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O SUS fundamenta-se na universalidade, integralidade e equidade, garantindo acesso amplo e qualificado à saúde. Nesse contexto, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), ampliam o cuidado por meio da escuta, vínculo, promoção, tratamento e recuperação da saúde (Brasil, 2017). A implementação das PICS nos municípios exige articulação entre gestão pública, serviços de saúde e universidade, para apoio de profissionais no seu cotidiano. Assim, nossa experiência nessa articulação conta com o Departamento Regional de Saúde III – Araraquara, via CDQ-SUS coordenando ações em 24 municípios, oferecendo suporte técnico, enquanto a Universidade Federal de São Carlos, via GEPACIS, coordena as ações por meio de atividades de extensão e de pesquisa, pautadas na Educação Permanente em Saúde (EPS) e na integralidade. O resultado da integração UFSCar-DRS III-profissionais dos serviços de saúde dos municípios é o Grupo de Trabalho em Práticas Integrativas e Complementares (GTPICS UFSCar-DRS III), desde 2019, responsável por articular ações nos municípios da região, apoiar a implantação das PICS e promover capacitação de profissionais de saúde. Esse grupo constitui um marco na integração entre gestão e universidade e profissionais dos serviços, favorecendo a implementação das PICS de forma organizada, segura e alinhada às necessidades locais, fortalecendo a integralidade do cuidado e consolidando um modelo de cooperação que pode servir de referência para outras regiões.
Compartilhar a experiência da parceria entre o Departamento Regional de Saúde III – Araraquara e a Universidade Federal de São Carlos, por meio da Educação Permanente em Saúde no fortalecimento e implementação das PICS no SUS, nos 24 municípios do DRS III. Objetivos Específicos Mapear a oferta e diversidade das PICS nos municípios do DRS III; Avaliar o impacto da parceria na implantação e implementação das PICS nos territórios; Evidenciar o papel da cooperação interinstitucional na consolidação das PICS como componente da Atenção Primária à Saúde.
Os encontros do GT são pautados na EPS e na sistematização das experiências. As rodas de conversa e oficinas valorizam o autocuidado, as práticas e saberes das participantes. Os estudos se fundamentam na abordagem qualitativa e na pesquisa-ação. Foram consideradas informações referentes às ações desenvolvidas junto aos 24 municípios, incluindo ações das PICS no cotidiano do trabalho, estudos, discussões, pesquisas e fóruns, com ênfase nas atividades de 2025. A análise também contemplou materiais produzidos pelo Grupo de Trabalho em Práticas Integrativas e Complementares (GT PICS), vinculado ao projeto de extensão da UFSCar, elaborados em conjunto com representantes municipais da região. Entre os documentos analisados, destacam-se dissertações de mestrado desenvolvidas por participantes do projeto e membros do GT PICS, abordando as seguintes temáticas: ●Implantação das Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde na percepção de profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS); ●Inserção das Práticas Integrativas e Complementares na Rede de Atenção à Saúde na esfera municipal; ●Formulação Coletiva de Estrutura de Política Municipal de Práticas Integrativas e Complementares no SUS, desenvolvida sob a perspectiva da pesquisa-ação.
Dos 24 municípios do DRS III, 20 ofertam ao menos uma prática integrativa no SUS, sendo 16 modalidades diferentes, o que demonstra ampliação e diversificação do cuidado na APS. As práticas mais prevalentes no território são a Auriculoterapia, ofertada em 14 municípios, e a Medicina Tradicional Chinesa (MTC)/Acupuntura, presente em 10 municípios. Também são ofertadas: Aromaterapia, Arteterapia, Constelação Familiar, Dança Circular, Fitoterapia, Imposição de mãos, Meditação, Musicoterapia, Ozonoterapia, Reflexologia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa, Terapia Floral e Yoga. A predominância da auriculoterapia associa-se à sua viabilidade técnica na APS, enquanto a presença da MTC/Acupuntura reflete auto investimento na qualificação profissional. Vale destacar que as PICS foram pautadas nas conferências municipais de saúde e inseridas nos planos municipais. Uma estrutura de política municipal de práticas integrativas foi elaborada coletivamente e sua difusão está em andamento. Os resultados mostram expansão organizada das PICS, melhor articulação das PICS nos instrumentos de gestão e nos conselhos de saúde e um suporte técnico para desenvolver uma política municipal de PICS, o que contribui para fortalecimento da integralidade do cuidado nas práticas, serviços e políticas de saúde no território, evidenciando a relevância do apoio institucional e da articulação interinstitucional para o fortalecimento do SUS.
A ampliação progressiva e estruturada da oferta de PICS na APS nos municípios do território é fruto do GTPICS UFSCar-DRSIII. Esse movimento foi acompanhado por maior adesão e engajamento dos profissionais de saúde, refletindo não apenas ampliação quantitativa dos serviços, mas também fortalecimento qualitativo das práticas assistenciais. A incorporação das PICS contribuiu para o aprimoramento da integralidade do cuidado no SUS, ao ampliar as possibilidades terapêuticas, valorizar abordagens centradas no usuário e favorecer estratégias de promoção da saúde e prevenção de agravos. A parceria interinstitucional vem fortalecendo as PICS no SUS ao integrar gestão regional e produção acadêmica, qualificando processos de trabalho, os espaços coletivos de discussão e estruturação política das PICS, e consequentemente ampliando o acesso da população às práticas integrativas. A cooperação entre o Departamento Regional de Saúde III e a Universidade Federal de São Carlos fortalece o SUS no território ao integrar ensino, pesquisa, gestão e serviço e qualificar o cuidado. Essa experiência configura-se como referência para outros territórios que buscam consolidar as PICS como componente estruturante da atenção à saúde no SUS.
Práticas Integrativas e Complementares em Saúde
DIANA BRANQUINHO, LILIANE MARIA GOMES TORRES, LEANDRA ANDRÉIA DE SOUSA