Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O Centro Dia da Pessoa Idosa (cdpi) em Catanduva, é uma unidade pública vinculada à Secretaria de as. Destinado ao atendimento de idosos com dependência de cuidados, visa evitar isolamento social e abandono. Caracteriza-se como espaço de acolhimento, proteção e convivência para idosos cujas famílias não podem prover cuidados durante todo o dia. Seus objetivos englobam a prevenção de riscos pessoais e sociais, o protagonismo dos idosos, a redução de internações e acidentes domésticos, fortalecimento de vínculos familiares e a participação da família na atenção aos idosos. O cdpi oferece atividades de estimulação cognitiva, sensorial, coordenação motora, culinária terapêutica e cuidados com higiene pessoal, destacando a importância da socialização, inter-relações e fortalecimento da individualidade das pessoas idosas. Durante a rotina do cdpi, a coordenação do serviço evidenciou a frequente ocorrência de queda, principalmente no domicílio, resultando em diversos prejuízos à saúde e qualidade de vida. Segundo o ms, no Brasil o percentual de quedas representa 25% da população idosa, que geralmente ocorrem da própria altura. Existem diversas referências para prevenção de quedas, como a avaliação na aps, necessitando de investigação aprofundada e periódica, realização de atividade física para melhora da força muscular, melhora na marcha e equilíbrio. Pensando nisso foi instituída parceria entre o Saúde e Serviço Social e introduzido no cdpi o Programa de Prevenção de Quedas.
• Implantar um programa que possibilite implementar estratégias preventivas para o risco de quedas; • Avaliar e quantificar a probabilidade de ocorrência de quedas; • Minimiza a incidência de quedas por meio da implementação de medidas preventivas; • Aprimorar a capacidade de mobilidade e equilíbrio funcional; • Promover o desenvolvimento de habilidades físicas que contribuam positivamente para a autonomia e qualidade de vida; • Prover promoção da saúde através da realização do exercício físico; • Proporcionar interação social entre os participantes e com os profissionais envolvidos; • Estimular a integralidade dos serviços através de parcerias entre saúde, serviço social e sociedade civil.
Este relato é uma exposição de experiência de caráter quantitativo, apresentando a sistematização de vivências ocorridas durante o período de 08 à 12/2023. Para organização e condução da ação, inicialmente promoveu-se uma reunião entre a coordenação do cdpi, supervisão técnica da aps e educadora física do polo da Academia da Saúde do Jd. Alpino, onde foi exposta a situação vivenciada e observada no CDPI e sugeridas as ações a serem desenvolvidas. Posteriormente, definiu-se um cronograma de atuação da educadora física no cdpi, sendo desenvolvido em grupo, uma vez por semana durante 2hrs. Foi realizada a 1ª avaliação dia 09/08/2023 utilizando o instrumento Timed Up & GO em que a pessoa idosa sentada é orientada a levantar, andar 3 metros, retornar e sentar, sendo registrado o tempo gasto durante o percurso. O teste é considerado normal quando o tempo do percurso for inferior a 10 segundos. Se o tempo estiver entre 10 e 19 segundos, considera-se que a pessoa idosa apresenta o risco moderado de queda, sendo este risco aumentado, quando o tempo obtido for acima de 19 segundos, ou seja, 20 segundos ou mais. Durante cinco meses foram realizados exercícios para treino de marcha, melhora de equilibro, ganho de força muscular, mobilidade e melhora cognitiva, utilizando peso corporal, bola, bambolê, dança, entre outros. Também foi encaminhado um questionário à família, sobre a percepção dos mesmos em relação à marcha, equilíbrio e atividades de vida diária, como autocuidado.
Durante a avaliação e encontros iniciais foi possível observar que os participantes apresentaram dificuldade de compreender e interpretar comandos verbais, prejuízo na atenção e execução da tarefa. Participaram do estudo 18 pessoas idosas. Na primeira avaliação 13 participantes tinham risco Alto de quedas, 02 tinham risco Moderado e 02 não foram avaliados, pois não estavam presentes. Na segunda avaliação 09 participantes tinham risco Alto de quedas, 07 participantes tinham risco Moderado e 02 não foram avaliados. Foi possível constatar que 06 participantes evoluíram do risco Alto para Moderado e apenas 02 participantes regrediram do risco Moderado para Alto. Além destes resultados observou-se melhora na atenção, compreensão de comandos e na execução das tarefas. Em relação aos questionários, 17 familiares responderam o documento, 05 informaram que o número de quedas diminuiu desde que o programa começou, 05 descreveram perceber redução no número de quedas, inclusive um familiar relatou que a pessoa “ficou mais ativa e disposta”, 09 familiares relataram que o idoso não sofreu quedas desde o início do programa, 01 relatou que houve apenas uma queda, sendo que nos meses de 01 à 07/2023, essa pessoa havia sofrido três quedas. Ainda sobre os questionários, o que chamou a atenção foi o relato dos familiares de dois participantes, que referiu “Recebemos sempre instrução de como evitar quedas” e descreveu sobre a pessoa idosa que “Ela é outra pessoa, mais feliz, mais esperta”.
Diante das informações descritas e dos dados obtidos, conclui-se que o Programa de Prevenção de Quedas e as atividades físicas geraram diminuição no risco de quedas e contribuiu para a melhoria da qualidade de vida dos participantes, decorrente da melhora de habilidades cognitivas e motoras como memória, atenção, mobilidade e equilíbrio. Observa-se a necessidade de avaliar e acompanhar os participantes que tiveram piora no risco de quedas, intervindo perante as comorbidades associadas, como Alzheimer, AVC, entre outros, levando em consideração os fatores fisiológicos decorrentes do envelhecimento. É importante salientar que a constante avaliação e acompanhamento deve ser mantido, a fim de proporcionar melhora constante na qualidade de vida e bem estar das pessoas idosas que participam do Programa e expandir a ação a outros pontos de atenção da rede de saúde. Evidencia-se ainda que a parceria entre saúde e serviço social é fundamental para atingir objetivos que promovam segurança e autonomia, proporcionando melhora na qualidade de vida da população.
PREVENÇÃO DE QUEDAS
Fernanda Pugliani Sanches de Barros, Elaine Padua Durante, Fernanda Affonso Costa