais como mecanismo de organização colaborativa e efetivação da linha de cuidado.
Descrever a experiência da realização de reuniões periódicas entre o Núcleo de Reabilitação Intelectual do CER-II e o CAPS Infantojuvenil como estratégia para a construção e implementação de um PTS compartilhado, alinhado às diretrizes da nova Linha de Cuidado para Autismo.
Foi estabelecido um cronograma de encontros quinzenais pré-definidos entre as equipes do CAPS Infantojuvenil e do Núcleo de Reabilitação Intelectual – CER-II, com registros de deliberações e encaminhamentos, visando: •Diagnóstico situacional conjunto dos fluxos existentes entre os serviços; •Identificação de lacunas e sobreposições no cuidado ao TEA; •Definição de indicadores de acompanhamento (por exemplo, frequência de retorno e continuidade terapêutica); •Proposição de ações intersetoriais (educação, assistência social e família); •Pactuação de responsabilidades e pontos de integração nos fluxos assistenciais.
Houve o estabelecimento de fluxos de referência e contrarreferência claros para atendimento de crianças e adolescentes com TEA; formalização de rotinas de comunicação entre profissionais e serviços; e implementação de formulários padronizados para registro clínico compartilhado. Observou-se melhor articulação com estratégias da Atenção Primária (equipes de Saúde da Família) para acolhimento e seguimento longitudinal, além da participação ativa de familiares no planejamento terapêutico, fortalecendo o cuidado centrado na pessoa. Também foram adotadas práticas terapêuticas complementares baseadas em evidências, integradas ao PTS.
A experiência relatada evidencia que a periodicidade das reuniões e a construção de processos terapêuticos compartilhados favorecem a implementação efetiva da Linha de Cuidado para Autismo. A interlocução constante entre CER-II e CAPS i permitiu a superação de entraves assistenciais fragmentados e favoreceu a adoção de abordagens terapêuticas que contemplam as múltiplas necessidades biopsicossociais dos usuários. Além disso, a construção colaborativa do PTS trouxe impactos positivos, como o fortalecimento de vínculos, a continuidade das práticas terapêuticas e a ampliação da resolutividade das ações intersetoriais. O modelo colaborativo pode servir como referência para outras regiões e municípios na organização de processos de trabalho que promovam integralidade, longitudinalidade e coordenação do cuidado na RAPS.
Transtorno do Espectro Autista
BARBARA BELLA URBAN, SHEILA PITUBA DE OLIVEIRA, ERIVANDA BATISTA DE HOLANDA, DANILO MONTEIRO SIMÕES, ADALBERTO GONÇALVES GAMA